23 de abril de 2014

Então Maria também recebeu a notícia

Naquele tempo, quando os discípulos de Jesus recebiam a temível notícia de que o pastor então partiria e por traição de um deles, Maria estava longe. Longe de seu único filho que tanto vinha amando e rezando para que, então, o Pai o protegesse. Foi em meio a essas rezas e devoções que aquela figura mais uma vez se fez em sua frente.
- Fico feliz em te ver. A última vez me trouxe a notícia de meu filho.
Gabriel estava despido daquela imagem iluminada de um anjo, sem asas, sem manto. Apenas um ser de formas tão parecidas com a de um andrógeno. Ele, em suas vestes de pano de segunda, sentou-se diante da mulher e lhe segurou as mãos.
- Mulher, tive o prazer de anunciar que seria então a mãe do salvador. Um momento e tanto. E hoje fui escolhido para então dizer que seu filho enfim vai salvá-los.
Maria levantou-se de seus joelhos em extasia de alegria. Seu filho enfim cumpriria seu objetivo e poderia estar com ela! No entanto, ao encarar de perto as expressões de Gabriel, logo entendeu que sua presença ali não se tratava de uma notícia alegre - era algo a mais.
- Diga-me o que tem a dizer. Não fique em pausas.
- Maria... sou o anjo da guarda de seu filho.
- E o filho de Deus tem um anjo da guarda?
- Principalmente o filho de Deus, afinal, o que seriam todos vocês senão filhos dEle?!
- E o que faz aqui?
- Estar aqui com você não me faz menos presente com ele. Muito pelo contrário. Ele, como seu filho, merece ter a mãe ao seu lado nesse momento.
- Pelo amor de Deus, Gabriel_
- É por amor à Ele que estou aqui, anunciando, pela última vez.
- O que é? O que está acontecendo?
Maria não queria então se exaltar. Não queria olhar com tanto desespero para o Anjo e tampouco lhe segurar as vestes como se estivesse com raiva. Maria, antes de ser santa, antes de ser escolhida, era mãe.
- Jesus vai morrer nas mãos dos romanos.
Uma lágrima em forma de luz escorreu pelo rosto do anjo.
- Não. Meu filho não pode morrer, Gabriel, ele ainda tem_
- Choro pelo corpo, Maria. Mas guardo por sua alma para irmos juntos ao Pai. Só venho avisar para que você esteja lá.
- Deus vai matar meu filho?
Gabriel se levantou e enxugou as lágrimas da mãe amada com a manga de suas vestes.
- Deus vai estar com ele, sempre, como sempre tem sido. Quem condena Jesus são os homens. Ele sabe. Você deveria saber também. Seu filho ama a você e ama aos seus irmãos, e dará seu corpo para a salvação de todos.
- Ele vai sofrer?
- O corpo sim. A alma não. A alma de Jesus é livre de marcas. É cheia de luz. Vá e fique perto dele. Seu papel ainda não acabou.

Demorei muitos dias para conseguir escrever esse diálogo que me ficou na cabeça a Páscoa inteira. 

15 de abril de 2014

Classificação: Prioridade¹

Já roí as minhas unhas - e meus dedos doem. Já comi todas as comidas que não devo e as venho comendo por muito tempo. Já falhei comigo mesma algumas sentenças. Já pensei umas duas ou três vezes que a vida pode ser diferente.

Seria mesmo necessário? Se parar para pensar vejo uma constância: o topo e declínio contínuo. É difícil atingir o topo. Deveria ter ficado feliz naquele tempo e não ter desejado algo a mais. O mais está aqui comigo e ele não quer mais me deixar.

Seria mesmo então necessário? Necessário reviver tudo isso como um todo? A gente já passou por isso e entendemos como realmente é, tia... Vai continuar doendo, e dessa vez estamos agarrados numa ínfima esperança de que tudo mude. Não quero reviver isso. Foi doloroso para todos nós, e a saudade ainda é ferida aberta.

Não queria ter outra aberta pelos mesmos motivos, entende? Quero seu sorriso se propagando em positivismo e que isso seja a maior força contrária às células. Que as aniquile! Que as dissolva e que vão embora de nossa família para sempre. Que a senilidade atinja-nos contra o peito de forma fraca e que só a percebamos no final de todo o acúmulo.

Triste ficar adulto. Triste que isso nos venha contra o rosto com perdas. Perda do tempo para o ócio criativo; perda do tempo para atividades prazerosas que requerem paciência; perda do tempo das outras pessoas porque a vida tá acelerando.

Entendemos como seja. Não quero sentir de novo. Nem o acúmulo de absolutamente nada.

¹ referente à classificação de hospital no pa.

30 de março de 2014

Sobre as somas de algumas INconstâncias.

Mudar.

Mudar é estado de transição, nem com um pé aqui, neste agora e nesta realidade e nos velhos pensamentos, e nem com o outro pé, adiante, já no mudado e feito, já com outros pensamentos e outros sorrisos. Mudar é um estado transitório de somente estar com os pensamentos alinhados nos objetivos futuros.

E como é difícil alinhá-los e fixá-los. Como é difícil mantê-los naquela direção e sentido, sem nunca torná-los para o antes. É difícil concluir o estado de pé lá já pronto para o outro estar ali também. Quantas dúvidas das incertezas surgem neste pulo. Estar no ar à mercê de qualquer vento, de qualquer norte, sul... noroeste. Que és-te.

Tudo envolto no processo é difícil e muito vulnerável. Decidir, manter-se e concluir.

Hoje decido mudar (o que, pois, é um instante entre o agora e o mudar) e amanhã não posso saber - assumir qualquer questão ou certeza, pois mudo e mudo constantemente para qualquer vertente.

29 de março de 2014

More-na


Tem a menina que um dia aparece sem saber de onde, por onde e na sua frente ela está. E você a olha como se já a conhecesse, como se, em meio a multidão de iguais e diferentes, ela reluzisse diretamente para você. O que pode ser isso?

Resultante de energias de sentido e direção opostas que somadas encurtam a resultante, encurtam a distância, trazem mais concentração de energia para o ponto em comum no meio de ambos. Resultado da vontade utópica dela de querer ser vista; vontade sua de um dia querer ver alguém.

Preencha então seu peito com luz.

Preencha seu peito com a luz dos olhos dela e deixe essa luz propagar-se e disseminar-se para todos os lados. A menina pode te ver como ela sempre te viu entre tantos. Você não a via.

Estenda a mão e agarre. Essa menina então mulher é parceira na mesma ânsia criativa necessidade que te envolve desde quando se assim pensou que deveria ser. Ser o quê?, pergunta agora sem entender. Ser o ponto de congruência de todo um universo de retas paralelas de realidade para um ponto de vista de uma pessoa num ponto de um espaço e tempo.

Agora você tem certeza de que todos os seus eus, em todos os universos, todas as realidades têm a ela. A mesma de qualquer maneira.

A paciência e a espera, tolerância e esmero a trouxeram até aqui neste hoje para você. O seu eu de hoje está pronto para encontrá-la.

Encontre-a.

Segure-a.


Diga.

Foto: Piracicaba, 22-11-13
Isensee e Sá, M.
http://www.flickr.com/photos/forfunfotos/11341016236/in/set-72157638611361056

1 de janeiro de 2014

então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo¹


Somos tão jovens, você me dizia, somos jovens para o mundo, para o futuro, e na minha cabeça podia ouvir a sua voz soar "somos jovens para nós".
O quão jovens poderíamos ser para não conseguir saber o que éramos nós dois juntos? correr para lados tão opostos talvez fosse o primeiro indício. Você sempre tinha os pés apontados exatamente para longe dos meus. nunca sonhamos um único sonho juntos.
Tornamos grandes jovens tão separados que hoje penso que se somados teríamos nos diminuído. sabedoria da vida que nos bate à porta quando estamos de partida. quantas partidas tivemos? Amizade? Partiu-se Você? Foi-se. Eu?
Não sei. só sei que éramos jovens e aquele tempo, aquele vento, aquele sol, nada nos bate mais à cara como lembrete de que éramos tão únicos e aqueles dias os últimos.
Partimo-nos. Em dois.
¹Tempo Perdidos, Legião Urbana

5 de dezembro de 2013

Universo meu Paralelo

Essa banda pode ser qualquer uma que se encaixe dentro do seu vocábulo de "melhor banda da minha vida". Pode ser sua, minha, de qualquer um que um dia sentiu-se próximo de pessoas que viu uma vez, dez metros de distância, tentou camarim e foi barrado pelo segurança.

Quem nunca tentou entrar no camarim, para ser só mais um fã querendo um pouco de atenção num afã secreto de ser notado, não sabe o que é ser barrado por um segundo, uma fita, dois cones e uma corrente. Eu fui barrada por um segurança mesmo, que me expulsou não só da fila, mas do salão.
Obrigado você porque graças a sua atitude tive uma bela volta para casa com o namorado, pensando e refletindo um bocado sobre tudo.

Mas esta banda aqui pode ser de qualquer fã. Para mim, pode se encaixar perfeitamente ao Queen (uma pena que eles não são mais uma banda) e o fator que movimenta a vontade pode ser Radio Ga Ga. Pô, eu gosto desta música e me arrepia os pelos ouvir o Fredd movimentar aquela multidão no ao vivo em Wimbley.

Só que não é o Queen. Não nesse momento. Há algum, teria sido. E teria sido também o Capital Inicial.
E, se é verdade a teoria de universos paralelos, vejo que tem um eu meu muito feliz fazendo a ideia que eu tive nesse plano: rodando a estrada e registrando momentos, pensamentos e brincadeiras de uma banda - afinal, cabe aqui qualquer banda. E me deixa um pouco conflituosa imaginar que também haja um eu meu cantando (minha memória para música é péssima; não sei uma letra de cor. Mas, vai saber, talvez este eu tenha desenvolvido um mecanismo de memorização, por que não um igual aquele do The Mentalist, envolvendo o palácio de memórias com um lugar em que muito bem conheço?!).

Esse eu tá quieta nos poucos degraus de uma casinha singela do Rio de Janeiro. Tá olhando a noite que se faz quente e tenta pegar no rosto algum resquício de brisa fria. Não vem. Mas o laptop no colo ferve. Escrever, escrever, escrever. Hoje eles fizeram uma entrevista para um site de música independente,  e se bem entendi começou agora e os caras queriam um grande começo com grande estilo.
Eu concordo que eles escolheram a melhor banda.

Faz tão pouco tempo que estou aqui que nem parece certo estar aqui, invadindo o espaço de criação deles. Mas prometi ser quieta e cautelosa - e o tenho sido com tanta precisão que às vezes eles realmente conseguem esquecer que estou ao lado deles. Isso é ótimo, pois consigo captar cada um deles em seus momentos quase ínfimos.
Vezes em quando eles me perguntam como está indo, como estou encaixando as coisas; estão preocupados. Eles se completam tão bem um com o outro que, secreta e inconscientemente, têm medo de que outros os enxerguem de outra maneira senão aquela do mundo deles. O mundo dos quatro. Se minha visão é diferente? Sim. Distorcida? Acredito em que não. Não há como distorcer uma esfera - seu centro equidista de qualquer ponto.

Na entrevista, quiseram saber se eles possuíam a noção da projeção deles como banda pelo Brasil. Eu queria ter respondido por eles, contado a minha história e feito as contas de probabilidade daquilo ter acontecido, e aí sim chegaríamos a conclusão do tamanho do que são enquanto banda. Eles se entreolharam por algo que eu poderia dizer ser a menor fração de tempo registrada. Cumplicidade. Ali conseguiram conectar todas as vias de pensamentos deles em uma única e fluída que fosse congruente a todos.
Não vou contar o que eles responderam. Que busquem o site e leiam a entrevista!

Saímos de lá com fome - eles com fome. Paramos em um restaurante de selv serf. Tem-se os vorazes e o equilibrado, me perguntando sobre sinergismo dos alimentos e qual componente inibe outro. Falei de alguns porque, assim, de cara, não me lembro de todos. Ele me disse que andava cansado e que estava preocupado, afinal, precisa-se de disposição para ser compositor. Para ser quem a mente dele comanda.
Ele é um grande "expressador", de qualquer coisa. Ele diz que eu também sou, mas acho que de uma maneira bem mais branda, afinal, a sonoridade não me é importante. Eu só vou escrevendo, escrevendo e como for, veio e ficou. Raramente mudo algo. Volto atrás. Teimosia, eu acho.  Ele já me deixou dar uma boa observada nos seus cadernos de rascunhos. Senti-me em êxtase segurando e podendo desvendar aquelas folhas: eram as coordenadas da mente dele. Toda a caótica organizada em linhas.

Lindo.
Quase chorei. Não o fiz. Achei muito inapropriado.

Depois do almoço quiseram dormir e irem à praia. Nunca contei a eles que não gosto de praia. Muita areia para pouca área corpórea. Fiquei na casa com a desculpa que tinha muita coisa para escrever.
"E tem lugar melhor para escrever do que vendo o mar, gata?"

Eles me chama assim não porque seja bonita, mas pela minha cara de menosprezo, que nem dos gatos, e acho que pela independência que criei deles. Fiz amizade com a Dona aqui do lado, a vizinha que é praticamente a mãe de todo mundo aqui da vila. Ela me contou histórias bonitas deles, de quando ela estava doente e não tinha condições de ir ao hospital e um deles a levou.
A noite é quente aqui no Rio. Não me lembro mais das minhas expectativas quanto a cidade maravilhosa. Me lembro um pouco daquelas que trouxe na bagagem e do medo de começar esse projeto. Que coisa. Que pena. Não contei ainda para eles, mas está acabando. Em pouco ou menos tempo não terei mais o que escrever sobre estes rapazes (meninos. Homens?! Homens).

Aprendi tanto sobre amizade e Amor. Encontrei pessoas que me permitem a propagação de ideias, as reflexões de olhadas para fora da janela. Vim aqui para contar uma história, a história de alguns dias deles, dos olhares deles sobre eles e dessa sincronicidade de energia que os mantêm, como pessoas individuais, como grupo, como profissionais.
A luz acende.

- Tá acordada ainda?
- Não consegui dormir. Muita coisa acontecendo...

- Muitas coisas acontecem, gata, até nos sonhos. Tenta dormir que amanhã vamos para um lugar muito legal.
Um copo de chocolate. De leite de soja. De achocolatado orgânico. Gelado.

- Ao menos que queira uma opinião o que está escrevendo.

Eles todos estão curiosos.
Ao longo desses dias eles perceberam a minha visão de mundo e meu ponto quase de autocrítica. Eles temem o que eu vejo.

Sou quase o Darth Vader da Casinha.

 

E este meu eu está assim, também achando que é o Darth Vader.

(05/12/13)

30 de novembro de 2013

Felicidade é um fim de tarde olhando o mar¹

Seria pois uma característica só minha de ficar idealizando todas as coisas que eu poderia ter feito? Acho que não. Acho que cada pessoa carrega em si aquele desejo secreto de, sei lá, ter podido se dedicar a uma outra coisa, desenvolvida um outro interesse. Seria uma fuga contida ou o desejo de ficar lembrando de tudo o que não fez?

Não sei.

Soa-me como tiro constante em cima da ferida esquecida - para então se lembrar de que você não fez e que não é nada daquelas coisas.

Eu teria me dedicado mais às artes, sabe? Todas elas: escrever, pintar, desenhar, fazer. Seja lá o que me fosse proposto em mente, mas seria de alguma forma algo muito similar à arte. E escolheria coisas que me fizessem bem e me trouxessem paz: surfar, tocar violão, jogar basquete no final de tarde, uma bola de sorvete de limão por final de semana (na verdade seria por dia, mas eu não gostaria de abusar tanto de algo que gosto correndo o risco de enjoar e deixar para lá).

Ter o sossego em mente sem aquela auto cobrança que me é tão emaranhada na essência. Parece um bom caminho para coisas que eu deveria ter feito. É um sonho não de futuro, mas de passado, que em parte em muito me acalma. A questão é que a mente do jovem é uma armadilha tão grande que qualquer desvio de conduta corrói a estrutura e a principal é acreditar que o tempo é rápido demais e, como consequência não correlacionada, temos de correr atrás de objetivos maiores. Carreira, emprego, conhecimento, família e dinheiro.

Não é ruim ter esses planos, mas não seria bom encontrar um espaço para se fazer o que se tem vontade? Crescer profissionalmente é deveras importante e gratificante, e por que não agregar à essa gratificação tudo aquilo que unicamente, por assim estar contido, te dá sossego? Complementar não somente o currículo, mas a alma.

Desenhar, pintar, escrever, ilustrar... Ilustrar cada capítulo de mim naquilo que me faz em paz. Soa-me um bom sonho frustrado de passado e um interessante ponto a ser considerado para o futuro (para então ser presente e ser constante).

¹ Hidropônica, Forfun.

23 de novembro de 2013

E eu que não tinha o que escrever

Não-saber às vezes é o melhor estado de consciência que se pode ter diante das coisas da vida, da curiosidade, da humanidade. Quem não soube antes esteve propenso à deixar a mente aberta para poder aprender sobre as diferentes formas que tudo pode ser. Muitas vezes eu simplesmente não sei e o que e quem quiserem me ajudar a tentar desfazer esse enlaço sempre me foram bem-vindos. E bem-vindos foram todas as informações que me contaram, não importante exatamente qual e qual era sua veracidade. Isso depois eu descubro, com o tempo, com a vida, com os livros. Aliás, gostar de ler e aprender são motores muito relevantes para se ter conhecimento deste estado de não-saber. Não-saber tem sido a busca pela qual todos correm, porque quem não sabe de nada tende a querer conhecer tudo. Quem não sabe de nada não está fechado. Eu estive fechada, e vou me abrindo, deixando que meu conhecimento não se solidifique. Deixo que todo ele seja líquido, seja maleável para sempre poder molda-lo a tudo aquilo de novo que faz surgir-me em curiosidade.
Não-saber é um estado - e a ciência já diz que ela depende de condições de pressão e temperatura para se estar em algum estado. A pressão vem de mim. A temperatura é a potência em que meus pensamentos correm.

E eles correm rápidos.

22 de novembro de 2013

Hoje não tem hora para terminar (sobre Forfun e outras coisas mais)

Tem algumas coisas que nos remete ao interessante, e uma delas, posso dizer com certeza, é o que eu presenciei ao longo desses dois ou três meses seguindo e ouvindo essa banda, Forfun.
A crítica das letras deles me remete ao meu estado de pessoa interessada em pensamentos e humano, e como essa pessoa me coloco, às vezes, a prova de cada tapa na cara que esses caras estejam passando para toda a sua legião de fã. Alguns devem entender, outros, nem tanto.
Um pouco talvez vá além de cada palavra cantada, entra mais afundo no que cada palavra, somada às outras, deve de fato ser. E sê-lo é o que me toca. Toca-me como o ponto de vista deles possui um cunho filosófico, dizendo sobre forma e matéria (totalmente de Aristóteles) e o questionar se existe necessidade de possuir e bel-prazer (Epicuro). Forfun me remete àquela que eu deixei um pouco para trás, trazendo-me à lembrança a doce amargura do querer saber.
Não é que seja ruim e espero fazer de todos os sentimentos o propulsor para várias coisas que quero realizar. Por hora me basta poder sentar e escrever um pouco disso tudo, sobre como várias coisas, de maneiras diferentes, conseguem atingir um ponto em comum em mim. Forfun me faz pensar quanto algumas coisas, alguns conceitos (busco ainda o real de "malícia") e sei que vai além de um dicionário e de uma superfície. Os destrinchar é que me é bonito. E destrincho as músicas nas palavras mais obscuras.
E o Bonito é ainda uma questão universal.

14 de agosto de 2013

Show must go on

Existe uma certa relevância em não querer mais que fosse daquela maneira que vem sendo há tanto tempo. Negar não é afirmar, é apenas ir por um lado mais obscuro do que a afirmação. Negar não é mostrar uma outra afirmação, é dizer que a ideia está em errada em sua concepção e raízes mas não é apontar a direção para algo mais correto.
Negar não necessariamente implica encontrar outra afirmação. Você pode mirar para qualquer lado.
É muito fácil negar.
É muito mais fácil não negar.
O difícil é assumir que está sendo negado e que aquilo tudo não cabe para você. Fácil é negar para o outro. O difícil é negar para si.
Por quê?
Porque, ao fazê-lo, necessita-se encontrar a afirmação correta, aquela que lhe cabe com tamanha coerência que parece ser até mesmo idiossincrático. A urgência de não ficar a mercê de um abismo. A relevância, do início, é o ponto sobressalente implicado nesse ato, que envolve a voz, o ato, a mente. Negar três vezes para assumir a negação.
E assumi-la é a sua primeira afirmação. Afirmo que nego. Afirme que nega.
Afirme, firmemente, afinco.
Não existe meia negação, existe a dupla, o dobro de tudo aquilo que pode até mesmo negar o próprio não contido, mas jamais o meio. Meio termo não existe; uma vez iniciado o passo, a corrida deve começar logo e só vai parar quando o percurso for realizado. E, desculpe, mas aqui também não há falhas. Êxito.
Conseguir negar é êxito.

13 de agosto de 2013

"a linguagem revela a mentalidade de um povo"

Acabei de ouvir na tv. E nem era isso o que eu estava pensando lá, na hora, pensava em algo mais abstrato. Pensava em como é difícil ter vários gostos e interesses. E a ideia é essa mesma, de pretérito imperfeito do indicativo, porque se eu me lembro agora... lembro-me de muitas coisas que não concluí.
Seria muito mais simples gostar de um único interesse, como um foco tão preciso, e, desta maneira, mirar só e continuamente nele. Estudar, ler, reler, conhecer, refletir, enfim, opinar. Para si, e não para outros.

7 de agosto de 2013

Acho que perdoar realmente é uma ótima saída por uma questão de vida. Se você consegue de fato perdoar as atitudes agressoras de alguém, você consegue esquecer simplesmente, mas nunca ouvi dizer de alguém que simplesmente esquecesse do rancor porque a vida foi passando.
Rancor, raiva, ódio não vão embora com o decorrer da vida. Imagine-se com 80 anos e se deparar com aquela pessoa que te fez algo quando ambos tinham 20?! Você não esquece. Você vai lembrar. Mas se encarar essa pessoa depois de sessenta anos de perdão, nada vai lhe acometer. A outra pessoa vai: ela vai lembrar que você o perdoou.

Mas o pior é ter de se perdoar. Acho que isso ninguém consegue, ao final. Perdoar-se necessita de muito mais coragem e esforço do que lembrar para esquecer.

25 de julho de 2013

this five words I swear to you

Tá frio, sabe?! E as pontos dos dedos doem porque eles nunca ficam quentes. Sempre há algo para gelá-los de novo. Mas não é isso que a incomoda.
Você pode até achar que no mundo existem problemas maiores, e acontece que há mesmo. Só que nenhum problema é grande o suficiente se não atinge diretamente a gente e isto é um fato. Não é egoísmo.
É apenas que sentir os nossos problemas dói. Os dos outros não doem. Talvez nos compadeça de alguma empatia, mas não dói.
O dela agora dói. E é agoniante vê-lo resplandecer no sorriso que dá a todos. Ela não está aqui para enganar a ninguém e nem tentar esconder nada - ninguém entende quando isso acontece porque todo mundo quer ver sua dor. Não foi a vida que a ensinou isso. Não foram os tombos. Ela apenas nasceu com isso de deixar sua dor ali dentro para poder pensar nela sozinha.
Pensar, pensar, pensar e pensar mais um pouco. Impressionante como isso funciona de verdade.
Os dedos ainda doem e o frio sobe pelas pernas, porque os pés também estão congelados. Ah!, se eu tivesse algo bem quente para coloca-los agora. E o problema é essa angústia de não saber quantos anos de fato tem. Teme que não seja um ou dois a menos que a idade do RG. A mais, talvez?! Não.
Sair da zona de conforto não é fácil, mas não é só isso, minha cara.
Vencer a timidez que sempre traz consigo a insegurança e o medo de ficar sozinha. E é aí que idade interfere, porque, se fosse realmente aqueles dois números, essa angústia não apertaria o peito. Apertar o peito é claustrofóbico e ela é isso dai sim.
Entendeu agora porque é que sufoca? Não é a angústia em si, mas o que ela causa. Ela causa o que um claustrofóbico mais teme.

21 de julho de 2013

Mysterious Lake.

Eu não quero te deixar.

Não sei mais o que dizer sobre isso, só sei que não estou pronta para te deixar ir embora desta vez. Desse jeito. Passei tanto tempo dentro do seu mundo, da sua visão, da sua atmosfera que agora me parece injusto que eu tenha sido retirada dele simplesmente porque tudo acabou.

Não quero ir embora, entende? Não quero não mais ver nada daquilo tudo.

Ler o "Palácio de Inverno" foi magnífico porque algo na história me cativou tanto que sinto tudo dela ainda aqui comigo. Eu gostava de Zoia no começo, mas depois não sabia mais o que pensar. Já sabia quem ela era, mas me soavam como duas pessoas completamente diferentes e... e também não quero que ela se vá.

Entenda que eu me encantei por sua adolescência, pela meninice de Anastácia, pelos detalhes que nunca terei de Maria e Serguei, pelo o que nunca entenderei de Alexei. Você me encantou, Geórgui. Devo confessar que já comecei outro, mas não estou pronta para abandona-lo. Não tenho a menor vontade de apagar as história de mim e tão menos não mais pensar nela.

Não quero te deixar.

17 de junho de 2013

Física Quântica

É prepotência e eu sei (o que já é outra prepotência).
Ao parar para pensar na quantidade de coisa que quero saber e entender, me deparo com uma gama enorme de assuntos e llivros que devo ler, assustando-me em mesma instância. Esse sentimento me acomete acho que desde de sempre - ou não - e desde sempre - ou não - vou ali, mentalmente, destrinchando e desfazendo o emaranhado de coisas que são necessárias para, antes de ter qualquer conhecimento "solidificado", se ter uma boa bem solidifcada.

Se eu fosse assim deste tanto esforçada e menos preguiçosa, menos procrastinadora, menos esperando que eu seja inteligente e que tudo dependa apenas daqueles alguns porcentos de criatividade.

Sem mais.

10 de junho de 2013

Tão de madrugada quanto a linha de pensamento

Gostoso quando nos deparamos com um livro que realmente nos faça querer ler. Foi assim para mim nas primeiras vezes em que li Harry Potter e talvez hoje em dia ainda seja. Mas gostoso mesmo é quando você quer terminar aquela história - não porque ela seja chata, e sim porque você precisa entender como o personagem se completa.
Foi assim com Harry Potter.

E aí que tem esse livro que veio seguido de outros dois que me fez pensar no seminário que tenho de apresentar na quarta sobre a linha de pesquisa de um professor da medicina. Eles costumam escrever Medicina, mas para quem é graduando de um dos cursos que compôem a faculdade de medicina é apenas medicina mesmo, porque nutrição e metabolismo não deveria ser visto com algo subalterno da faculdade.
Que seja.
Meu seminário.
Meu seminário diz respeito a um nutrólogo que tive de me segurar por todos os 15 minutos de entrevista para não perguntar o porque, afinal, de não ter sido nutrição, só que eu não quis passar por aquela velha linha de raciocínio de que a medicina é extremamente fascinante. (Todos os professores nos tratam como se somente a medicina fosse fascinante e que um hospital somente é feito por médicos). E não acho que não seja, mas não quis aprofundar nenhuma escolha passada que pudesse resultar em palavras que não me fizessem sentido - não por ignorância ou arrogância (duas coisas que não possuo), apenas por não conseguir, talvez, entender a real significância delas. E para quem gosta de ler livros e se engajar na história, não entender palavras em seu contexto pode provocar um certo desconforto e noites mal dormidas além de levar a entrevista para um cunho mais semântico.
E por isso não perguntei nada.
O Dr. Professor foi-me muito atencioso, dentro do meu próprio limite de nunca conseguir fazer as perguntas para as respostas que quero saber. Gosto de pessoas que falam sem precisar de um estímulo retórico para que possam desenvolver o discurso - por isso gosto de palestras. Sei que deveria ter me prendido ao fato de que sua linha de pesquisa era (é) deveras muito interessante, afinal, casos extremos do metabolismo são interessantes, mas antes de uma curiosa em biologia, sou uma curiosa comportamental. Atei-me ao fato de como um mero aluno de graduação deveria abordar um professor para uma iniciação científica e, de forma nada surpresa, ele me disse "perca o medo".
O Medo em si já me persegue de outro tempos desde lá do colegial (que foi quando eu percebi isso). Medo e Respeito muito se misturam e andam camuflados. Usei muito a palavra Respeito para o meu professor de História quando na verdade eu tremia mesmo era de Medo dele (claro que minha oratória péssima nunca me permitiu persuadi-lo do contrário - e sua sagacidade somado ao conjunto). Um aluno de graduação tem medo e respeito por um professor, talvez se esquecendo de que um professor já foi um aluno de graduação. E o Dr. Professor me falou sobre agregar, fazer por si só e ser impetuoso. Tudo o que eu nunca consegui somar a minha sonolenta personalidade.
Minha conclusão ao final da entrevista foi "eu não possuo o perfil de um inciante científico do laboratório dele". Talvez a minha falta de habilidade em continuar a entrevista provou isso.
E no final é tudo isso daí mesmo, uma questão de ler e se entreter e querer se completar. O único professor que me chamou a atenção foi aquele outro que ocupava minhas tardes de sexta-feiras, mas nem era no ramo de pesquisa dele - e sim pelo cunho da aula de bioética, o que me resgatou algo que eu acreditei ter perdido em algum canteiro na Unicamp.
Sinto falta da Filosofia. Sinto falta dos livros de História. Sinto falta dos livros de Estórias.

9 de junho de 2013

Só mais uma vez para se ver

Às vezes acho que a Efemeridade nos bate à cara para lembrar-nos que ela existe para qualquer um.
Triste precisar dessas coisas para que haja o resquício de memória de que somos mortais e que a vida passa rápido para qualquer um, mesmo em um piscar de olhos, mesmo num vinte-poucos-anos interrompido. Deus? Acaso? Destino? Merecido? Vai saber. Ninguém na verdade quer saber o motivo, mas a ideia de que seja possível entender isso sem presenciar conforta.
E como conforta.

6 de junho de 2013

A Culpa não é das Estrelas

Você me deixou muito triste com o meio quase final da sua história. Amores que não são para ser nem deveríam começar, para começo de conversa. Tenho certeza de que voce sabe o quanto doi um amor nao correspondido, mas deve-se doer muito mais um amor totalmente correspondido e que não terminou quando o outro partiu.

Doeu-me perceber que o verdadeiro Desejo de Augustus não foi levar Hazel Grace para Amisterdã; ele fez seu Desejo lá no quarto do hospital em que ela estava desacordada, pedindo um pouco mais de tempo para que ambos se apaixonassem de verdade e vivessem uma história. Amisterdã foi consequencia. E vejo que tudo aconteceu do jeito que aconteceu porque a ordem dos fatores importou no resultado.

E se fossem ambos a querer mais tempo para se apaixonarem? Só que somente ele quem fez o pedido, e este foi concedido. Augustus ganhou seu tempo a mais para amar Hazel. E só. Ele se foi e o amor dela por ele continuou, o que, no fim, ajeitou as pontas para ela e sua família, mas Augustus era um cara legal, simpático e confiante.

E se esse amor nao estivesse fardado a acabar por uma das partes?!

Aceito não. Augustus merecia muito mais tempo e Hazel deveria fazer o mesmo desejo em mesma instancia, para que os tempos se somassem e o dele se estendesse.

12 de maio de 2013

O Bem Estar de se Querer Amor

Nunca imaginei que seria desse jeito. Esse jeito de encaixe perfeito. Esse jeito de abraçar certo. Esse jeito de me amar tão natural.
Nunca imaginei que seria tão natural te ter por perto ao ponto de nem ao menos me lembrar de como era quando não estava. Espere - mas houve algum tempo assim?! E é verdade. Houve, mas eu não lembro mais, nem me pertence. Faz anos que já estamos aqui, um exatamento ao lado do outro.
O modo que eu o amo hoje é tão tão que me deixa extasiada em felicidade. Você, meu melhor amigo, se completou nesse ponto da forma mais perfeita: sendo meu namorado. E o que é um namorado senão o melhor amigo?! Pois é. Você é meu melhor amigo e compartilhamos de intimidade e reciprocidade. Acho que esse deveria ser nosso status de relacionamento.
As pessoas dizem: parece que sempre estivemos juntos - e isso se dá pela nossa sintonia, de como sabemos nos mover tão bem um com o outro, de como conseguimos fazer tudo em complemento. E quantas fases difíceis já passamos mesmo?! Várias, meu querido, e várias.
Mas vamos nos ajeitando. Alguns dizem sobre "aguentar as pontas". Eu não "aguento" nada, porque essa palavra passa a compreensão de ser um fardo. Eu vivo as coisas, essas pontas, porque nada é um fardo com você.
Tudo é facilmente facilitado com você.
E esses quase 2 anos já me faz sentir a vida inteira que tenho ao seu lado, com essa felicidade que não cabe em mim.
Somos perfeitos juntos, meu amor, somos sincronizados.

16 de abril de 2013

Inteligência é outra coisa

" 'Fique Inteligente sem cirurgia' - Já imaginou se no lugar daquelas propagandas de “fique magra sem cirurgia” a gente tivesse a proposta acima? Que sociedade seria essa? Para começar, nós seríamos, sim, magros. Não esqueléticos, nem anoréxicos, mas a obesidade diminuiria muito. Porque ser gordo não é saudável. E quando você se toca de que as calorias que você come devem ser inferiores às que você gasta, pronto. Temos uma dieta bem-sucedida. A gente seria inteligente a ponto de pensar o seguinte, enquanto encara um pedaço quentinho de pizza (ou uma fatia bem caprichada de bolo): “A longo prazo, é melhor eu não comer isso. Minha dieta vai dar resultado e, enfim, poderei comer outras gostosuras com moderação.” PRONTO, RESOLVI A OBESIDADE NO MUNDO."
(http://www.depoisdosquinze.com, Luisa Clasen)


A primeira colocação já começa no equívoco. Se todos fôssemos inteligentes, saberíamos que sim, podemos comer aquele pedaço de pizza porque este seria um dia atípico, e dias atípicos não interferem em hábitos saudáveis. Uma pessoa inteligente, como é o proposto, não precisaria de dieta e nem de reeducação alimentar, porque a alimentação saudável já seria base de tudo. Errado achar que não se pode comer doces, lanches e pizzas, o que não pode é comê-los todos os dias. Uma vez por semana (apenas um e não todos) não interfere.
E interesse colocar que quem é gordo não é inteligente, além de agredir o problema social como um todo. Obesidade é além de uma síndrome metabólica, é um comportamento, um self. Uma consequência que abrange o estado biológico, psicológico, comportamental e até mesmo as crenças pessoais. Uma pessoa neste estado não é burra, é uma pessoa que necessita de ajuda e apoio e empatia, mas que precisa, antes de qualquer coisa, estar pronto para receber ajuda - dos profissionais capacitados para tal. E não da tia qe fica falando na orelha que tá gordo, não o pai que leva para casa uma travessa de doces e fala que o filho não pode comer, só olhar. Um nutricionista, um educador físico, um psicólogo, porque não um grupo de apoio. Um cardiovascular, ortopedista... esses sim sabem dar a ajuda necessária para a Obesidade, não doença, não burrice. Uma realidade.

6 de março de 2013

resting in peace

Têm coisas que são realmente assim, meu caro. A vida vai passando e a gente vai achando que tá tudo sempre bem e que ainda tem tempo para mudar e fazer um monte de coisa. Eu não tenho nem ideia do que se passou na sua cabeça, se é que houve tempo de alguma coisa lhe ocorrer em mente - mas acho que a certeza de que esvaiu da vida deve ter sido até um momento de paz.
Não sei quem foi, não sei quem era. Não sei o que aconteceu. O que me aconteceu foi esse sentimento confuso, de não acreditar em que você se foi. Ou por apenas ter ido ou por ter decido ir. Que seja. Que parta! E não é que partiu?! Mesmo no desconhecimento de qualquer ação sua, tu me parecia imortal, em que todas as vezes ainda poderia eu me lamentar por ter perdido o cd do acústico da sua banda. É estranho pensar nisso, suas músicas sempre me acompanharam na minha adolescência e agora somente elas podem acompanhar.
Achava que tu era um cara legal, daqueles que sabia a brevidade de um sorriso que se torna eterno por ser bonito - e apreciaria o instante, a lembrança e a significância. Pelo menos era isso que suas letras me passavam... amor, vida, instantes. E que se segue na luta para ser realizado, e que nenhum sonho acabe para poder sempre ter algo para correr atrás. Do que você correu atrás?!
Não sei, não sei... mas imagino. Correu atrás, nos últimos momentos, de algo que lhe confortasse e trouxesse um pouco de paz de espírito - e até mesmo esquecimento. Esquecer da vida, do que ficou para trás, do que foi quebrado e de quem o deixou aqui. Vejo você chorando, vejo você triste, vejo você querendo abandonar - e um pouco de querer ser abandonado. No que você escorregou nesse meio tempo? Seu camisa 10 não fez o gol da partida? Não sei, não sei...
Disseram que não foi uma decisão tomada esta de querer ir embora. Mas você foi e deixou o seu legado. Se isto enfim lhe trouxe a paz, que seja, que fique e que nos deixe - e nos deixe de uma vez. Uma vez a mais para ouvir e não entender, compreender, saber. Uma vez a mais para sermos a juventude que você sonhou.

Seremos humildes e seremos lutadores. Dias de luta, dias de glória.

Que esteja em paz, Chorão.

9 de fevereiro de 2013

Quando se é criança

Sinto saudade daquele tempo em que qualquer tombo no chão ou dedinho batido me dava o direito de chorar. Hoje devo engolir o choro e esquecer o machucado, mas queria mesmo é poder chorar por cada ralado.

7 de fevereiro de 2013

Fitas de Cinema

Jean,

Acho nobre tudo o que fez, mesmo diante do ato. A nobreza é tão estranha diante desses fatos em que você viveu que usá-la para te exaltar pode até mesmo soar como ofensa. Mas não me refiro ao dinheiro ou à ostentação; refiro-me a cada ato singelo de amor ao próximo contido em você.

Precisou de uma declaração clara e reta, quase como uma bofetada em seu rosto para perceber isso dentro de você. Já estava ali, desde o primeiro pão roubado para a criança de sua irmã. E estava ali quando decidiu mudar, estava ali quando se entregou a Javert mas tinha de ajudar aos outros (e por que não falar do seu grande impasse?! Javert era nobre, pois, em seus preceitos de conduta e lei. Ele não poderia viver no mesmo mundo em que há você e ele, não poderia ao notar seu espírito, sua lei. O Estado era a lei e ele a tinha consigo. E eis que surgiu você, 24601).

E, sim, estava ali no leito de Fantine, tomando-a como um amor quase platônico e abraçando sua Cossete como sua própria.

Tu és tão nobre, Jean, que choro. Choro por ter encontrando em você o que há muito o meu mundo não vê, onde somos divididos pelo dinheiro, pelo time, pela cor, pela nossa opinião.

Precisamos de revolução.
E precisamos de você.


Fique em paz, monsieur Jean Valjean.

30 de janeiro de 2013

romance às avessas

Estão vendo aquela mulher ali do outro lado? Eu sei que vocês estão imaginando o que aconteceu, que ela se apaixonou e caiu em maldições de circunstâncias ilusórias, sempre procurando fiascos nos pequenos atos humanos e sentimentais do rapaz diante de todo o descaso que ele fez.
E aí chegou aquele ponto em que disseram a ela que merecia sim algo mais digno, que a respeitasse, que a amasse, que a venerasse pela pessoa linda que ela é. Só esqueceram de dizer que seria um cara, um homem e talvez demorasse uns cincou ou sete anos.

Mas ela interpretou tudo aquilo perfeitamente bem: encontrou quem a amasse, venerasse e não visse a hora dela surgir pela porta. Encontrou um belo schnauzer, e depois veio o poodle, o lhasa apso, yorkshire terrier e aí ela descobriu os vira-latas.

Ela adotou uns três, e, de fato, todos eles a amavam, idolatravam e tratavam do jeito que ela merecia. E foi nesse meio todo que ela, de repente, tinha noventa anos e dez cachorros, fora os outros que já haviam falecido.

Esses romances da vida que acontecem talvez por uma brecha de interpretação.

13 de janeiro de 2013

o último canto de Sereia

Tinha o mar e tinha o som das ondas quebrando e elas quebravam no pé dela. Nem tinha Sol, daqueles de fazer por franzir a cara e esconder os olhos. Mas estava claro, iluminado.
- Isso tudo daqui parece paraíso.
- E por que não haveria mesmo de ser, Sereia?
E tinha ela, de cabelos molhados, pequena, olhos enormes. A voz suave, de canto, serenata, daquelas em que a gente canta baixinho na esperança de só o amado escutar.
- Como tu sabe meu nome?
- Sei de cor cada nome que escolhi.
Sereia se afastou e aí percebeu que não conseguia se manter longe daquela criatura estranha, tão menina, tão frágil e tão do mar. Aquela voz de certeza e compreensão, não havia linha de tempo linear que fizesse Sereia não entender quem era a criatura.
A criatura era sua mãe.
- Então eu morri de verdade.
- Pois veja tu mesma - e a criatura menina tocou, com as pontas dos dedos, o coração de Sereia e este nem doeu. Sereia encontrou uma marca, um marco de tiro de amor. Sim, estava morta.
- Mãezinha... por que teve de ser assim?!
O toque dela em seu rosto trouxe-lhe conforto, um tal deste que Sereia sentiu que poderia estar viva ou morta, ali não mais importava, estava em paz.
- Tu me pediu antes mesmo de ser carne. Me pediu para ser Sereia e me pediu para que eu fosse tua mãe. Protegi tu a vida inteira, mas não posso confinar uma alma a uma vida inteira se esta alma me pediu a eternidade comigo. Tu mesma quis vir a vida e senti-la na intensidade. Eu apenas permiti, pequena Sereia.
A criatura se mesclava em claridão e opalescência e se aproximava e se tocava em Sereia e a chamava, dando a mão, pegando pelos cabelos como se fosse niná-la.
- Dei a tu meu guardião para que ele a amasse mais que a tu e a ele e que cumprisse todos os destinos. Não se avexe, menina, venha caminhar com tua mãe.
Iemanjá estendeu as mãos de criatura menina pois então era mulher. Os cabelos negros e tão negros que Sereia logo viu a semelhança - eram, pois, os cabelos dela mesma - e viu os olhos grandes e o sorriso familiar. Conhecido, decorado, materno.
Sereia decidiu por enfim caminhar e seguir o que há muito havia pedido para Iemanjá.

6 de janeiro de 2013

Daquele que Esqueceu

Eu não me meto com as coisas da Igreja e nem digo respeito aos sermões do Padre. Simplesmente não o faço porque meu conhecimento é pouco sobre todo esse universo e minha fé é um filhote, ainda. Mas conheço alguns preceitos, uns tais conceitos que acredito ser de Deus (sim, eu acredito Nele).
Acredito que se foi nos dado a percepção de que em grupo é melhor, então Deus disse "amai e respeitai ao próximo" através do filho. E foi isso o que Jesus disse, que devemos amar o próximo como a si mesmo. Ponho estas linhas, pois, para trazer os fatos para perto da Igreja, o âmbito de reunião da religião (aqui, no caso, a católica). A Igreja católica é o lugar para ser traduzido as palavras e os mecanismos de Deus, o que Ele espera de nós e o que nós esperamos Dele. E eis que nesse meio, surge a figura de um rapaz que maltrata, desrespeita e desmerece o próximo.
Não quero falar sobre a mudança de religião e nem do ato que eu julgo imoral de permanecer como trabalhador num ambiente em que você desacredita. (Qual seria a credibilidade deste trabalho?). Mas quero apontar a falha como ser humano que trabalha na Igreja. Ele já agrediu, já desafiou e já mostram-se exemplos e mais exemplos de manipulação - óbvio, para que seu desejo fosse atendido.
Não falo do Padre. Falo de outro, daquele que conseguiu atrapalhar o equilíbrio de uma paróquia, que esqueceu de respeitar em reciprocidade e esqueceu que também é humano e também está sujeito a muito (podendo ser este bom ou ruim).
E trazemos então para um exemplo de empresa. Empresa é trabalhar em grupo - nenhuma quer saber de um cara que não consegue lidar com o outro. Empresa é cooperativismo. É somar e multiplicar, sempre ajudando, sempre unindo forças pelas bases para se estruturar o topo. E pode ser assim ali, na Igreja. Se você não consegue ao menos tratar seu companheiro de equipe, um cara que você depende para realizar tal serviço, como vai poder chegar a um cargo de liderança em que terá de coordenar e motivar um grupo inteiro?
Credibilidade de trabalho não diz respeito apenas ao que você faz, mas muito a quem você é.

E quem seria ele então?!

O bem maior, o bem maior... Deus é o bem maior dentro da Igreja, e devemos visar este bem maior, nos esquecendo do particular para cooperar no grupal. Na Igreja é assim, estamos todos lá na busca de respostas, de força e até mesmo apenas por estar, mas, em nenhum momento o que um quer atrapalha o que o outro pretende.

Deveria ser assim, a Empresa, a Equipe, a Igreja e o Padre controlando os meios para o bem maior.
Mas não foi.

24 de dezembro de 2012

Sobre os Pandas e Nós

Eu acho incrível, de modo conotativo, várias coisas, mas, em particular, o Urso Panda.
Acho incrível que haja nesse mundo um urso desta maneira, que não passe medo e que encha os olhares de carinho, que nos encha de coisas boas e aquela vontade de abraçá-lo e fazer "owwwwwn" várias e várias vezes seguida.
Acho incrível esse sentimento de benevolência que um urso possa causar no humano, porque o Panda é um dos poucos animais capaz de fazer isso depois de deixar sua fase filhote. E, ao pensar sobre isso, algo aqui em mim fica triste.
Meu pai às vezes diz que acha um absurdo que o homem cuide melhor de uma outra espécia que a sua própria, deixando ao relento crianças famintas e homeless. Eu acho a condição de deixar a própria espécie em estado degradante um absurdo, sem precisar da comparação. Mas não acho um absurdo pessoas que realmente se importam com outras espécies, que faça da sua vida um meio para tentar salvar e preservar, por exemplo, os pandas.
Fico triste que hoje seja assim, o homem em primeiro plano e depois os outros seres, como se houvesse a necessidade de cuidarmos apenas da gente e não se importar com os demais. Me dói o coração pensar naquelas famílias que adotam um cachorro e esquecem dele, abandonando-os. Acho sim que devemos pensar em nós, mas, em mesmo nível pensar naquele gato, cachorro, passarinho, peixe, tigre de bengala, mico-leão-dourado, baleia azul... Devemos pensar no nosso eco.
Na altura em que nos encontramos, não deveria haver palavras como "conscientizar". Já deveríamos estar conscientizados. Já deveríamos ser propícios a pensar no outro como parte de nós mesmo, porque assim é a natureza, tudo integrado, tudo encaixado, o imenso quebra-cabeça da perfeição.
Me deixa triste ser ovolacto-vegetariana e não vegana. É uma covardia de minha parte. Conheço todas as maldades, conheço todas as situações, e acho covardia minha. Me deixa triste não ter meios para adotar um puppy, não ser mais ativa nesse meio, não pensar nos pandas todos os dias.

Este post era para falar da grandeza de um urso panda, e terminou por ser da minha tristeza em tantas coisas que acho que não está certo neste mundo. Mas acho incrível os ursos pandas, eles são lindos, pelos sentimentos que eles me causam e não apenas pelas aparência dele.





7 de dezembro de 2012

interesting point

E, de novo, terminou o primeiro ano. Engraçado como as coisas são: o primeiro primeiro ano, agora, me aprece jamais ter acontecido. Será que é assim mesmo, que é verdade que as coisas ruins realmente parecem nunca terem de fato acontecido?

Mas passou. Os dois. E ano que vem serei veterana, novamente, e o serei ainda por muitos longos 4 anos. Bons 4 anos. Aprecio que este curso seja assim, meio longo, porque, daí, quando chegar ao fim, não me soará como se nunca tivesse acontecido.

Porque a premissa ali em cima é verdadeira, e sua conclusão só pode ser verdadeira. Isso eu aprendi quando era veterana e me ajudou muito em muitas construções textuais.

E me ajudou na vida também.

O que é bom prevalece, de alguma forma.

Bonito 2012.

12 de novembro de 2012

Todos Vigaristas

É triste.
Uma porção destas coisas, na verade, é de fato triste. É triste perceber que uma entidade que visa o conhecimento e que proporciona milhares de artigos científicos para o mundo acadêmico seja simplesmente ferro e fogo e que deve ser assim, quem não for de acordo, será cortado, perdendo laboratório, aulas e até recebendo propostas para se aposentar mais cedo.
É tudo muito estranho porque a ciência possui divergências de pensamentos, e, agora, parece-me que todos querem coagir para uma única linha, sem perceber o incrível feito com todas as possibilidades.

E tem uma série de fatores que me entristecem. A falta de cirticidade e a falta de capacidade de poder compreender uma opinião diferente da sua, e a ignorância do conhecimento e das coisas de tudo.

Acho que fiquei velha - ou crente demais que um ponto de vista possa ser exposto tranquilamente, independente se você realmente acredita naquilo ou não. Eu entendo o lad dele, entendo mesmo, e me sinto comovida - mas não é o que tenho para mim. Mas eu compreendo e dou a ele todo o suporte para se expressar, afinal, posso não concordar com o que você diz, mas lhe doou todo o direito de dizê-lo (ou algo muito semelhante a isso).

Não dá ara ser assim, tudo no é ou não é. Porque se for, sempre o é, mas se não é... nunca haverá questionamentos.

É extremamente triste.
a um professor da USP-RP,
que nos disse que biólogos moleculares
são vigaristas

20 de setembro de 2012

Meus heróis morrerem de overdose

- Eu vou morrer?
- A sua última aventura, meu querido. Como haveria de não ser? Você é inconstante, cheio de mudanças e vai fechar todas as suas variações com a mais dramática e oposta a tudo! É sua última trnasformação, sua última maior aventura de todos os tempos. Como haveria de não ser? Os bons se vão cedo como forma de eternizar... e você, garanto, já se eternizou há muito tempo. Agora é apenas aquela segunda chance que todos têm: sua segunda chance de se radicalizar.

Ao Cazuza

18 de agosto de 2012

canção de ninar

Agora será um alívio saber que não será você mais o motivo de todos os meus choros. Não será você, será esse meu sistema nervoso autônomo que através das vias eferentes do simpático e parassimpático formará e secretará cada lagrima de mim, respectivamente.E nunca mais em minha vida, será você.

*estudando fisiologia do sistema nervoso e me vêm essas coisinhas :D

10 de julho de 2012

Acho que o amo demais, mas num tanto que agora é irreversível.

9 de julho de 2012

oxigenious

by Gregory Shelukhin & Tanya Rudenko
Você me disse uma vez que não chorava. Não sei por que não chora, não me importa ou incomoda. Chora quem quer, e assim se seca também. Todos possuem almas, e almas extravasam de vez em quando e de vez em nunca a sua não o faz, pelo visto. Ouvi apenas dizer, como numa fofoca, como nuns burburinhos, vindos todos da sua boca, mas apenas ouvi dizer, numa roda-roda de conversas e pinturas.
Tem gente que é feita de aquarela e esta só se pinta com água. Águarela.
Acho que você não do tipo que se pinta, deve ser daqueles exemplares sem cores.

Deste jeito você nunca terá uma edição de luxe.

4 de junho de 2012

not like it

Será que todos já tiveram aquela sensação de queria ser diferente?!




[quisessem que tivesse sido apenas assim; um vento que dá leveza no olhar e leva longe, mas pode trazer de volta. e quiseram tanto que não foi e não será. não se pode mudar. o vento foi forte e estragou tudo. metaforicamente. ou não. é dispersão. nada tem haver com nada. talvez seja o egoísmo. e que olhos fossem para sempre dela. ou melhor. que tivessem sido somente dela. o medo traz pesadelos. e nem são à noite. são constantes. iniciantes. não se pode condená-los. insegurança. os olhos dos outros são serpentes. às vezes trazem junto a tentação. não se deve tentar ninguém. mas pode acontecer. aparece uma flor e aí se venta mais forte mudando um rumo. não querem mudanças de rumo. e o que não se quer se é temido. é dispersão. não tem metáfora. por quê? não há conexão com absolutamente nada. fecha a cara. não se quer. ao contrário]

7 de maio de 2012

beautifull Weasley girl

Os nossos mundos eram paralelos, mas retas paralelas se encontram no infinito. E somos hoje o infinito.

(Potter, J.S.)

a sweet kind of perception

Pai,

lembra de quando eu era pequenina e pedia para o senhor me contar as histórias antes de dormir?! E, sabe Deus o por quê, adorava aquela história do pequeno polegar. E gostava da hora da judiação, com o Danilo e o senhor vindo até mim para me fazerem cosquinhas... e era uma sessão de tortura na verdade. Eu lembro de quando acordava onde hoje é o seu quarto e lá tinha uma tv, uma cômoda, uma cama e um berço. Achava aquele quarto enorme, achava a sala enorme, achava o box do banheiro uma piscina.

A minha imaginação naquela época era enorme, com não só um amiguinho imaginário, mas 3, todos eles com variações de "nomes" de stinck (stink, stonk, stank). O Stink era o bobinho e eu gostava dele, mas fazia de tudo para que ele percebesse o quão bobo era. O Stonk era maldoso;  não gostava dele, mas me ajudava nas brincadeiras contra o Stink. O Stank aparecia só de vez em quando e nem participava muito das brincadeiras.

E a minha imaginação era de fato grande.

E eu era muito pequena.

E aí eu cresci, cresci tanto que ocupei no físico parte da minha imaginação e do quarto, box e o berço nem mais está aqui. Mas tudo bem.

Tudo bem mesmo.

Cresci e ainda estendo a mão para o senhor me ajudar a atravessar a rua em segurança - e como você me ajudou! Atravessamos certinho, de um lado para o outro, juntos. Você me disse que eu poderia ir, colocar o primeiro passo na rua e, cuidadosamente, atravessar. Eu fiz isso, pai, você se lembra?! Atravessei e por muito tempo fiquei parada no meio da rodovia à mercê do trânsito, de fluxo inconstante, de mão dupla. Chamei por você e você já estava do outro lado.

Não por negligência. Você me ajudou até ali, não é?! Agora eu teria de continuar sozinha, mas não importa para onde, porque você sempre estaria um passo à frente para me guiar. E eu te chamei e você me estendeu a mão lá da outra sarjeta. Olhei para os lados e tive segurança para terminar. E eu terminei.

Discutiremos muito quanto a demora da travessia, da quantidade dos carros e como a calçado do outro lado não possui a melhor topografia. Mas tudo bem... está tudo bem, pai. Posso falar de muitas coisas sem qualquer propriedade, mas sempre falarei para você.

Dos planos que você traçou quando me viu pela primeira vez eu não sei, porém, te digo com firmeza que os meus planos agora estão sendo traçados por mim de novo - e desta vez eu prometo que são pra valer.

Obrigada por me deixar desistir quando não tinha mais como prosseguir.

Com carinho,
Sua Filha.

2 de maio de 2012

From Jammie.

Muitas coisas não serão entendidas por nós. Eu não me importo, Dominique. Não me importo de viver ao seu lado no buraco do desentendimento, porque, afinal, para quê desfazer?! Entender é consertar, colocar no eixo, pôr em cronologia o antes e o depois, e, quer saber?!, entre a gente não há nada disso, não há lógica, não há antes e nem depois. Sempre o é apenas. E somos, e como somos porque somos. Pois então sejamos nós aqui, nessa gelada madrugada onde você me diz ser Londres, nessa roda gigante tão lenta que me faz pensar, em pensar na minha coragem e na sua complacência.
Ambos fugimos, Dominique.
Muitos dizem que você fugiu da família, mas quem o fez fui eu. Eu fugi de lá porque eles me prendiam à carne de James Sirius Potter, quando ao seu lado sou apenas eu, muito mais evoluído, muito mais completo comigo mesmo. E muitos dirão que eu fugi por causa de você e que você me levou a isso, a dar às costas para um mundo, fazendo charme e me fazendo apaixonar por você. Mentira. Você não faz charme. Teddy se apaixonou por você por causa dele, seus cabelos, seus olhos, sua pele sem sardas. Sem Weasley. Eu não sou apaixonado por você, não há sentimento dentro de mim por você. Por quê?! 
Porque sou com você.
- O rio brilha diferente daqui de cima.
- Brilha mesmo.
E eu nem falo do rio. Você combina com tudo isso deles, com toda a não-magia, e você se encanta com as leis naturais e sociais deles, com os prédios, com os carros, com os livros antigos escritos em máquinas estranhas. E eu vivo tudo isso agora. Você brilha neste céu noturno, neste ar gelado e condensado que sai de nossas respirações, sob todos os casacos, cachecóis e luvas que está usando. Seus olhos brilham, Dominique querida, brilham nessa névoa ciano deles, nesse vento de loura platinado e enferrujado de seus cabelos, e você fulgura muito mais que um rio de margens escuras à noite, e essas estrelas, e essa luz, e essa Londres.
Talvez seja pelo único plausível motivo de vocês se encaixarem.
- Jammie?!
- Sim?!
Você me sorri e claro que eu a beijo. Você não é de falar, apenas de brilhar e sorrir. E eu de beijá-la e divagar.


9 de abril de 2012

Weasley, D.

Quantos anos já se passaram desde aquele dia em que te esbocei pela primeira vez? Quantos foram os dias em que você me tirou o sono para pintar e bordar em cima de seus fios loiros platinados e enferrujados?! Procurei na exatidao de algumas palavras algo emlhor para descrever seus olhos, mas o ciano sempre me cativou mais, tornando-se repetitivo nos textos, nas frases, em suas descrições.
Mas você sempre me foi linda.
No começo era rebelde, mas, aos poucos, fui te moldando, podando todas aquelas características grosseiras e te deixando límpida, serena... sempre te imaginei com aqueles raios de sol que ofuscam os olhos, que suas cores eram ensolaradas, sua pele extremente branca, longe de quaisquer sardas. Posso perfeitamente ver aos seus olhos, tao calmos e longe de culpas, arrogâncias, julgamentos. Você não julga porque isso não é preciso. Cada um sabe de si e você sabe de si mesma, mesmo que os outros não entendam.
Você não se apega. Não por medo. Não por indiferença. Apenas não foi feito para você essa compaixão, esse quê de sentir o outro. E você também não se sente, e isso não é triste. Você sempre está em paz.
Lembra daquele coelho?! Foi seu tio que te deu e você o devolveu porque não entendia como um outro ser poderia depender tanto de você. Isso não é frieza, é coerência. Talvez seja uma leve empatia o que você sente, eu também não sei afirmar.
Eu tinha elaborado o seu contexto, seu caminho. Mas algo não encaixava. E agora se encaixa. James, Teddy e até mesmo Albus. Já sei como encaixá-los na sua estória, sem agredi-la, sem corrompê-la. E a você também.
E o seu pós, suas divergências, você cresceu, Dominique. E como cresceu em mim. Ainda a tenho aqui em mim, e para sempre estará. Minha linda e querida personagem que mal existiu num Epílogo.

29 de março de 2012

Shoot me! My heart and mind cannot be touched by anythng.

Vai ter muitas coisas te chamando para fora do caminho, muitas pessoas que não entendem o que é mirar em um objetivo. E esse objetivo é alto, de caminho longo, difícil... serão cinco anos caminhando nele. Se tropeçar em uma pedra, você fica mais um ano.

Você precisa se cegar, brigar um pouco com as pessoas para que elas aceitem seu trajeto. Você vai precisar ser forte, muito mais forte do que era antes. O sono vai te chamar, seus amigos, seu namorado, sua família. Aquela velha e amiga preguiça que te acompanha desde pequena.

Mas você precisa se agarrar a esse objetivo. Você precisa, entende?! Não há outra maneira. Não pode se esgueirar, segurar um pouco para largar no próximo passo na possível certeza frágil de que vai se agarrar de novo.

Nutrição e Metabolismo na USP-RP foi apenas um começo. Agora você precisa terminar isso, da melhor maneira. Você se lembra do objetivo?! Boas notas, bons seminários, bons interesses. Uma iniciação científica e se destacar, sempre. Nos estudos, principalmente, mas nos esportes também e nos grupos. Esse destaque te fará merecer o intercâmbio.

Mire nisso, Bruna. Mire em tudo isso e se esforce. Você pode descansar no final do ano, em julho, nos domingos... Mas você precisa se doar mais do que tem feito.

Eu te garanto de que não vai se arrepender.

7 de fevereiro de 2012

About it.

Acho que nesse ano consegui a maior realização da minha vida. Fiz os vestibulares da UNESP, UNICAMP, PUCCAMP, FUVEST e UNIMEP, exatamente nesta ordem, ocupando todos os meus finais de semana de novembro e mais um de dezembro.
E passei em todos.
Fiquei feliz pelo êxito, o 100% de êxito, como meu pai diz.

Optei pela USP-Ribeirão por inúmeros motivos, e a única razão que me diz que será difícil é aquele em que meu namorado fica e só nos veremos nos finais de semanas por 5 anos. Sim, 5 anos. Ficarei com você até o final, e isso não é promessa, não juramento, não é nada. É apenas um fato, porque você esteve ao meu lado desde muito antes. Você me viu na UNICAMP, me viu desistir dela, me viu chorar, me viu sem rumo, me viu no cursinho, me viu achando que era engenharia, e me disse que seria nutrição. Você ficou comigo nesse final de ano, ficou comigo no meio dele, me amou em todos os momentos e ainda me ama, mesmo dizendo que como homem será difícil.
E eu te digo: como sua menina, será absurdamente difícil. E será por você que vou entrar nessa de cabeça erguida, fazer direitinho, estudar e conseguir vários contatos, para que esses 5 anos voem rápido para eu voltar a ficar todos os dias com você.

Você fica aqui em pessoa, mas levo você comigo em pensamento, em amor, em carinho. Naquela nossa velha sintonia e companheirismo.

Vai passar rapidinho, e isso eu prometo.

5 de janeiro de 2012

Dear, I am not titanium¹

Muitas pessoas não entendem o porquê de eu ser tão obcecada pela busca de um corpo, por assim, dizer, perfeito. Não há como culpar, muitos buscam também e muitos desses muitos pregam a aceitação física. Tudo bem, eu também concordo que todos deveriam se aceitar, procurar melhoras saudáveis e por aí vai.

Mas, para mim, é a busca pelo o que eu nunca tive.

Desde pequena escuto as pessoas ao meu redor dizerem que eu sou gorda (quando pequenininha, eu era gordinha, fofinha, apertável. Depois dos oito anos, era defeitivamente gorda). Desde pequena percebo o que nunca tive: nunca tive a oportunidade de olharem para mim e apenas comentarem que estava bem. Nunca tive a chance de ser apenas magra na minha vida - nem mesmo quando nasci - e talvez nunca tivesse consciência de que não o era se ninguém tivesse me dito o contrário uma única vez.

Aí eu cresco e decidi por tentar me mudar. E mudei. Emagreci ao longo de um ano o suficiente para nunca mais voltar naquele estado mórbido em que estava aos onze anos. Triste. Fato. Esquivei-me - mas nunca alcancei o que eu quis.

E o que eu quero?!

Quero poder usar uma calça jeans sem ter de me preocupar se ela me aperta, se fechará na minha cintura ou terei de puxá-la logo após me levantar. Usar uma que não limite as combinações de blusas, podendo ser elas largas, justas ou até mesmo curta. Quero poder comprar aquele vestido justo que todas possuem sem pensar em quantos quilogramas terei de emagrecer para que ele fique bem em mim, sem marcar algo, sem marcar aquela maldita curva entre o quadril e a cintura. Poder usar meias-calças que não me apertem ou não marquem por debaixo do vestido ou shorts, legs que não me sufoquem ao sentar, saias... Quem pode condenar alguém por querer ter um corpo que possibilite todos os usos de roupas?!

O problema é que no meu caso a genética não me favoreceu. Veja: meu pai é magro e não tem tendência a engordar. O mesmo acontece com o meu irmão, magro de porte atlético que sempre jogou bola. Isso, infelizmente, não acontece com mamãe, que era uma tripa seca em sua juventude e hoje... bem, hoje não é mais. As mulheres da família do meu são todas magras. As de minha mãe não. Meu irmão é magro. Meu pai é magro. Minha mãe já foi.

Todos já foram um dia.

Menos eu.

(E, sim, eu herdei a genética de mamãe - e não, não nunca como ela em seu tempo de ouro).

A verdade também é que depois de dez ano em dieta, na busca, lutando contra aqueles quilogramas que ganhei de volta, eu cansei. Cansei de ter de pensar no que eu como, de chorar toda vez em que ingiro algo em que não deveria, de ficar remoendo por longos cinco dias o meu final de semana. Cansei de ter de sempre lutar, de sempre controlar, de sempre ter de ser saudável, de ter de fazer exercícios físicos cinco vezes na semana porque meu metabolismo é lento. Cansei de tomar chás e mais chás para acerelá-lo. Cansei de ver a todos a minha volta conseguir o que eu sempre quis com a maior facilidade de todas (claro que não tão simples assim, afinal, todos sofrem em dieta).

E tudo piorou quando eu decidi ser vegetariana. E hoje não posso voltar atrás nesta decisão, porque estou feliz como vegetariana. E só como vegetariana.

Ninguém pode me culpar por querer ser como minhas amigas (sim, todas magras). Ninguém pode apontar o dedo na minha cara e dizer que eu não tento, porque todo dia é uma luta, e o dia tem 24 horas e, às vezes, à noite, não tendo nada para fazer, você acaba comendo (não porque quer, porque é assim que é) e tudo o que você fez naquele dia vai embora.

É como perder um jogo de futebol de virada nos cinco minutos finais do segundo tempo.

Não é fácil mirar e seguir nisso por mais de cinco dias. Não é fácil porque eu sei que, em algum ponto, vou desistir e mandar tudo pro espaço.

É estranho pensar em que todo mundo pode ceder aos impulsos e eu não. Todo mundo pode tomar bebidas alcoólicas e eu não. Todo mundo come e fica por isso - e quando eu como, me sinto culpada. Independente do que seja - independente se estava com fome.

Tem alguma coisa errada e eu sofro todo o dia por isso. Não há um único minuto que em minha cabeça não tenha um pensamento quanto ao meu corpo, a dieta, a alimentação, o que eu comi, o que deixei de comer, o que não corri... Não há. O espelho no quarto me mata a cada vez em que troco de roupa. As minhas roupas me matam a cada vez em as ponho.

Eu me mato a cada dia pensando no que nunca tive - e que é quase nunca terei.

Sinceramente não sei como nesses dez anos não desenvolvi algum disturbio alimentar. Talvez seja muita consciência para uma pessoa como eu - ou muita covardia.

Eu sou covarde e fraca.

You shot me down and I´m not titanium¹.

¹paródia com a música Titanium, David Guetta feat. Sia.

(Nem mesmo você, Amour, pode me culpar por ter odiado o show da Paula Fernandes por ela ser perfeita fisicamente, porque eu quis sair correndo quando vi a sua cara ao se deparar com ela vestida de preto).

31 de dezembro de 2011

Todos os anos eu escrevi - por que neste eu não iria?! Vou te dizer o motivo: porque me parece que vivi dois anos em um. Minha realidade mudou de uma metade para outra e sinto-me com 18 anos de novo. E eu nem tenho mais 18.
O que exatamente mudou? Não sei. Um ano a mais. E só.

2011 me encontrou em situações não muito boas e nem muito sérias, eram apenas situações corriqueiras de uma menina. E ainda são. 2011 me colocou em situações em que esqueci, colocou-me pessoas que carrego sempre comigo. E como ele vai terminar comigo? Com a notícia de que não vou viajar com a família e com certeza de nada.

12 de dezembro de 2011

Não adianta pedir desculpas, o que você disse naquela hora é exatamente a sua crítica para cima de mim. Eu avisei, não sei perdoar e isso com certeza ressoará dentro de mim por todos os anos da graduação (e farei o possível para você não se esquecer).

8 de dezembro de 2011

Sobre pássaros e gados

Cada vez em que você diz a ela que não, nós dois sabemos o que está de fato incluso nisso. O seu não não é negativa para ela (como haveria de ser se tudo nela implica o sim?!), mas é um traço forte de você mesmo, querendo provar a si que pode se negar para tentar não precisar dela e estar bem sozinho.
Você erra ali, quando pensa que o verbo certo é "precisar", como se fosse uma necessidade e única condição para validar a situação. Não é uma relação de simbiose, ela não vai te sugar e você não é menos sem ela. Vocês não morrerão se separados. Muitos são melhores sozinhos, mas é com ela que seu ápice vai ser atingido. O topo do mundo. O todo do tempo. O seu topo como ser humano triangular. Você não precisa. Você é uno.
E ela também.
É apenas mutualismo facultativo onde vocês dois, vivendo juntos, serão ambos beneficiados por essa experiência. Agora eu sei que você não reconhece nada disso que lhe digo - e vai demorar um bom tempo, até a iminência das lágrimas dela escorrerem por aquela face tão límpida e tão fulgurante de tanto que você a machuca, porque ela não entende o que eu vejo.
Ela acredito em que cada não é um não para ela. Ela sim acredita na protocooperação, em que vocês dois são sim o melhor um para outro e trarão benefícios de recíproca qualidade. Ela crê na felicidade em que você a envolve, e ela não o envolve nela também?!
Não diga nãos - ou até mesmo os diga, mas, por favor!, explique a ela que eles não são a contraditória dela, apenas sua; que você quer negar a si próprio para que ela não ache que deva sempre ser o melhor de você.
Ao mesmo tempo em que quer aliviar a pressão dos ombros delas, na sua imbecilidade de achar que isso é responsabilidade, alive os seus também.

Por favor.

ao ver casal brigando na rua.

5 de dezembro de 2011

Reason for writing anything.

Sou a personagem dela.

Estou o tempo todo ali dentro dela, relembrando de que é necessário terminar a história depois de encontrar um desfecho descente e apresentável. Eu sou o motivo dela buscar a inspiração entre árvores, poesias, frases, imagens e músicas, dela ficar ali parada pensando em como pôr, em como fazer, em como ser diferente. Sem nenhum mísero clichê.

Ela é a minha escritora e eu preciso me manter viva dentro dela, caso contrário, eu morro. Ela não, ela pode criar outros (como bem sei que tem feito por trás de mim) e ela pode procurar outros meios de vazão (mais eficazes que aqueles que eu lhe dou) e encontrar histórias melhores. Por isso a lembro todo o dia: eu sou a sua melhor personagem.

E ela segue me escrevendo, me moldando, me criando em novos aspectos para me amadurecer, me ver criar, me ver vingar em terras que ela julga secas demais. Esforço-me por ela, para ela não decidir abandonar as minhas páginas e começar outras. Ela já tentou, eu sei, criou bois e homens, criou anjos e diabos, criou vários deles, procurando personalidades que a satisfizessem - que reagissem da mesma forma em que eu reajo.

Mas ninguém será o que eu me tornei para ela - anos e anos sendo o fio que a liga com a imaginação.

2 de dezembro de 2011

Cada ser humano tem uma mágoa. Cada um carrega dentro de si um falso perdão, uma palavra dita não-verdadeira, uma significância oposta. Isso é uma mágoa. E mágoas maiores é quando se diz perdoar sem conseguir fazê-lo.
Vejo-o aqui, ao meu lado, posso saber exatamente como contornam seus olhos, dessa verossimilhança de verde e castanho que os meus não possuiram, encarando-me e perguntando o que é, porque não tem tempo para ficar sentado diante de mim quando muitos trabalhos se acumulam agora. Não tenho culpa, e às vezes nem você - mas o medo daqui não é o da pergunta, é o da resposta daí. E se você confirmar?! Onde vou me encaixar?!
Nunca fiz parte de nada em relação a você, mas agora me soa como ferida própria uma possível dor do outro (ou não seja isso realmente; essa desculpa é uma pretensão de compaixão, na verdade, é egoísmo, porque eu acreditava afinco em você). O outro me dói tanto que é meu também. Por que justo você que sempre me aconselhou e chamou-me a atenção para os buracos da vida?! Por que agora o vejo dentro de um e cavando cada vez mais fundo?!
O que deu de tão errado no seu princípio?
Olha-me nos olhos e diga de uma vez. E sim, a resposta vai me fazer julgá-lo. Eu não queria, não é certo - ninguém mundano deveria ser juiz e logo tão menos a mim. Você balança a perna, me chama de louca, de criativida, diz que acredito em tudo o que me dizem e eu explico que o seu comportamento me mostra que não é tão absurdo assim.
O outro me dói, meu caro, porque eu também já confiei e fui traída em mesma instância. Dói-me ainda mais porque, para mim, você era um deus, digno da verdade, da moral e da alma. Você era tão metafísico quanto as possibilidades.
Eu não sei o que você me diz, mas sei que você agora é tão mundano quanto eu - justo você que me parecia tão secular.

20 de novembro de 2011

I cannot walk beside you.

Você me abandonou.

Disse que seguraria forte em minha mão e abandonou-me na primeira esquina.

Deu-me conselhos de uma vida e frases já bem escritas, e deixou-me sozinha na próxima linha. Pois não gosta tanto assim de mim?! Não o vejo mais ao meu redor, não o vejo mais na mão estendida para me levantar quando escorrego... nem o vejo para rir de mim, chorar ou ignorar. Quem ignora antes viu. E nem isso você faz.

Você me disse para escolher um caminho, que para quem não tem rumo fica melhor para brilhar em um, e eu escolhi o meu e tô com medo mais uma vez. E você nem ao menos consegue perceber. Será que toda vez terei de ser eu quem vai correr até você?! Pedir pela mão estendida, pelo olhar de irmão e o tapa de amigo?! Que engano! Rá, rá, rá... você não é meu amigo. É meu irmão, mas não amigo.

Você me abandonou, e temo que seja porque desistiu de mim.

11 de novembro de 2011

Você soube ver o tamanho dos olhos dela?! Eu vi. Costumava ver todos os dias, aqueles dois grandes olhos brilhantes de sonhos. Ela dizia de árvores, livros e travesseiros, e eu via colinas, mundos inteiros, romances, dramas e a sua escrita. Sua cabeça sobre o travesseiro idealizando como seria, como "se fosse"... e vi de perto como não foi.

Os olhos eram de tanta grandiosidade que achava aquilo magnificência. E chegaram tão perto de o serem de fato que se afundaram no próprio "não ser". Eles não eram a realidade, os sonhos não seriam o agora, e tudo seria a mais bela fantasia da hora de dormir.

Ela tinha grandes olhos que se tranformaram em rancores.

Ela não sabe perdoar, porque quem perdoa não sente e ela sente cada amargura deixada.

Deixei-a com os olhos opacos e abandonei seu caminho, mas me lembro, sempre, de como eram, de como costumavam querer ser.


Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens.
(Legião Urbana, Tempo Perdido
- em ironia)

28 de outubro de 2011

Ao João José, aquele que se tornou o pintor do Rio de Janeiro.

Há quem acredite em que você apenas teve de ir embora, cumprir seu destino. Tudo bem, Professor, eu aceito a isso. Mas é verdade ou aquele trapiche ficou grande demais? A cara de Bala ficou chata demais?!

Dora, a pequena Dora, a mesma a qual você amou em primeira instância. Antes de todos.

24 de outubro de 2011

A verdade e a mentira que você conta em mesma instância.

Eu vejo as essas músicas, dizendo para um ex amante que a/o superou, que a vida tá melhor, que as fotografias daquele tempo já estão rasgadas e abandonadas em um lixo qualquer. Vejo pessoas escrevendo sobre a faxina de suas vidas, que rir do que se fez chorar é amadurecimento.

A minha teoria?!

Não. Isso não é superar ou sei lá como devo me designar a isso. Quando você realmente esquece daquela pessoa, tudo simplesmente passa e a última coisa em que se quer é jogar na cara do outro a felicidade. Quando a gente supera um ex amor, a gente segue em frente na felicidade em que se encontrou e não quer se lembrar daqueles tempos tempestuosos.

Isso o que se faz se chama vingança - ou desejo de provocar no outro o sentimento de perda/arrependimento. Se você ri do que te fez chorar, desculpa, mas você é um idiota. O que te magoo não vai te fazer sorrir um dia - isso é masoquismo. As feridas são cutucadas com a memória... quando você esquece, esquece e pronto, caso contrário, não é esquecer. Se você se lembra é porque guardou com muito afinco em si... Se você não consegue superar, deixar para lá e seguir sua vida sem jogar na cara da pessoa (ou até mesmo sentimentos e acontecimentos), então, mais do que nunca, está preso a tudo isso. Ao sentimento passado, ao relacionamento, ao movimento da sua vida daquela época.

Se você fracassa nisso, tudo bem, eu não tenho nada haver com isso. Ninguém tem - e ninguém deve ter. As batalhas internas não dizem respeito a mais ninguém senão somente a você. Mas não acredite na cegueira alheia - ou na burrice, falta de capacidade, perspicácia. Todos notam, todos veem. Se você mostra o apego ao passado, todos vão perceber.

São nos pequenos detalhes que se nota. Você sabe disso, eu também sei.

Você quer arrumar o seu canto porque lá dentro há coisas que te pertubam. E se você quer jogá-las no lixo, é porque você não superou os sentimentos envolvidos. Você saberá que superou quando olhar essas fotos e ver somente fotos, sem memórias, sentimentos ou acontecimentos. Pedaços de papéis.

18 de outubro de 2011

Tenho saudades do Sílvio.

De verdade. Apesar do meu interesse, ele fazia com que aula de literatura fosse uma publicidade gostosa, fazendo-me querer muito ler todos os clássicos, saber da vida de todos os autores, entender as fases da literatura, da arte, da história, da filosofia... O Sílvio me instigava a ler todos aqueles livros que eu não queria.

O sarcasmo dele era peculiarmente fantástico, dizendo em linhas claras com a sua fisionomia um pouco caricata por si só que sim!, Bentinho se excitou um o aperto de mão de Sancha. E depois de tanto tempo longe dese período, depois de 3 anos sem ouvir suas ironias, encontrei alguém que me fizesse sentir o mesmo.

Pernambucano, 43 anos, professor de literatura aqui pelas bandas do interior do estado de São Paulo. Não lembro o nome dele, muito diferente e muito rápido ao ser pronunciado pela fala rápida - mas o cara é um gênio. Em toda minha vida, Memórias de um Sargento de Milícia e Capitães da Areia nunca me chamaram a atenção, mas, depois da aula dele... cobiço aos meninos do armazén da praia num anseio de entendê-los, sentir em minha leitura suas faces, seus medos, suas intrigas.

O Professor (aqui sem vínculo nenhum com a obra de Jorge Amado) sabia tudo: história, literatura, sarcasmo e filosofia. Encantei-me. Apaixonei-me - e não entende porque não me entrego de uma vez para as Letras.

E que seja. Meu caminho não vai me bloquear para as minhas ciências humanas.