22 de agosto de 2008

Beijing 2008

Ao dar algumas pesquisadas sobre os esportes que eu gosto de assistir (lê-se: vôlei, ginástica e, não menos importante, aliás, muito pelo contrário, tênis), percebi que os sites, em relação às fotos, reportam muito mais imagens sobre "as belas de Pequim" e, até agora, só vi um que mostrou "os mais de Beijing". Então, eu tentei ajuntar alguns para mostrar aqui. Afinal, a ppopulação brasileira masculina só assistiu ao jogo de futebol das suecas para ver as suecas.

O primeiro que mostro aqui não estava na lista que encontrei - e a foto não é dele nas Olimpíadas. Mas aposto que ninguém vai reclamar.
Um histórico rapidinho: Rafael Nadal.
Isso já é o suficiente para qualquer compreensão.
Essa foto foi tirada para a revista New Yorker e tem 7 fotos disponíveis no site. Eu, muito boazinha, vou compartilhar a minha descoberta. É só clicar no nome dele ;D

O outro não é bonito de rosto, mas de corpo...Michael Phelps. Eu disse que de rosto ele não é muito cut, mas...
E só para comprovar a minha tese de que ele é o único que fica bem de toca.

18 de agosto de 2008

Um Novo Nº UM

Acho que hoje, mas do nunca em toda a minha inexplicável euforia para com tênis, devo falar sobre tênis. Hoje, em si, é um dia especial para o fãs da ATP e de um certo espanhol e, de quebra, o pior dia para os fãs da ATP e de um certo suíço.
Começo descrevendo o meu dia de sexta, quando cheguei em casa depois da escola e meu irmão avisou que estavam transmitindo a partida de tênis. A partida que eu achei ter assistido às 5 da manhã no mesmo dia.
Ledo engano meu. O que eu havia visto era James Blake - o americano que ganhou sua primeira partida contra o Federer, resultando na eliminação deste dos Jogos Olímpicos - jogando contra o chileno Fernando Gonzáles. Depois que Blake eliminou Federer, cantei para todo mundo (quem quisesse ou não ouvir) que ele não chegaria nem para disputar a medalha de bronze - e o quarto lugar é a pior de todas as classificações. Dito e feito. Ou quase. O sérvio Novak Djokovic, 3º do mundo e o mesmo que tirou Nadal de Cincinatti, vislumbrou-se em belos 2 sets a 0 para cima do americano no sábado dia 16. Resultado: Bronze para Djokovic.
Voltando para a partida da sexta-feira da hora do almoço, eu senti meu coração pular uma vez a mais quando vi Novak Djokovic jogar contra.... contra quem mesmo?! Ah, sim, Rafael Nadal. E, pior, estava 1 a 1 e Novak estava em vantagem. Meu irmão não ajudou muito, pois alogrou o tempo todo que o sérvio ganharia e Nadal teria o bronze como prêmio de consolação. Fui muito prudente e controlada ao não jogar meu tênis nele - e, afinal de contas, ele é meu irmão.
Mas estávamos vendo Rafael Nadal jogar - o que implica em diretamente que devo ressaltar aqui que o tenista está simplesmente em sua melhor forma física mesmo depois de 5 meses de torneios com direito a descansos de, no máximo, 2 ou 3 dias em Mallorca, sua cidade natal. Nadal foi formidável e bateu Djokovic. 2 sets a 1.
Eu pulei, eu vibrei e mandei meu irmão catar coquinho por pura educação. Não tive uma final entre o meu amado Roger Federer e Rafael Nadal, mas teria uma entre Fernando González, dono da medalha de bronze e da de ouro na última Olimpíada (simples e duplas, não respectivamente, acho), em Atenas, e Rafael Nadal.
No sábado, fiquei ainda mais feliz por saber que o sonho de ouro de Federer se profetizou: ele e o suíço, Wawrinka, foram os campeões nas duplas. E depois em saber que Djokovic, que rasgou a camiseta com os dedos após ter ganho, mandou Blake de volta para o US sem medalha. Agora era apenas uma questão de tempo para ver a grande final.
Devido a uma erro meu ao confundir os horários, decido que ficaria acordada a madrugada inteira para ver a final. Eram 4 da manhã e eu não aguentava mais ver russa jogando bolinha para russa. No tênis feminino, só deu Russia no pódio: Dementieva, com o ouro, Safina, prata, e Zvonareva com o bronze. E a partida que deveria ter começado às 4 só começou às 6 da manhã de domingo. Minhas olheras mais profundas que as minhas questões existencialistas e o sono me chamando para cama. Que eu não conseguiria assistir ao jogo inteiro eu sabia, mas disse a mim mesma "o primeiro set eu vejo".
E vi.
Que emoção; meu coraçãozinho saltava a cada ponto de Nadal e eu nem acreditava que estava realmente o vendo jogar em tempo real. Era o primeiro jogo que eu fazia isso*. Nadal fechou o primeiro set e eu fui dormir tranqüila. Em partes. Como seria um jogo de melhor de 5 sets, deduzi que haveria ainda uma hora e meia de jogo. Programei o celular e, uma hora e dez depois, acordei. Isso, antes do celular. Estava a mais de 24 horas sem dormir e no meu primeiro cochilo, fui mais rápida que o despertador.
E eu vi.
Nadal ganhava por 2 sets a 0, mas o chileno estava na frente nos games. Mas o espanhol não me decepcionou, mostrando para mim o poder de uma mente focada em um objetivo. Nadal virou e o jogo ficou 40 a 30 naquele game. Era a hora do match point para Rafa ser o primeiro espanhol a conquistar uma medalha de ouro nas Olimpíadas e mostrar para o mundo o por que de Rafavolution. No entanto, o chileno, sabendo que não ganharia, decidiu vender o ponto e alongou a partida. 40 a 40, deuce. Ponto para Nadal; vatagem para ele. Match Point em jogo - de novo - e o chileno empatou. Deuce. E Nadal não se alterou. Ele concluiu o seu serviço e, logo em seguida, não houve oportunidade de bom lance para seu oponente.
Rafael Nadal - 3 x 0 (6/3, 7/6(2) e 6/3).
Claro que o mundo fez festa. Em um mundo como o do tênis, não são os países que importam numa Olimpíada, mas os jogadores. E levante a mão quem não quis ver Nadal na final! E levante quem não esperava por um novo confronto direto entre Roger Federer e o espanhol, digno de um replay de Wimbledon? Ainda bem que não teve, senão, eu infartava.

Só que hoje é dia 18 de Agosto de 2008.
Dia em que, eu garanto, é o começo na nova era do tênis, porque hoje Rafael Nadal é oficialmente a cereja do bolo da ATP. E isso porque ele estava um pouco cansado em Cincinatti e perdeu para Djokovic, caso contrário, hoje seria 11 de agosto.
É oficial: RAFAEL NADAL, 22 ANOS, ESPANHOL, É O NÚMERO UM DO MUNDO.
Aos 15, ele começou a jogar tênis profissionalmente (e isso me faz ver o quão estou atrasada) e com 19 anos atigiu o segundo lugar, que manteve de 2005 a 2008. Um imperador pronto para assumir seu trono, só que Roger Federer não é bem o tipo de pessoa que alguém espera ter de destronar, porque o suíço passou 238 semanas corridas como número um - fato inédito, aliás - e possui um tênis repleto de técnica e classe, digno de inveja.
Infelizmente, para um subir, outro deve descer. Roger Federer caiu. Mas não aposentou, afinal, ele defenderá 1000 pontos ainda pela sua vitória em 2007 no US OPEN.

Custei a simpatizar com o Nadal depois da final de Wimbledon, mas acho que superei bem, e sofri praticamente nada com tudo isso, ao ponto de chamá-lo de Rafa. Então, só me resta parabenizá-lo pelos seus feitos inéditos - e pedir para que suje menos suas roupas drate as temporadas no saibro.

A Bolinha da Final de Tênis - Beijing 2008

Rafa e sua inédita medalha, e seu amado país.

O Pódio: González (prata), Nadal (ouro), Djokovic (bronze).

Ouro em duplas: Roger Federer e Stanislas Wawrinka
FRASES:

"Rafa jogou de forma incrível para conseguir isso. É exatamente o que eu esperava nos vários anos que fiquei como número 1. Se alguém tivesse que me tirar de lá, teria que ser com uma temporada fantástica, com vitórias em grandes torneios, dominando o circuito. E é o que ele vem fazendo e merece totalmente isso" ( ROGER FEDERER)

"Acredito que se tornar número 1 é a maior glória que um tenista pode conseguir. O Nadal merecia já há alguns anos e o Federer o fez se tornar um tenista mais completo. Esta conquista é muito merecida e acho que ele tem capacidade de seguir neste posto por um longo período, pelo menos é o que vai tentar fazer" (GUGA - brasileiro ex-número um)

Só para constar: US OPEN começa exatamente um mês antes do meu aniversário e a ESPN vai transmitir. E essas fotos fazem parte do meu pequeno acervo deles.


* (desconsidero outras por motivos de irrelevância quando comparada a esta partida)

27 de julho de 2008

Sem mais lará-lará

Notícia: Rafael Nadal, além de ganhar o award de melhor jogador internacional no evento da ESPY 2008, enfrentou o alemão Nicolas Kiefer em Toronto na final do Rogers Master Series hoje e o venceu por 2 sets a 0.
Cada vez mais eu tô gostando desse espanhol - mesmo odiando por Wimbledon.
Além disso, teve a nossa carismática seleção de vôlei masculino que perdeu para a Rússia de 3 sets a 1. Uma pena, ao meu ver, mas antes perder na Liga do que nas Olimpíadas.
Aliás, falando nelas, meu querido Federer, meu menininho espanhol e o Djakovic estão nelas... além de praticamente todos os 70 primeiros na lista da ATP masculina. Se tudo ocorrer como eu espero que ocorra, nem vou dar meu parecer quanto a final de tênis em Pequim.

É, eu também sinto falta de escrever outras coisas, mas a minha vida tem girado em torno de tênis e academia, então, toda a minha inspiração e criatividade foram engolidas pelo ralo. A minha lista de livros para esse mês foi esquecida no armário e aquela idéia lunática de estudar literatura, geografia e história nesse mês dispersou-se.
Algo acontece comigo e eu não sei bem o que é. Novas idéias estão surgindo e outras vontades aflorando; além desse desejo louco - e que até agora se manteve sob controle - de jogar tudo para o alto e dizer dane-se para as minhas escolhas. Mas quantas pessoas eu decepcionaria caso cedesse a isso - além de mim mesma?
Sem mencionar o fato - egoísta, impossível, nada plausível e totalmente fora de órbita - de eu realmente querer começar a praticar tênis. E daí que o Roger começou com 6 anos assim como praticamente todos os outros?
Enfim...

24 de julho de 2008

You Must Know How to Cry

Quando se chora, expõe-se o lado mais destilado de si. Expõe-se a sua carne, a sua aurea. Sua verdadeira face, seus verdadeiros sentimentos. A sua fragilidade. Põe-se abaixo toda aquela camada de concreto que os anos impuseram, todas as barreiras que a própria consciência fez.
Derrubam-se os alicerces, os panos, as máscaros. O clichê mais humano e até o mais animalesco.
Derrubam-se as mentiras, as foratelezas, os falsos passos. E expõe-se o único eu - o ser mais frágil e mais vulnerável de todos, aquele que se apega a qualquer palavra de esperança ou a qualquer sorriso torto e mal feito. Qualquer ato de bondade camuflado, qualquer resquício de sinceridade.
Então, ao se chorar, deve-se saber como fazê-lo.
Derramar lágrimas sem corroer o reboque e conseguir discernir as verdadeiras palavras, os verdadeiros gestos.
Saiba como chorar.


O novo lado

O Mundo.

O que muda nele? A perspectiva ou a vontade? O desejo ou a decepção? Isso ou aquilo?
Você pratica. Você deseja. Você pode até conseguir alcançar. Falta tão pouco que você já o imagina entre os seus dedos, preso e sem capacidade alguma de escapar. Encarceirado.

Mas adivinhe?, ele não está lá. Ainda não, no entanto, sua ânsia foi tamanha que ele nunca mais estará ali perto. Agora é longe. Só longe. Lá - onde você não pode mais chegar.

Então o que muda? O Mundo ou você?
(Ou tudo continua como sempre esteve?).

14 de julho de 2008

JULHO

Vou falar de mim.

1º: Ok!, consegui superar a vitória do Rafa. Não foi fácil - apesar de já estar na hora.
2º: Não sei se quero sair de RC. Não sei se quero passar no vestibular já esse ano. Não sei.

Meu JULHO não poderia ter sido melhor. Acordar cedo, mal tomar café da manhã e correr para o clube, ficar lá até que meu estômago me obrigasse a voltar para casa e praticamente me teletransportar para o clube de novo.
Power Jump, Body Balance, basquete, ginástica, corridinhas, quadra de tênis. Sucos de laranja que causam mal estares estomacais em momentos indevidos, pular, pular, pular, banheiro, água, meis água, dois litros d'água... tem coisa melhor?
Voltar para casa só à noite, sem pressa, com o c* na mão porque está muito escuro e sua bola de basquete está deformando a mochila, professores dizendo que você praticamente é dona de um canto da sala, sem mesada nos próximos meses devido àquele tênis que você tanto cobiçou por meses. Suar, não saber de onde vem sua força para continuar num ritmo acelerado (quer dizer, saber você sabe, só não quer admitir), gritar até ficar rouca, bater palma com tanta força que sua mão fica roxa (sério!), gastar R$1,50 todo dia porque sua mãe acredita que suas garrafinhas de água não servem para mais nada depois de esvaziadas, chegar meia hora antes do horário para conseguir senha - e quando você chega atrasada e fica sem, a professora lhe manda pegar o jump de um outro professor lá na salinha que você não deveria entrar -, descobrir abdominais impraticáveis, descobrir que sim, sua perna pode deslizar com tranquilidade pelo taco (e, logo em seguida, que não tem dor maior do que daquele de um tendão bem esticado)...

Aiaiai... fazer exercício é tão bom.

9 de julho de 2008

Um Domingo

Essa imagem me deixou feliz.





Mas esta daqui estragou qualquer resquício de felicidade que eu possa ter sentido.


Wimbledon 2008 era para ter sido do Federer.
Mas o Rafa é guloso.

26 de junho de 2008

No Word




Era o tom de sua voz.
Não havia palavras - elas não importavam.
O problema era o tom de sua voz.
Era o som de sua voz.
Eu te beijei e você aceitou o beijo.
Eu te beijei e você se deixou beijar.
O beijo mais puro que já dei.
Sem emoção.
Sem calor.
Sem você.
O problema era o tom de sua voz - me dizendo enfim.




______________
Poeminha nascido dentro de ônibus
.
24/06/08

22 de junho de 2008

Os (A)Casos de uma Garotinha

A menina era um anjo
e o anjo virou menina.
Dois seres que se fundiram.
Uma alma que partira.

21 de junho de 2008

parenteses de House


Nessa quinta-feira passou o último episódio da quarta temporada de House. Foi o episódio mais arrepiante que eu ja vi.

Como um ser miserável e infeliz, que fazia pouco caso das outras pessoas e de seus sentimentos, poderia ter feito o que fez? Eu não sei. Talvez o ser humano esteja condicionado a amar.

House fez tudo o que ele pode pelo melhor amigo, Wilson. Mas, agora, tudo volta para House. Como será a quinta temporada que só vira para cá ano que vem? Wilson vai conseguir lembrar que House é seu melhor amigo? Vai conseguir desvincular a morte da namorada da imagem de House? E o caro sarcástico e infeliz médico? Como será sua vida agora, após ter posto a sua própria para dar ao melhor amigo o diagnóstico da namorada em hipotemia induzida?

Até aonde chega uma amizade?

Eu nem preciso dizer que chorei feito um bebê nesse episódio. Wilson me pareceu a coisa mais apertável do mundo e a Amber a mulher mais amável.

E o House chorou.

A Thirteen está doente.
E House chorou.
Entrou em coma. Mas chorou.
A quem não assistiu, assista.

19 de junho de 2008

Lentes (d)e Reflexos.


Olha-me nos olhos.
Você, pode. Eu; deixa. Uma hora você acerta, não se preocupe. A penumbra que limita é aquela que será o único vestígio de luz um dia. Um dia, dois... a eternidade. Tanto de lá para cá quanto de cá para lá. Nos itermediários, nos infinitos limitados.
Olha-me nos olhos.
Você, consegue. Eu, no espelho. A minha dificuldade não pode ser o seu impedimento - e nem seu desafio. Não há isso, nunca haverá. Não se iluda se acha que nada vê, porque você não sabe (o) que tudo vê - e, veja, estou a falar com você. E não há nada para ver a(qu)i.
Olha.
Estou apenas chamando. Não quero que você aprofunde tanto em algo sem pressão. Um lago sem água. Uma alma sem essência. O que você deseja eu não possuo. Nem sombra, nem luz. Somos dois, você não acha?, mas eu vejo só você e acho que somos um. Sua imagem condiz a minha expectativa e parece que tudo em você é mais que real que em mim tudo é.
Você, faz. Eu, permito.
Eu faço. Você, troca.
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Criar vergonha na cara, já ouviu falar?!
Pois é.

17 de junho de 2008

Sem textos. Só inspiração ...


Esse é o suíço Roger Federer. Tenista nº 1 do mundo.
O único a possuir vestimentas da Nike com um F estampado (e em seu tênis também).
Charmoso, tímido e simpático.

Puro Lorde.

Eis o espanhol Rafael Nadal. Tenista nº 2 do mundo.
Não viu graça? Dá ma olhadinha no braço do moço:

22 anos.

Esse é o sérvio Navok Djokovic. 3º no ranking mundial.
Ele é bonitinho, ajeitadinho...
...Super Engraçado
e Xavequeiro.

Só Carisma.

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O Tênis tem feito parte da minha preocupação como eu nunca achei que faria.
Acordei cedo no domingo só para ver o Federer ganhar o pentacampeonato no Torneio de Halle.
Não assiste ao Nadal ganhar no Torneio de Queen's porque não gostei dele ter ganho do Federer em Roland Garros.

A partir de então.

Ele tornou-se um homem perante a sua sociedade construindo seus valores ao redor daqueles que seu mestre lhe mostrava. Era um assíduo participante de suas discussões e até concordava com a revolta do mestre contra os sofistas.
A construção da lógica e dos argumentos, a maiútica como conseqüência mais adiante, tornando-se nome de algo que seria lembrado pelo resto da história. Tudo parecia linha e agulha, costurando e atando partes aparentemente soltas e sem associações.
Mas ele tinha um futuro - um caminho que seu pai traçara desde o dia em que nasceu. Deveria estudar retórica, aprender a arte da oratória e ser um senador da Assembléia, defendendo e articulando os interesses de sua postura social. Deveria agir como um patricius.
E não foi o que aconteceu.
Seu mestre fora condenado à morte por corromper jovens e insultar aos deuses. Seu mestre não tentou fugir. Seu mestre não tentou dissuadir aqueles que o julgavam - e não se deixou influenciar por aqueles que queriam que fugisse.
Seu mestre ficou.
E sorveu de cicuta.

O suficiente para mudar uma mente e fazê-la rebelar-se contra o seu futuro. Alguém morreu por sua filosofia - e ele fora mudado também. Patricius e de físico agradável - além da mente já moldada - foram o suficiente para que ele decidisse continuar aquilo que seu mestre pregou.
Platão decidiu pensar.

13 de junho de 2008

Carta Sem Asas.

Entregaram em tua casa a carta de um juramento de amor eterno. Uma única linha com garranchos bem corridos declarando, sem desvios, que jurava eternamente amar-te por condições possíveis e inexistentes.
E tu, pobre criatura, creditaste em cada letra junta.
Mas amar não é uma carta, não é uma escrita. Tão menos uma carta jogada - abandonada, esquecida, caída - no quintal de tua casa naquela maldita tarde que te deu todos os sonhos que sempre julgaras supéfulos, ilusórios, mediocres. E tu hoje vives numa ilusão. Não sabes qual, não sabes como, apenas que vives, nadas, afundas.
E imerges cada vez que relês a carta, cada vez que depositas tuas inergúmenas esperanças em garranchos estranhos. Tu nem ao menos conheces o remetente e já estás a cair de amores por ele.
Todos os dias estás a sorrir de orelha a outra sem dizeres o por quê. E não precisa; todos já bem sabem o tamanho de teu mundinho criado. E riem. E gargalham - alguns até sentem pena. E isso é o mais perto que terás de algum sentimento nobre.
Ninguém te ama. Ninguém te amou. Não há juramentos, não há verdades para ti. Essa foi a carta que perdeu o rumo em teu quintal, que juropu amores por alguém que nunca saberá o que isso realmente significante.
Tu não és a pessoa que recebe amores.

12 de junho de 2008

Gatos de Cores

Se ele pudesse escolher o que ver, com certeza escolheria aos gatos da esquina. Nao por serem fofos, nao por nunca se ausentarem dali, mas porque sempre saberia que eram branco e preto. Mesmo que a ordem mudasse, mesmo que eles trocassem de cor.
Sempre preto e branco.
A unica certeza que ele possuia dentro de si eram as cores dos gatos. Nao importava o que eram, pois eles possuiam as unicas cores que ele conseguia distinguir. O preto. E o branco. Nenhuma outra, nemhuma qualquer. Todas as outras misturavam-se e nunca o eram em sua essencia. O vermelho era marrom e o marrom nao era vermelho.
Na verdade, tudo era cinza - e isso nao era agradavel. Nada era oq ue parecia ser, nada exalava os tons de cores que ele aprendia na escola. As papoulas nao eram vermelho-alaranjadas e as margaridas nao tinham o miolos amarelos.
Nem no mundo, nem nos sonhos. So os gatos.
Por isso que ele tanto amava o preto e o branco.
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Mais uma para a colecao coisas que deveria ter escrito

OBS: TECLADO DESCONFIGURADO. SEM ACENTOS E AFINS.

7 de junho de 2008

Uma Tarde e Nada Mais.


We are still innocent.


Por quanto tempo ele havia se perguntado por que não tinham dado certo? Quanto tempo ele gastou imaginando como seria tê-la perto de si sem culpa?... Não, ele não sabe. Não contou. Não quis contar - seria desesperador se se atrevesse a descobrir quantos minutos de sua vida gastara com aquela idéia louca.
E então viriam as horas, os dias, meses - e todas as lembranças daquele ano.
Mas ele ri porque foi cético - ou muito crente. Quando todos procuram por sentimentos e repulsam os desejos da carne, ela repulsava os sentimetos e só entendia de luxúria. Foi o pouco caso que fizera dele que o atraiu. Foi a conevrsa, as risadas e o olhar alheio que o fizeram criar coragem para ousar.
Ele não é assim. Mas foi por uma noite - dia, manhã, tarde e noite. E ela continuou fazendo pouco caso, não se imortando, não se aproximando.
Quando todos querem amor, ela ansiava por sensação.
Ele foi apenas uma sensação - e ri ao se lembrar que achou ser amor.

4 de junho de 2008

O QUE ANTES EU NÃO SENTIA


Dor não era exatamente o que ele esperava sentir quando todos partiram. Dor, até aquele momento, era algo que ele achava que conhecia bem - e que agora percebera ser muito maior do que imaginava.

E aquela dor talvez jamais passasse.

Ele sentia dor. Sentia saudade. Falta. E, agora, sentia-se irredutível. Sem amigos, sem namorado, sem família.

Olhou mais uma vez o túmulo do amigo e todas aquelas palavras bonitas que ensaiara se perderam. Nada de obrigado, sentirei sua falta ou descanse em paz.

- Desculpe.

Um vento gelado bateu contra si, mas ele não podia sentir mais nada - sua dor era maior que o externo.

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Você acha que é fácil intensificar um sentimento em poucas palavras? Acha fácil imaginar algo que nunca sentiu? É por isso que o torna brilhante.

3 de junho de 2008

1º do Singular versus 2ª.



Eu deveria adorar-te, deveria venerar-te. Deveria até apenas gostar-te, não consigo. Há um impasse entre o meu querer e o meu dever, um vazio infinito entre o que penso e o que faço. Há uma lacuna - e tu não te encontras nela.
Não somos acessíveis exatamente por tu gastares palavras enquanto eu as resguardo. Tu acreditas ser uma penumbra quando bem sei que és uma luz - bruxuleante, mas o és.
Fraca, opaca... mas ainda o és.
Tu deverias me venerar, deverias pôr-me em um pedestal e ornar-me com flores e cantos. Deve ter-me em seu centro para compreender a tua essência. Egoísmo, meu caro? Não. Alienação. - Não de mim para ti, mas o inverso.
Ou há engano. E quem se engana quando ambos não seguem a receita? Somos dois castos lutando contra a proibição. A proibição? Dever. Tu não queres confessar, e eu ratificar; porém, a gente não se nega.
E a gente não tem mutualidade. E a gente não pode se completar.
Venere-me.

30 de maio de 2008

Percepção

A questão, no final, é simples: nenhuma palavra é posta ou usada apenas de enfeite. A cada uma proclamada, há uma intenção. Então, como ter conhecimento das lacunas dos dizeres?
Aí já é outra cousa...

28 de maio de 2008

Meu Respeito por Você

Eu me lembro de você. Lembro daquelas tantas vezes que eu quis afundar meus olhos aos seus e tentar entender a sua complexidade, tentar ver o que você via. Mas eu simplesmente não podia.
Seu quê enigmático sempre ressaltou em mim profundezas terrenas que eu não sabia, algo que sempre existira dentro de mim que eu nunca via. E você despertava quando não me olhava, quando não me falava. Apenas o fazia por livre vontade, sem realmente desejar, sem realmente se importar.
Nunca liguei para o breve fato de não conseguir antevir os seus dizeres; eles balançavam minhas bases, fazendo-me repensar no já decidido. Você era capaz de me fazer agir de uma forma mais sensata, mas centrada. E nunca entendi o por quê.
Não era para você ter essa influência sobre o mim. Eu era exata, lembra-se? Eu era serena. E você mexeu comigo, mexeu com algo que não explodia há muito tempo. Não falo de amor, não falo de paixão, tão menos é carinho ou admiração. Isso que tremeu dentro de mim por você é respeito.
Respeito pela capacidade de fazer sem saber. Repeito pela modestia em que nunca acreditei. Respeito pelo tom de voz que usava para asneiras ou repreensões, sempre o mesmo tom interpretado de diversas maneiras. Eu só queria entender como você fazia para ver coisas tão límpidas e tão turvas para todos os olhos.
Você sempre via sem realmente saber o que... E eu sempre tive medo de você, medo de arrebentar aquela fina linha de raciocínio que você construía ao me dizer as coisas sem querer. Sempre tive medo de romper sua mente, suas palavras, medo de ferí-las com interrupções bobas. O medo que se misturou ao respeito e perdeu-se entre a sensação que enganara tantas vezes, mas eu não me enganei ao respeitá-lo. Não o enganei com o receio.
Era tudo uma questão de respeito.

25 de maio de 2008

Domingo

Dia 25 de maio de 2008.
Fato: Bruna Vollet quer escrever.
Problema: Ela está sem inspiração.
Agravante: Ela necessita fazê-lo.
Possíveis conseqüências: dores muito intensas de cabeça. Falta de concentração. Inquietude. Mau-humor. Incômodo.
Resultado: hoje não será um bom dia.

21 de maio de 2008

Uma Questão de Intepretação.

A deliciosa parte de entrar em devaneio e não saber o exato momento de sair é exatamente quando o devaneio entra na realidade e não faz questão de sair.

As verdades de alguém

Quando as folhas caem no outuno, sabes o que eu imagino? Eu te imagino. E tu sabes como isso é doloroso, ver-te apenas em lembranças borradas pela tua indiferença e pela minha estratégica necessidade de ter-te por perto? Na verdade, é confortante no final.
Desculpe a quebra de expectativa, mas a verdade nem sempre é racional. Achei, depois desse tempo todo, uma maneira segura de encontrar-te sem me perfurar com indecentes dentes rasgantes de flor de pele.
Sei que estás a corroer-te por dentro para entender o porquê de folhas outunais e vou dizer-te. Não há motivos para esconder isso de ti. Tu mereces tal conhecimento, quem sabe assim não sintas metade da pressão que eu me impus?
Folhas de outuno são secas e sem vida. Amarelas e laranjas. E caem... sempre... e não voltam para a árvore. Uma metáfora interessante, hã? Tu, uma folha, e eu uma árvore. Ou eu todas as folhas, e ti sempre a árvore...
E isso é um conforto para mim. Tu nunca estiveste ao meu lado por tua parte de fato; era eu quem tinha de buscar-te, quem tinha de estar por perto para tu sentires a minha presença. E, Deus!, como a tua presença física era-me esfatiosa e ao mesmo tempo enervante. Doía assim como agradava.
Tu costumavas a ser um paradoxo para mim. Uma verdadeira personificação da dialética; tua tese e tua antítese. Ser e não-ser, sendo e não sendo, nunca podendo. Porém, tu nunca - nunca - se contradisseste em seus atos.
Eu era o errado ali, certo? Não era para tu estares ao meu lado. Eu te obrigava a isso. Eu impunha. Mas eu necessitava, lembras-te? Era algo que a minha alma clamava aos berros dentro de minha cabeça, consumindo-me em qualquer ponto de vista e atenção que eu pudesse dedicar a outra coisa. Não que tu sejas algo, pois foste a parte mais humana que tive em mim, mas, mesmo assim...
Quando as folhas caem no outono, imagino-te - e é a fantasia mais anuveada concretizada que não me doe.

19 de maio de 2008

Energia sem J/s


É uma energia poderosa que nasce nos resquíncios da mente e consagra-se numa potencialidade estrondosa, que ganha proporções infindáveis. Essa é a capacidade de uma mente que vive para um fim: criação. No entanto, de toda a criação feita, a porcentagem de aproveitamento é baixa, quase remota. Isso aplica-se à falta de oportunidade de viver disso - e não é fácil estar sob essa condição. Isso machuca, pesa e corroe.
O desentendimento com os demais seres confere-se pela falta de conhecimento, pois a população que carregada, de uma forma bem chucra de se nomear, essa maldição não possui escolha. Ou cede ou se atormenta.
E não há outras opções.
É um fardo pesado que dá prazer, uma pequena possibilidade de extração de imagens sobre papel. O difícil é conseguir manipular o potencial, porque em muitos casos há exagero de afobação e, como resultado, decepção. É necessário aprender a conciliar, mas nem sempre é possível. Em algum momento, vai escapar das forças do controle e vai explodir em dimensões imensuráveis.
Acredite, isso acontece com mais freqüência do que o controle.
O controle é um pano de fundo para a saturação; é apenas feito para mostrar o apaziguamento interno - mesmo que ele não exista. E ele nunca existe; mas camufla muito bem a pressão.
Quem pensa não sabe exatamente o que pensa, mas quem pensa e cria sabe exatamente o que está pensando - sem querer buscar pelos por quês - e o quanto isso atordoa.
A mente tem energia e para poucas pessoas essa energia flui.

À nossa Hipocrisia

A diferença, meu caro amigo, é que eu ainda tenho a paciência de abaixar a cabeça e chorar. Você pode até achar isso ridiculamente escraxado, mas eu lho digo que é apenas uma atitude hipócrita.
E dou risada depois.
Sozinho. No escuro - mas sou eu quem ri.
Você não ri. Você não enxerga. Um cego perambulando pela vida.

18 de maio de 2008

Cara ou Coroa?

Cara ou coroa? Que lado você escolhe? Aposta na rotação de uma moeda no ar, impulsionada pela força de dedos para adiquirir tal movimento, a sua sorte? O seu direito de decisão?
Então responda: cara ou coroa? Porque você já sabe que caminho tomar, o que vai querer. Só está na eminência da esperança de ver o outro sorrir em triunfo próprio, como se ele dependesse daquela moeda. Mas os seus pensamentos não se baseiam em moedas, não se baseiam em probabilidades.
Cinqüênta por cento de uma chance de ser cara ou coroa em uma moeda não é nada quando se tem cem porcento de certeza. Responda se cara ou se coroa por diversão e não se esqueça de gravar bem o sorriso do outro se ele apostou a liberdade da razão humana em um objeto de metal.
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Só para constar: mães são sábias.

17 de maio de 2008

Eu vejo Flores

Ok, eu confesso: flores nascem no jardim todos os dias. Mas não adianta me culpar por não enchergá-las porque bem sei que você também não as vê.
Então, sugiro que não culpe o que meus olhos fitam - e aprenda a fincar os seus em algo que você queira ver. O que eu vejo não é bem o que você almeja.
Perceba que você é um lobo e não é porque eu sou um cordeiro que não sei correr e me esquivar de você. Pois a realidade é exatamente o contrário. Você está atraído pela minha penugem branca e enroladinha e eu sei que vou encurralá-lo quando você necessitar me tocar. E você já precisa, porque não aguentar assistir à minha desdenha pelas flores.
Na verdade, você não se importa com as flores, apenas quer encontrar lago para me criticar. Não o culpo por isso. É mais fácil encontrar falhas do que aceitar que o outro possue perfeições - não que eu realmente as tenha, mas o que faço é perfeito para você, certo?
É, meu caro, as flores nascem todos os dias em todos os jardins.

16 de maio de 2008

fato: você admira meia dúzia de pessoas.
fato 2: você descobre que quem você admira não é exatamente quem você gostaria de admirar.
fato 3: e você nem sabe o porquê.

15 de maio de 2008

Lobos e Cordeiros

Sempre há um lobo entre os cordeiros.
Mas um lobo entre o cordeiros não sabe que ele é um lobo entre cordeiros, porque tudo o que ele vê são cordeiros. Ele não entende que ali, naquele meio, ele é o predador - e ele se reprime quando sente vontades que ele julga errôneas.
Um lobo entre os cordeiros não compreende que essas vontades é o mais natural que ele chega de si mesmo - e que estar entre cordeiros é o ato mais continuamente repulsivo que ele pratica.
Dias após dia.
Um lobo entre cordeiros é apenas o cordeiro que não entende o motivo de seu pêlo ser cinza e não branco.


Livros que vou ler

Twilight é uma série de não-sei-quantos livros que COM TODA CERTEZA eu vou ler. O primeiro livro, Crepúsculo, está em meados do término. 65 páginas que posso perfeitamente matar em uma hora e meia.

Se você sonha com um homem cavalheiro típico do começo do século XX, você precisa conhecer Edward Cullen.
















Eu juro que leio a triologia do Bernard Cornwell e, de quebra, consigo O Arqueiro e mais dois seguidos.



Eu juro que leio o último livro da saga Brumas de Avalon. Não li três dos quatro livros para não saber o que diabos acontece com Morgana e seu filho.










O Vendedor de Histórias
foi um achado em um sebo pequeno na Grande São Paulo. Quando o vi, apaixonei-me (talvez pelo título). Estou na metade dele, mas ainda falta muito. Ele é curto e intenso, quase parte de um desejo íntimo meu.
(E, em off, confesso que sinto um pouco de inveja desse cara - da personagem, não do autor)






Claro que tinha de ter um do Machado de Assis na minha lista, né?! Eu já comecei a lê-lo antes de conseguir Twilight, e ele é particularmente bem curtinho. Vou terminá-lo em alguma aula de matemática qualquer - mesmo achando aquela Guiomar uma irredutível sem coração.







Mas tudo isso, claro, sem mecionar os outros tantos que já estão a começar a criar pó no meu armário. O Julgamento de Sócrates, Carandiru, A Menina dos Laranjais, A Viagem de Theo, A Sombra do Vento, Descartes, Platão e Aristóteles (esses três sendo da minha professora de história - obrigada, Dani, por deixá-lo por tempo imensurável comigo), Servidão Humana, Luciola, Dom Juan, Quando Nitchzen Chorou e o meu querido O Mundo de Sofia - que já está quase me deserdando.
Bem, são esses até que eu pise em numa livraria de novo.

Alguém deve estar a se perguntar por que essa garota quer ler tanto?! Na verdade, a resposta é mais simples do que parece. Além da minha necessidade de criação, eu quero ampliar meu vocabulário para não cair mais naqueles momentos ímpares de intrave mental por falta de palavra para expressar-me. Quem escreve sabe do que estou falando.
Este será, talvez, o último ano em que poderei desfrutar um pouquinho de uma agenda flexível, então decidi que vou ler tudo o que conseguir. Porém, criei um impasse na minha vida de dezessete anos.

14 de maio de 2008

Uma Pequena Confissão.

À noite é a pior hora. O pior momento para organizar os pensamentos. Eles sempre escorregam por um funil, concentrando-se em demasia em um único e mísero ponto. Será que as marteladas constantes e, até então, complacentes são apenas isso; um ínfimo ponto da vida?
É dífícil, sabe-se que é, mas não há como negar. No fim, tudo é apenas mais um ponto. Pontos que não se ligam, que não se indireitam. Pontos sem área, sem superfície, sem temperatura. Isso é existir? Eles pertecem a alguém? Eles são passíveis de serem posse de alguma coisa?
À noite, eles ajuntam-se e viram uma "coisa" só. Resumem-se e tudo confunde-se. O que antes era sensato mistura-se ao errado, o já certo abraça o duvidoso. E o que era bom não consegue impregnar sua essência no ruim; é sempre o contrário... Tudo amuado.
À noite, é a pior hora.

13 de maio de 2008

Do you want to know a secret?

Vontades pulsantes que surgem do nada.
Estórias mirabolantes complexas demais para serem escritas.
Impulso.
Não, não é um poema.
Não é uma poesia.
Não é nada que possa ter um designio de produção.
É apenas um segredo.
Eu tenho várias idéias - e muitas eu descarto.
Tenho de fazer alguma coisa, criar uma outra realidade
e ali viver.
Eis o meu segredo:
Sou um contador de estórias.
"Somos dois desgraçados,
mas eu faço valer
o que eu quero que se vala.
E eu quero que se vala a noite perante o dia."


Ele fitou-a e ela sorriu, com os dentes brancos, saltantes, pulsantes.

12 de maio de 2008

Seus olhos eram grandes e um tanto desproporcionais para seu rosto. E mesmo que eles ostentassem duas íris de extremo azul celeste, ninguém se importava se ela estava ou não ali.
Na verdade, ela era estranha.
Não conseguia ser um destaque em absolutamente nada e vivia a não prestar atenção em nenhuma aula. Enquanto para muitos o colégio era a única realidade existente, ela possuía uma particular - uma que ninguém podia entender.
Eram raros os momentos em que mantinha os dois olhos esbugalhos presos à lousa, porque, na maioria, vivia por escrever com discrição naquele caderninho cor-de-rosa que mantinha dentro da bolsa. A maioria dos alunos riam desse seu comportamento alheio - e alguns até ousavam julgá-lo como desdém.
Nenhum professor realmente se importava com a presença dela e suas dúvidas não eram boas e suas perguntas não eram interessante. Era sempe um "não entendi" ou "mas por que é assim mesmo?". Ela era exatamente o que denominavam de aluno não interessante. Mas, sinceramente, a garota também não ligava para isso. Em sua cabeça continham muitas coisas a fazer para dar qualquer atenção ao que os outros faziam.
Uma vez, para o trabalho de grupo, reuniram-se na casa dela. Uma casa engraçada, uma vez que a menina parecia ter uma biblioteca e não um lar. O pai era um livre docente pesquisador e a mãe uma sensata doutora em advogacia. E o que ela era? Apenas um aluna, dizia.
Ela não tinha conhecimento, mas os professores, quando falavam sobre os alunos, utilizavam de codenomes como estranha ou aquela que senta no canto da primeira fileira para referirem-se a ela. Eles não coseguiam compreender o que ela tanto escrevia enquanto suas notas decaíam quase que em uma velocidade exponencial.
E foi em meados a tanta curiosidade que um - apenas um - criou coragem para aproximar-se e perguntar a ela o que tanto escrevia. A garota apenas sorriu, cobrindo as tantas folhas rabiscadas com os braços, e respondeu que eram apenas pensamentos. O professor sorriu por educação e julgou aquilo um ato infantil, afinal, ela já tinha dezessete anos para ainda manter um diário.
A notícia espalhou-se pelo corpo docente e, não se soube se por querer ou não, a conclusão do corajoso professor chegou às rodinhas dos alunos e a garota estranha ganhou o apelido de bebê.
Só que ela continuou não se importando...
Foi no meio do ano que tudo mudou. Ela não era mais estranha. Não era mais uma aluna medíocre. E não possuía um diário.
Foi no meio do ano que foi anunciado para todos que uma das empresas mais ricas do mundo iria patrocinar uma garota em sua publicação de seu primeiro livro, que seria escrito durante um nada breve tour pela Europa. E essa garota era a estranha.
Ela falava inglês, francês, italiano, alemão, russo e entendia um pouco de japonês. Conhecia muito da história da maioria dos países europeus e de muitos costumes. Já lera vários livros em diversos idiomas e seus cabelos não eram ensebados como julgavam.
Só então a estranha percebeu que deveria ter se importado com os outros só para notar a nítida diferença entre verdades e hipocrisias. E julgava que todos eram hipócritas.
No final do ano, seu livro saiu, e na noite de autógrafos em seu país, em sua cidade, aqueles que tanto debocharam da sua cara estavam lá. Mas ela só assinou o livro do professor que perguntou a ela sobre o caderno.
O nome do livro? Caderno cor-de-rosa.

11 de maio de 2008

Algumas meias verdades

Você quer que eu seja sincero? Então serei: eu não a amo. Não posso amá-la. Esse sentimento não me pertence, não me é viável.
Eu julguei amá-la no começo, pois acreditei realmente que você tinha mudado essa condição em mim. Foi um doce momento ilusório que eu vivi, talvez pela ânsia de que você fosse realmente capaz de fazer algo assim, mas isso é um ato grande e ninguém é grandioso o bastante para mudar uma essência. Esta é a minha essência: não poder amar.
O que fiz foi repetir constantemente uma mentira até o ponto em que ela se tornasse uma verdade. E ela nunca o foi e acho que não a repeti o suficiente. "Eu a amo". "Eu a amo". "Eu a amo"... Era-me um mantra que nunca me apazigou.
Meus sentimentos não foram em um todo uma farça. Por alguns instante eu cheguei a importar-me com você. É verdade, eu lho digo sem peso na razão. Mas importar não é o que você esperava, não é mesmo? Eu não a culpo. Fomos dois principiantes um com o outro, julgando entender os motivos e já conhecer as conseqüências.
Caminhamos juntos por inércia e afastamo-nos por repulsão de cargas.
Era isso o que éramos. Forças físicas. E é isso o que não somos mais.
Desculpe, eu nunca a amei.

7 de maio de 2008

Não sou fã de correntes, mas eu adoro responder coisas.

EU:
• Eu tenho: algumas coisas que minha mãe sempre diz estarem fora do lugar (não quero entrar nessa discussão)
• Eu desejo: viajar para Europa, escrever um romance por lá e morrer em Paris.
• Eu odeio: Arrogância e a minha timidez.
• Eu escuto: grilos.
• Eu tenho medo: de agulha, de dentista e de fantasma.
• Eu não estou: sem dor de cabeça.
• Eu choro: quando bem entendo, pô.
• Eu perco: uma aula por um belo sono.
• Eu preciso: aprender que exatas são importante.
• Eu devo: aprender que sou limitada.
• Me dói: agulhas dentro de mim.

SIM OU NÃO:
• Tem um diário? Defina diário.
• Gosta de cozinhar? Definitivamente não.
• Gosta de tempestades? Às vezes.
• Há algum segredo que você não tenha contado a ninguém? Ahan.
• Põe seu relógio uns minutos adiantados? Não. Eu continuo a dormir mesmo com ele despertamdo.
• Acredita no amor? Sim.
• Toma banho todos os dias? Sim.
• Quer casar? Pretendo.

QUEM/QUAL É:
• A pessoa mais estranha: aquela do espelho - ela em olha de um jeito estranho.
• A pessoa mais chata: meu irmão.
• A pessoa que te conhece melhor: eu.
• O professor mais chato: devo listar?
• A frase que mais usa no msn: oi, tudo supimpa?
• Sua(s) banda(s) favorita(s): u2, o teatro mágico.
• Seu maior desejo: me dar nove dias sem dormir com um notebook.

ALGUM DIA PODERIA:
• Comer uma lagarta? Jamais!!!!
• Matar alguem? Apesar e ser uma fã incondicional do Jack, o estripador, acredito que não.
• Saltar de paraquedas? AHAN!!!.
• Cantar em um karaokê? Não.
• Fazer strip-tease? Depois de uns três litros de Vodka destilada, quem sabe (apesar de acreditar que no primeiro meio litro já estaria dormindo)
• Ser vegetariano? EU jÁ Sou, BABY!!!
• Roubar uma loja? Se for uma livraria...
• Se maquiar em publico? Tranqüilo.

SE FOSSE:
Se eu fosse um mês seria: setembro.
Se eu fosse um dia da semana seria: quinta-feira.
Se eu fosse um número seria: cinco.
Se eu fosse um planeta seria: Saturno.
Se eu fosse uma direção seria: norte.
Se eu fosse um móvel seria: cama.
Se eu fosse um líquido seria: suco de cenoura com beterraba.
Se eu fosse um pecado seria: preguiça (ops! já sou).
Se eu fosse uma pedra seria: rocha do litoral.
Se eu fosse um metal seria: mercúrio.
Se eu fosse uma árvore seria: árvore de cerejeira.
Se eu fosse uma fruta seria: goiaba.
Se eu fosse uma flor seria: sakura!!!
Se eu fosse um clima seria: ameno.
Se eu fosse um instrumento musical seria: piano.
Se eu fosse um elemento seria: ar.
Se eu fosse uma cor seria: branco.
Se eu fosse um animal seria: um porquinho filhote.
Se eu fosse um som seria: do piano.
Se eu fosse uma letra de música seria: palavras, o teatro mágico.
Se eu fosse uma canção seria: sometimes you can't make it on your own, u2
Se eu fosse um perfume seria: J'adore.
Se eu fosse um sentimento seria: alegria.
Se eu fosse um livro seria: A Menina que Roubava Livros, Marcos Zusak.
Se eu fosse um personagem de livros seria: Lord Henry, O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Se eu fosse uma comida seria: uma soja.
Se eu fosse um lugar (cidade) seria: Paris ou Atenas.
Se eu fosse um gosto seria: amargo 60% cacau.
Se eu fosse um cheiro seria: café.
Se eu fosse uma palavra seria: paradoxo.
Se eu fosse um verbo seria: criar.
Se eu fosse um objeto seria: caneta.
Se eu fosse um desenho animado seria: Coiote.
Se eu fosse um filme seria: Moulin Rouge.
Se eu fosse um personagem da TV seria: Gregory House.
Se eu fosse uma roupa seria: uma calça jeans.
Se eu fosse uma parte do corpo seria: os pés.
Se eu fosse uma expressão seria: um olhar arregalado.
Se eu fosse uma forma seria: uma onda.
Se eu fosse uma estação seria:
primavera.
Se eu fosse uma frase seria: "Descrever-se é limitar-se" Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray.

Uma fábula para Você

Eis o que eu queria contar.
A cigarra não tinha um futuro bem definido, mas o que importava? Não era para viver o presente? De que adiantava as linhas tracejadas em seu caminho se, no final daquele caminho, somente a carcaça sobraria? Mas ela tinha um sonho: conseguir mudar tudo isso.
O louva-Deus que surgiu em sua vida não era de verdade. Ele era fruto de sua imaginação, mas ela o aceitou bem mesmo achando ser louca e ter perdido os poucos resquícios de sanidade que a vida conseguira lhe poupar.
Ele possuía em si uma postura inquisitora do século XV e a essência das tão famosas guerras santas. E tudo o que ele queria era purificar a pobre cigarra. Mas ela era cega para ajudas e não conseguia entender que algo estava errado. A questão não era viver o agora, mas viver sem sonhos.
"Cigarra, querida...". Ela já conhecia o discurso, as metáforas a serem usadas e o final. Não mudava e talvez fosse por isso que não o ouvia. A repetição da ordem a incomodava.
"Você fala para eu mudar, mas você mesmo não consegue fazê-lo". Foi seu ápice, sua libertação. O louva-Deus apenas sumira dos olhos da cigarra, mas voltava todas as noites, em seus sonhos, para lembrá-la que os antigos já haviam dito que o presente nunca existira. Seria o término do passado e já o começo do futuro.
Mas a cigarra não se importava - muito pelo contrário, aquilo só lhe dava mais argumentos para dizer que então possuía um futuro.

1 de maio de 2008

Abstração

O mesmo erro de antes. Hoje ele é repetitivo e tachado como clichê em minha vida, mas na primeira vez ele era inédito e todos diziam-me que era perdoável. E até aceitável. Mas hoje, ele é repugnante - e todos repulsam o prólogo dessa história.

Tornei-me alguém além das expectativas, alguém além das previsões. Fiz de mim uma abstração e perdi meu corpo para o inexistente. Adjetivos não existem. Claro que agora dou risada disso e acho tudo uma grande tolice - quase ingenuidade. Mas o certo depende de cada um, não é? Depende da razão, daquilo que se julga bom para si e para os outros, não é?! Ou seria algo inerente ao homem?! Bem, se fosse, eu teria interceptado-me.

Fui inocente até quando já conhecia os motivos, mas, por favor, me entenda: eu tinha um legado para manter, uma fama para estruturar e um desejo para alimentar. Eu tive medo. Tive desespero. Quando ele surgiu, todos os meus alicerces tremeram, rachando a minha estrutura. Tudo poderia desabar nesse mundo, menos isso - a única coisa que me sustentava e que eu deixava me sustentar.

Eu repeti por dias a fio o mesmo erro: eu alimentei a minha inveja e corroí as ponderações. Fui juvenil desde a descoberta até a execução. Fui um trouxa qualquer lutando por razões quaisquer e gritando por palavras inúteis que ninguém escutaria. E ninguém escutou. Ninguém soube interpretar os meus olhares, a minha acidez. Ninguém chegou aos meus pés quando fora necessário e possível - por isso, ninguém pôde interceptar.

Todos julgaram algo natural e involutivo. Estável. E eu deixei-me enganar por essa visão. A culpa não é minha, porque não houve alguém capaz de ter o meu brilhantismo para me deter. Nem mesmo ele, que se julgava meu amigo. É claro que eu nunca me deixei influenciar pelas palavras que ele me dizia, porque elas eram tão irreais quanto a sua excelência.

Sim, ele não possuía absolutamente nada que o destacasse, porque todas as suas virtudes eu já possuía. Tudo o que ele era, eu o fui antes. E, um dia, ele teria a mesma ruína que a minha - e teve, mas não por conta própria. Ah!, nem mesmo isso ele pode fazer sozinho, nem mesmo se arruinar. Incapacitado. Eu o chamaria assim, com essas letras, porque assim o era.

Nada podia fazer sozinho, e eu fui obrigado a ajudá-lo. Eu tive de fazer isso para provar que a mediocridade a todos pertence, mas o que torna alguém distinto é o que só este pode fazer. Ele nada fazia e eu tive de fazer por ele, pô-lo no verdadeiro lugar que deveria ficar. No segundo patamar enquanto eu poderia acariciar seus cabelos em cima do primeiro.

Não tive culpa; apenas fui solidário. Ele não aprenderia sozinho. Ele nunca aprendia sozinho. Era um medíocre. Todos são. Eu era fulgurante, sempre possui o diferencial, o destaque. Enquanto todos brilhavam em azul, eu iluminava-me em vermelho. E ele apenas brilhava em uma cor similar a minha, mas nunca poderia sê-la. Compreende?

O mesmo erro que no começo era inédito. O que posso mais dizer? Eu não encostei um único dedo nele. Eu abstraí-me. Eu não possuía formas físicas mais. Tentei ajudá-lo da mesma forma que desejei destruí-lo.

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Acho que, por enquanto, isso é apenas uma idéia. Mas um dia será mais.
E antes que perguntem o porque de estar em pernilongo, explico-me dizendo que isso vem fazendo parte do meu cotidiano por longos dias.

30 de abril de 2008

As cores de todas as cores

Ela queria uma cor; uma única cor que pudesse se destacar diante das outras, roubando a visão e chamando atenção. Uma cor que rimasse com os "as" e com os "is", que fosse mais que um reflexo, mais que uma diatância. Um tom diferente que significasse mais que uma luz, mais que um efeito.
Uma simples cor que não fosse de efeito físico.
O que na verdade ela ansiava era pela cor que pudesse realmente se identificar com o que a repulsou, que tivesse, em sua íntegra, alguma significação que a tornasse única. Ela apenas esperava pela parede de cor sem nome, pela repetição antes não percebida. Ou apenas uma refração que fosse etérea.
Ela queria ver uma coisa que seus olhos não pudessem se enganar, que suas mãos pudessem mais que tocar. Tudo o que ela queria era ver. Talvez possuir, talvez guardá-la dentro de si. Protegê-la. Uma cor que fosse de algo porque este queria tê-la para si, para ser identificado por ela - e que até exalasse o odor dela.
Que fosse azul. Que fosse rosa. Que fosse amarelo. Que fosse a cor dos olhos nunca vistos. Ela queria uma cor, mas que jamais fosse o preto que não a permitia ver.

Metáforas para o Sol.

O Sol é essencial em certas tardes - principalmente naquelas em que a janela engana os olhos com os seus vidros, permitindo que os orbes possam deliciarem-se com a imagem lá de fora, tão falsa aqui dentro.
E era o que ele pensava, o que ele sentia. Buscava naquela ilusão o equívoco de seus sentidos, acreditando que o que via em nada existia. Nunca existiria... tudo o enganava. Tudo era abstrato e inalienável para si. Quando chegaria o momento? Em breve teria de vê-la, teria de tê-la, aos beijos e pontas entre seus braços, enganando-o sucessivamente, arduamente, congelando-o com suas máscaras.
Mas ela era sol. Ela era luz. Podia em seu singular fazer todas aquelas coisas com ele, podia matá-lo afogado sem água, sufocá-lo com ar ou apenas envenená-lo com um encostar de lábios. Era a faceta que ele queria; as conseqüências seriam ínfimas diante da momentânea felicidade que receberia. E ela prescreveria todos os atos dele, declarando, aos silêncios, que o conhecia e que o mataria por não saber evitar.
Tinha perfeita ciência que seu corpo roubava a vitalidade dele, mas seu coração simplesmente necessitava de seu abraço e calor. A malévola sina do não-amar alguém que podia retirar de seu ímpeto a surrealidade das palavras bonitas. No fim, ele amaria mais um código de expressão do que o batom borrado após um beijo.
E ela roubar-lhe-ia a vida sem realmente querer.
O sol invade a sala sem realmente saber o que há ali, mas ele entra, espalha-se e sempre volta.

26 de abril de 2008

Decepção Estudantil

Após várias quintas-feiras ouvindo a um professor de Geografia falar sobre notícias da semana e, de quebra, pedidos para que os alunos leiam os jornais, tudo o que estes nunca poderiam fazer é sofrer uma decepção.
E é isso o que eu senti hoje após o meu professor ter dito que descobriu onde o Padre dos Balões (matérias muito interessante sobre ele aqui em "vagalume", no cantinho direito inferior ali do lado) estava: na ilha do Lost.
Agora eu sei onde saem as notícias da semana, professor.*

Saiu no site do Kibe Loco que o site é o primeiro no ranking de blog visitados por universitários brasileiros... Depois da minha descoberta, acho que não somente universitários.

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Foto retirada do site Kibe Loco.
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Nome do professor retirado por segurança do corpo e alma do dono deste blog.

Tango à Noite

Já era tarde - muito tarde - e eu ainda não havia dormido. Havia tentado, mas não conseguido. Um fato ignóbil para os outros, mas, para mim, uma ânsia. Há tempos que eu não dormia, pelo menos não da forma que me convinha. Eu simplesmente não podia me desconectar.

E naquela noite, nem conseguia fechar os olhos. E nem sonhar.

Naquela tarde tinha obtido o meu mais novo objeto de desejo: um caderno; um lindo caderno de capa cor-de-rosa e de dimensões pequenas (como deveria de ser). Ele poderia passar despercebido pelos olhares alheios e, ainda, ser carregado para todos os lugares. O caderno era perfeito se não fosse por um engano meu: com o que preenchê-lo?

As idéias surgiam a cada piscada. Poderia ser com frases que encontrava pelos livros e não tinha onde anotar, ou, talvez, com coisas que surgiam dentro de mim mesma. E essas idéias em muito me instigavam - mas não me cessariam. Aquele caderno deveria ser mais, algo além da importância que eu o denotaria - além da importância que ele merecia.

Ele deveria ser um segredo.

Engoli em seco, dedilhando o amassado do lençol sob as cobertas. Não estava frio, mas as expectativas de minha mente tornam o ambiente gélido. Sempre era assim quando eu me encontrava naquele estado de aflição. (E se alguém descobrisse que eu me rendi ao caderno? E se meus pais desconfiassem que eu não conseguia dormir porque tinha aquela dúvida cruel impregnada em mim? Por que diabos isso tanto me incomodava?).

Duas e triste e sete; o celular acusava para mim. Eu tinha de dormir, tinha aula no outro, tinha de manter os olhos abertos... mas eu sempre soube que meus olhos nunca ficariam tão abertos como estavam naquela madrugada. Eu precisava preencher aquele caderno com coisas minhas e dele. Algo que nos tornassem íntimos mesmo que ele pudesse ser visível para os olhares das outras pessoas. Mesmo que essa idéia em nada me agradasse.

Aquele caderno era meu!!!

Eu tinha tanta coisa para escrever, tantas coisas para não esquecer. E eram coisas minhas e que ninguém conhecia. Um segredo.

Todos possuem segredos, e eu eventualmente achava que, para um ser só, possuía muitos - e boa partes destes me atormentavam e não me permitiam dormir tranqüila. Bem, isso nunca me incomodou, pois acreditei por algum tempo sem escala que aquilo era uma mescla de sina e maldição - e isso me ascendia como ser humano.

Sempre me orgulhei disso até o dia em que descobri a minha arrogância e prepotência. Duas palavras que meu pai sempre me dizia e que nunca compreendia o significado. Um bloqueio mental de minha parte, pois, se entendesse tão cedo, me derrubaria. E quando eu entendi, eu me vi.

Aquele caderno aprendeu a me ver e a me deixar ver-me mais. Era por isso que não conseguia dormir; eu sabia o que aquele caderno implicaria assim que permitisse escrever os meus segredos, aquilo que eu não tinha idéia se existia ou não. Meus pensamentos.

No entanto, decidi por fazê-lo. Eu não sairia perdendo em nenhum momento exatamente porque tinha noção de como tudo transgrediria. No máximo, eu iria me decepcionar mais uma vez comigo - e descobrir mais uma qualidade corrupta de meu ser.

Resolvi dormir sem me desligar do meu mundo das idéias. Se Platão estiver correto, se as idéias e o que conhecemos realmente forem inerentes a nós, eu encontraria tudo o que precisaria para seguir em frente com o caderno ali. E, quem sabe, tornar-me-ia ébria com o éter de lá.

Uma hora fracassaria.

É, eu deveria ouvir um tango.

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Hoje eu acordei relativamente cedo, li um livro, comprei um novo marcador de texto, jornal, um livro de Sócrates a preço de banana e aluguei um dvd. E hoje à tarde eu devo escrever uma crônica.

21 de abril de 2008

Puro Ecstase.

Eles olhavam-se com ínfima curiosidade. Não queria admitir um para o outro que tinham vontade de examinar, com cautela, cada traço de seus rostos. E mutuamente.
Mas continuavam a olharem-se.
Os olhos dele dividiam a atenção com a tela do notebook e os olhos verdes distantes. Tinha de acabar de escrever, tinha de entregar o texto à redação até aquela tarde, no máximo até às seis. Na verdade, tinha de fazer muitas outras tantas coisas e talvez conseguisse caso desistisse de gravar a intensidade exata dos olhos verdes do ser na outra mesa. No entanto, ele não queria dissipar a boa curiosidade e apenas concentrá-la na sua coluna ainda pela metade.
A sensação de ser observado também lhe agradava. Era como ser o ápice da árvore de natal e, ainda, ostentar a maior estrela de todas.
Do outro lado, o jornal já não possuía mais letras e imagens. Era tudo um grande borrão devido à euforia que o invadiu. Ser observado de longe é enervante, quase como tomar dois esctase de uma vez. E o calor dessa curiosidade que nascera em uma tarde qualquer em Paris poderia proporcionar deveria ser exatamente a mesma de dois comprimidos.
Um calor que nasce não se sabe onde mas que atinge todos os cantos. É a boca seca e a louca vontade de aforgar-se em galões de água. E ele julgava que aquele par de olhos cinzas do outro lado possuiam os mesmo efeitos.
Ou até melhor.
Tentava concentrar-se no jornal, afinal, teria de relatar algo de interessante para seus alunos - e não poderia mentir mais uma vez como fizera nos programas de combate a drogas. Esctase era a melhor sensação que alguém poderia ter - e deveria ter! Mas ser politicamente correto diante de outros olhos não permitia que ele dissesse tudo o que pensava e cria.
E aqueles olhos cinzas, relutantes em olhá-lo constantemente, deveria ser o puro esctase. Ou até melhor.
O texto não podia passar das linhas determinadas, mas ele queria escrever tudo muito rápido para averiguar se realmente estava sendo olhado, se era ele o verdadeiro alvo dos olhos verdes. Releu o texto e notara que esqueceu o tema, misturando uma notícia sensacionalista com sua inquietude interna.
E se os olhos verdes não eram o que pensava ser? E se ele não estava o olhando?
Jamais fora tímido, mas estava sendo agora. E não compreendia os motivos - mas algo pulava dentro de si, dizendo que sim, os olhos cinzas eram o mais puro esctase e ele deveria consumi-lo o mais rápido possível para que não fosse degustado por nenhum outro organismo.
E, assim, os dois quebraram a barreira de espaço, ar e sentimentos controversos.
Os dedos correram rápidos pelo teclado do notebook e os olhos passaram a não ver o que na tela se formava.
A cabeça estava inclinada para o jornal, mas os olhos verdes estavam fincados nos cinzas.
Era agora o grande momento. Ele fechou o aparelho e chamou o atendente.
"Excuse moi, Je veux une tasse de thé". O atendente sorriu e logo trouxe a xícara de chá. Educamente, pediu para que levasse uma outra para o rapaz do jornal.
"Oui, monseur".
O chá chegou até ele e, rapidamente, buscou os olhos cinzas do outro. Fez um aceno em agradecimento e sorveu um gole. Do outro lado, houve um sorriso.
Ah!, com certeza ele era melhor que êcstase.

Meu Bebe



Eu vos apresento Dominique!!! A mais linda hamister deste site (e não, não havia nenhum vagalume para ser adotado). Ela vai ficar aqui no cantinho inferior direito do blog e você podem brincar com ela sempre que quiserem.

18 de abril de 2008

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Em teus olhos vejo parte da sombra que está envolta de ti, e pergunto-me se ela sempre esteve ali. Apenas um contorno que nos afasta e que me impede de ver o teu real eu.
Talvez seja exatamente porque sei que tu conheces a tua verdadeira face e, ao me permitir vê-la, saberás também que a conheço, que eu vejo o seu não-ser.
Mas tu também estás a saber que o que é é e o que não-é não existe, então, por que temes? Não somos crônicas de um cotidiano, somos apenas seres deste. Nada mais. Nada menos - mesmo que acreditamos ser os ícones principais de tudo isso.
Pare de uma vez de acreditar em que não estamos inertes às circunstâncias, porque és tu quem as faz - e eu nem consigo me importar.
Ao ver essa quase sombra em teus olhos, vejo parte de algo que eu só descubro o nome agora. Mas tu já perguntaste a mim por que quero tanto nomear tudo. Não, não quero, mas tu me obrigas a fazê-lo.
Molha teus lábios com o sorver ínfimo de teu tinto, e, se queres mesmo me entender, prossigo dizendo que não quero que me entenda. Só quero que compreenda que eu, mesmo sendo este ser tão ignóbil que tu dizes que sou, só consigo ver em teus olhos essa penumbra estranha.
Entende? Eu só vejo limites, meros contornos de um ser. E tu tens uma essência implícita neste olhar, no entanto, eu não a conheço. E não a quero conhecer. Tu, por outro lado, tens necessidade de me permitir ter conhecimento. Na verdade, é uma falha de teu caráter. Um modo de apaziguar todo este ressentimento que sentes - e perceba que eu ainda não me importo.
Só quero notar.
Teus olhos possuem a verdade, teus olhos conduzem mentiras. A antítese de teu ser - e você também não se importa. Será que é por que sabes que isso sempre esteve contigo? Espero que sim, no entanto, isso me soa contraditório.
Somos, os dois, seres paradoxais, porque, enquanto digo que não quero te entender, quero saber o porquê de todos esses contornos. Sua alma é um contorno, uma limitação.
Isso também é contraditório em ti.
O ilimitado está limitado. E isso é injusto.
Então, por quanto tempo ainda iremos nos enganar mutuamente?
Beba teu vinho e olha-me. Para mim, isso é o suficiente.

16 de abril de 2008

Antetéticas Levezas

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.


Costumam dizer que crianças não sabem sobre o mundo.
A gente sempre acreditou que o céu era um lençol azul manchado de branco que impedia que o ar fosse embora e que os postes e prédios o sustentavam. A gente costumava achar que o pirulito da esquina era do dono da venda; que a bala que você mordia um pedaço e estendia o outro já sabendo que eu recusaria por nojo era a única que a gente gostava.
Como a gente era bobo. Chegamos até mesmo a pensar que o Sol era algo menor que a bolinha de gude que você tanto tentou ensinar-me a jogar - e acreditamos que a nossa cidade era a única no mundo inteiro.


E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.


Costumávamos assistir à tv sem entender o motivo das imagens cinzas (para quê mesmo? A gente não estava lá e aquilo em nada afetava a nossa vidinha pueril!). Dizíamos um para o outro que seríamos amigos para sempre - e você costumava cuspir na palma da mão na esperança de que fizesse o mesmo. Mas eu sempre disse que tinha nojo da sua saliva.
E tenho. Continuo a ter.
A gente era tão pequeno e inocente que, quando descobrímos que um beijo na boca é mais que um colar de lábios, juramos nunca fazer isso. Ah! Mas a gente já jurou tanta coisa...
prometemos jamais correr um do outro, jamais pisar na grama do vizinho, nunca tomar o sorvete de morango (porque você não gostava!), não brigar, não nos distanciar, não fazer um furo na orelha. Tanta coisa que cumprimos anos a fio.

E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

Porém, as coisas nunca foram como a gente imaginava. O Sol é muito maior que a Terra e nem é concisa e indestrutível como a bolinha de gude. O pirulito da esquina não era do dono da venda, e sim de uma impresa muito maior que esta. O céu não é um lençol e tão menos azul; ele é apenas o infinto inalcançável que tem a cor azulada por causa da atmosfera e dos raios vindos solares. Os postes e prédio são o nada perto do universo e nossa cidade era a menor que havia.
A bala que você comprova e que eu nunca aceitei um dia seria aceita e a gente poderia repartir o gosto dela - e assim, quebrar um de nossos juramentos, tornando o aperto de mão uma
metáfora para nossa escolha para selar os acordos.
Você cresceu e eu também. Você furou a orelha e eu também. Você pisou na grama do vizinho todas as manhãs quando volta para casa depois das noites fora. Eu pisei na grama para ajudá-lo a chegar em casa. Você tomou o sorvete porque ela quis - e eu não o tomei porque ela quis. E aí a gente brigou.

E o desejo rápido
desse mais antigo instante,

mais leve.


Você distanciou-se e eu tive de ir mais longe. E aí a gente brigou. Você pediu que ficasse e eu pedi para que não partisse. E aí a gente selou.
Mas você ainda precisou ter que ir
- e eu tive de ficar, por causa de você. E aí a gente chorou. Quando você voltou, havia crescido mais um pouco e já não tinha mais o furo na orelha. Eu, por outro lado, estava mais magra, mais feliz e com ele no colo.
Foi exatamente aí que você quebrou o único juramento que eu acreditei ser perpétuo: você correu de mim.
Eu tenho e continuo a ter.

Poema de Cecília Meireles
Texto: Moi ;P
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Texto mui antigo, mas é bonitinho.

11 de abril de 2008

Estou brava:
1º O pc está mais lerdo que (por motivos de segurança, o nome foi retirado).
2º Passei a tarde fazendo exercícios de químicas (¬¬)
3º Hoje à tarde, eu estava sentada em um bando de uma ponte em Paris com uma ótima visão de uma inverno francês, com um notebook sobre minhas pernas, e meus dedos corriam rápidos pelas teclas do aparelho... e acordei ¬¬
4º Eu não existo no cadastro do Enem
5º o que diabos é uma crônica?
6º Por que simplesmente as coisas não fluem?
EU AINDA NÃO EXISTO NO CADASTRO DO ENEM!!!!!!!!!!

10 de abril de 2008

Sinceramente, eu não sei o que dizer - só que eu fiquei decepcionada. Juro que tento, que usufruo das minhas mais geniais aritimâncias, mas parece que nada dá certo. As coisas não fluem - e isso vai contra os princípios filosóficos platônicos. Não que Platão estivesse certo ou errado, é só que, agora - na verdade antes - isso parece correto e veridico.
Será que dá para entender que eu tive de superar o medo e o receio para tanto?! Não, não dá - porque nem mesmo eu sou passível de tal compreensão. Mas a gente luta e reluta contra os demônios mesmo assim, como uma forma de insistência e teimosia mesmo - e o faço até quando nada é real.
Eu temo.
E quase odeio.
Maldito Maquiavel.