11 de abril de 2015

Por você

O equilíbrio de energia é tão tangível agora. Te vejo a cada segundo abrir um sorriso que bem eu sei - e consigo ler nessas entrelinhas esse pequeno instante em que ele te ganha na mente. Uma lembrança de algo que ele sabe que você é assim, desse jeito, singular que além de te fazer única como ser, te faz
única como conjunto. Um conjunto de coisas que a muitos é igual e junto em você é tão particular. Um particular momento de segundo naquela passado que você olhou e não viu o que ficou suspenso no ar. Seria o tempo isso? Mais que unidade, mais que físico, mais que universo, que vai se movendo e entendendo o invisível que ficou cravado e caminhou pelo espaço para chegar nesse instante?! Esse instante em que você recolhe a mão da mesa poque teme que o verdadeiro e legítimo contato mais íntimo de uma menina seja feito? As mãos são nossas magias. Com as mãos transferimos nosso cuidar para o físico, tocando e fazendo carinho, puxando alguém para caminhar junto com a gente. (Se ela estiver para trás, puxamos para apressar ou para não perder as pegadas; se ao lado, seguramos para sermos juntos. Se à frente, empurramos). Com as mãos secamos lágrimas, compadecemos, enchemos nosso coração de Amor e tocamos a face, o ombro... ou, ainda, trazemos para perto do peito num confortável abraço. Deixe ele segurar sua mão, querida. Deixe que esse invisível mais concreto aos olhos seja sustentado pelo tempo, se propague, dilate e se encaixe - e eu não me importo com o equilíbrio de força se você assim continuar feliz.

Para a Queridinha Indie
da minha vida

9 de abril de 2015

esqueci quem era

a gente esquece.
esquece que hora acordou, que hora foi dormir.
esquece do sonho assim em que se levanta,
esquece que foi embora,
que horas era a psicóloga.
esquece do que comeu
e tem gente até que esquece se bebeu!
a gente esquece do presente, do aniversário, do restaurante em que a gente foi naquela noite, do passado.
esquece se já foi, se não voltou, se deveria nem ter ido.
esquecemos das piadas, das risadas, das palavras viradas.
e eu esqueço de você.

progressivamente.

um pouco mais de esquecimento para um pouco menos de sentimento.

6 de abril de 2015

"Uma vaga promessa da certeza de que futuro nos encontrará juntos"

É uma segunda-feira repleta de emoções, minha cara. Sei que a amo e sei que não a tenho. Pois bem, meu querido, também sei disso. Um coração que explode ao mínimo toque dos seus olhos dentro da minha alma não pode ser um sentimento preso ao tempo. Precisamos de mais espaço, de uma dilatação. Precisamos de algum resquício de certeza de que outros tempos, para nós, então virão. Você consegue sentir minhas mãos? Suam quando você se aproxima... E eu danço ao seu lado para que você me veja no ar em que respira, para que me sinta nesses olhos que tanto sei de cor cada traço de cor. São castanhos os meus, querida, e assim são os seus - e tão diferentes eles nos fazem ver. Te vejo numa roda de ciranda procurando a minha companhia. Te vejo perdido sem a mim em seus dias. São longos. Não somos agora. Tem espaço para tudo, meu amor, tem espaço para uma vida, mas agora - e você me sorri enquanto eu choro sem perceber - não há dilatação de nós. Precisamos ser únicos a sós. Mais do que ambos possamos imaginar.

Para vocês,
meus queridos.

31 de março de 2015

Cartas de um Futuro Bom

Sabe, Filho,

essa dor aí uma hora passa, viu?! Vai durar ainda por alguns dias e haverá outros em que você se sentirá estranho porque todos aqueles sentimentos não existirão mais. Uma vaga lembrança. E aí, se você for como eu, vai poder analisar a situação e ter conclusões lógicas e lineares, mas já aviso de antemão que podem demorar alguns anos, como uns 5 ou 8 anos.
Eu sei, é muita coisa, só que outras tantas coisas acontecerão com você nesse período - e tudo bem se você não estiver atento. O que nos é importante sempre brilha mais aos olhos desaguçados.
Filho, hoje você é jovem e assim o será por muito tempo, mas conforme nós caminhamos nessa juventude, vamos aprendendo qual pedra deve ser atirada e quais delas devem ser guardadas. Existe uma natural evolução nesse negócio de ser jovem. Aos 15 somos muito jovens e todos os sentimentos à flor da pele, queremos nos entregar de cabeça em todas as relações - amizade, amor, sexo, família, lazer - e, depois, a gente mergulha em outras - futuro, planos, faculdade, trabalho, dinheiro. E, sim, visamos o encontro com aquela pessoa, aquela única pessoa que nos fará ser exponencialmente melhores do que já somos. Aquele ser unique que nos fará transbordar e nos ensinará a ser cautelosos em nossos riscos. Por que ela vai nos travar? Não. Porque aprendemos a ser prudentes para não ferir o outro.
Não ferir seus sentimentos. Suas expectativas. Sua liberdade.
E isso não é se anular, querido. Isso é perceber a amplitude do Ser. O quão grande somos quando encontramos o par - e se em algum momento o sentido disso tudo acabar, quando você não mais se ver transbordando, apenas tentando chegar no limiar da felicidade, então tudo bem recuar. Tudo bem dizer que não tem mais motivos; você pode mudar a direção sozinho. Sim, às vezes pode ser que o outro saia ferido, mas que sentido há quando não mais dão as mãos porque querem, e sim porque é convencional?
Seja feliz, meu Filho. Aproveite cada etapa, cada caminho, cada escolha. Batalhe, sim! Mas não se permita a infelicidade por uma promessa de que o objetivo será seu auge. Quando atingimos algo, procuramos outros - e se assim somente for a felicidade, então nunca seremos felizes. O ser humano não foi feito para estar satisfeito durante a vida.
Minha satisfação é ver você e seus irmãos crescendo e se realizando, sendo gente com os outros e gentis. Seja gentil, meu Filho.

27 de março de 2015

Da potência de estar com você

Devo dizer que eu odiava a grama, aquele Sol forte na minha cara e aquele monte de bichinho que chegava perto da gente. O pinicar debaixo das minhas costas, as formigas que eram atraídas pela nossa comida e ficar sem sapatos perto de você. Meu cabelo que ficava sujo, minha roupa que ficava cheia de grama, suas costas que ficavam cobertas de lama.
Odiava com todas as forças.
Com toda a leveza dos seus dedos passeando sobre os meus cabelos. Com toda delicadeza do seu respirar debaixo da minha cabeça, com todo o aconchego que você fazia meus olhos se fecharem. Com toda a paz que sua voz me dava, com aquela melodia que a gente cantava, com a sua tácita adimiração em me ver entretida com uma revista que você julgava chata. Com toda atenção que me dava quando eu falava do Francês; com todo calor que me fazia sentir só por me falar, ao pé do ouvido, que eu era demais - por todo o mês.
Com todo o calor que me fazia aquecer mesmo em dias de frio, mesmo em noites quentes, mesmo em tardes amenas.
Devo dizer que te amava com toda a intensidade que você me olhava, com toda a propulsão de correr quando você não mais estivesse ali.
Corri sem nunca olhar para trás.

24 de março de 2015

Sobre o que adiante nunca vai acontecer

A gente se topou meio em tropeços numa tarde já meio fria daquele meio de junho. Em meios há tantos anos já passados. Fiz as contas meio por cima, meio que para saber se você já estava meio que perto daquela idade que outrora eu tivera quando nós dois, ambos, meio que nos gostamos. A sua barba ainda era meio rala e podia ver meia tatuagem sua escapando pelo braço. Seu cabelo estava despenteado inteiramente igual àquele tempo. Meio estranho que você ainda me parece meio com aquele garoto-homem que tanto me pôs no meio dos meus preceitos.
"Tô sem tempo, super atrasada, mas, toma" estendo o cartão "me liga, por favor".
Estranho que você ainda continua meio que ansioso e, sete passos depois, meu celular começa a tocar tanto freneticamente que eu esqueço que tô partindo.
Anos voaram e alguns outros entraram aonde você meio que estava. Onde exatamente você estava enfim? Meus planos, cumpriram-se todos e tenho meu nome em alguns livros, alguns artigos e até escrevo mensalmente em um jornal. Corro de canto à canto para dar conta da agenda, minha casa fica fechada a maioria dos dias da semana, meu gato hoje mora com os meus pais e sinto no olhar dele o ressentimento do abandono. Meu cachorro já não: se abana todo para mim, querendo me lamber, me morder, me pôr debaixo de suas quatro patas quando chego para levá-los para casa.
Não, meu caro, não casei, não namoro, tenho alguns pretendentes. Fechei-me dessa vontade quando te vi me partir e me deixando no meio termo de uma relação que prometemos ser promissora.
Mas tudo bem. Eu meio que sei lidar hoje com toda essa carga sentimental, e às vezes eu meio que lembro de você e meio que imagino em que ponto dos seus planos você deve se encontrar. Achou a garota certa no momento certo? Porque essa garota certa aqui, hoje já mulher, hoje já estabelecida, continua no momento errado no seu time de vida. Não, ainda não sei jogar sinuca, mas me entretenho ainda mais com Sudokus e problemas de lógica. Tenho estudado Física Mecânica para meu próximo livro e hoje já sou faixa preta em jiu-jitsu, além de também pintar, desenhar e rabiscar algumas paredes do apartamento.
Desculpa, mas eu meio que tenho pressa. A vida me pôs a pressa que eu quis tirar de você. Agora vou assim, de aeroporto em aeroporto, de cidade em cidade, meio que tendo uma meia-vida, meio que conseguindo um meio tempo, meio que fingindo que ainda falta alguma coisa.
Bonita a sua tattoo.
Passe bem.

22 de março de 2015

Um segredo.
Guardar tão profundo que ficasse longe da zona atingida das expectativas.
Trancar tão no íntimo que ficasse longe da minha própria influência.
Um segredo em rota de colisão.

20 de março de 2015

Are you okay, Annie?¹

Estive pensando sobre a gente e em como tudo mudou.

A mim não parecia haver mudanças; era como se conseguíssemos, ao longo de todo esse tempo, ir aumentando e afrouxando o cotidiano e a amizade. Como se fôssemos hábeis o suficiente para tornar qualquer eixo de mudança nossa nova zona de conforto.

Só que longos anos se passaram, outras pessoas surgiram e se fizeram tão importante quanto e nossos encontros se tornaram sazonais, às vezes quase que antecipados a um eclipse. Raros acontecimentos da natureza. O eclipse, a gente junto, a gente andando no mesmo compasso da vida.

Em muitos momentos vocês estiveram alguns passos à minha frente e mudaram de direção sem nem ao menos esticarem as mãos para me puxarem. Bobagem a minha pensar em que vocês deveriam me levar junto. Ingenuidade a minha acreditar em que sempre teríamos os mesmo caminhos.

Hoje um ponto a mais se abre e se ilumina diante de mim e entendo, na taxa absurda de compreensão imediata, que nada é assim. Um tempo-espaço-realidade foi então necessário coincidir para que todos nós nos conhecêssemos, rirmos, chorarmos e criarmos a mutualidade tácita da lealdade profunda. Foi necessário apenas um instante na vida de cada um para que ocorresse a improvável colisão de vidas e invariavelmente a aceitação intrínseca para ficar.

Um único instante dentre tantos que acontecem na vida de todo mundo a todo segundo para que a amizade fosse laçado, entrelaçada e atada. Pois, atamos. E só isso. Nada mais é necessário para que ela prossiga. Hoje não precisamos mais de espaço físico rotineiro. Não precisamos mais de dia-a-dia para saber se estamos em mesma instância bem.

O caminho em trilhas separadas gera a diversidade de momentos que nos fazem livres para seguir longe, bem longe, mas ligadas sempre por aquele instante hoje já perdido nos nossos 10 e poucos anos. Lembram da nossa prepotência? Das nossas certezas acerca da Vida, Homem e Liberdade? Álcool, Meninos e Nós Mesmas?! Das nossas metafísicas tão óbvias, certas e retas?!

A Mudança começou aos poucos e fomos nos moldando a cada uma dela. Em alguns momentos eu estive lado a lado, em outros, para trás e hoje em outra direção. Vejam: estou seguindo para aquele lado, ok?



¹ Smooth Criminal, Michael Jackson - ao som de 2cellos.
Photo from weheartit.com

17 de março de 2015

About Hawking

"...era exatamente assim. Você me apertava aos poucos pelos olhos e me consumia num ato só até me minimizar a um único ponto sólido no espaço. Fazia assim sob a chance de sentir o puxão, a gravidade em sua máxima que atrai tudo ao seu redor para um único ponto sólido. Você me diminuía... não em minha personalidade, pensamentos ou coisas parecidas. Não era negativismo. Não era abusivo.
Era físico. A Física. Você e eu entrelaçamos essas nossas metas para que orbitássemos sempre um no outro, um sugando o outro para dentro de si.
Você e eu nos fazíamos, mútuo e silenciosamente, buracos negros".

16 de março de 2015

É uma avalanche.
Você ainda não sabe porque são os pequenos e miúdos flocos de neve que descem pela encosta.
É uma avalanche.
E você não sabe porque não vê o rolar de acontecimento em concordância.
É uma avalanche,
Porque eu vejo grande. Vejo o que tudo isso pode vir a ser.
Tornar-se.
Eu sou a avalanche.

7 de março de 2015

Say Something: I´d have killed both of us.

Preciso contar uma coisa. Uma coisa que eu não deveria contar - nunca.

Você se livrou de uma espiral de coisas profundas e devastadoras. Você se livrou de um karma que sabe Deus por que existe. Você se livrou de uma bagunça danada, de uma bagunça que não tem nem como arrumar.

Uma bagunça obsessiva.

Eu ia te engolir junto, te colocar lá no fundo e te asfixiar. Eu ia arrancar o ar de seus pulmões e então te colocaria na mesma posição - te abandonaria pouco a pouco porque preciso me sufocar sozinha e aquele espaço você já teria tomado.

Eu te livrei de morrer da pior forma - matando seus sentimentos um por um, e distanciando os meus para uma coisa ruim. A autodestruição, obviamente, pertence só a mim - e faria tudo isso para que ela voltasse a ser só minha.

Te livrei de mim.
Assim é melhor; acredite.

15 de fevereiro de 2015

"... as mãos dadas que não demos tantas vezes e eu podia sentir seu frenesi fluir pelos dedos longos. E finos. Você odiava tudo aquilo, aquela formalidade desenfreada de pessoas amantes e enamoradas. Você queria algum tipo diferente de romance que não envolvesse segurança, mãos dadas e olhares de cumplicidade. Você queria o jogo. A defesa, o ataque e a tática. Queria o mistério, o enredo e os detalhes. A imagem caótica repleta de objetos e tentativas vãs de encontrar algo diferencial. E eu só queria poder fazer aquilo: segurar sua mão, mesmo com todos os seus êxitos em se esquivar."

29 de janeiro de 2015

Eu sabia que ela gostava de mim.
Sabia porque ela segurava minha mão tão rápido quando assistia aos filmes românticos que me distraia. Seus dedos longos cingiam a minha palma com tanta delicadeza que sentia ali, pelo leve movimento circular de seu dedão, que ela gostava de mim.

Sabia porque ela se emocionava. Muito. Quando qualquer casal perto de nós fizesse qualquer gesto de carinho - e imediatamente meus olhos buscavam os dela só para vê-los marejados e seu sorriso expandir e, invariavelmente, eles estavam me encarando com um brilho especial. Ali eu sabia que ela gostava de mim.

E também tinha o fato de ela saber de cor cada gosto meu e ter uma criatividade infindável para me apresentar cada coisa de uma maneira nova, com o mesmo sorriso, com o mesmo olhar fulgurante, com a mesma mania de me dizer, instintivamente, que gostava de mim.


19 de janeiro de 2015

26 de dezembro de 2014

Abaixa a sua bola que eu não caio nessas suas armadilhas.
Abaixa o seu nariz que as suas palavras sempre soaram camufladas para mim
- e,
por favor,
pelo seu bem e pelo meu,
não direcione qualquer julgamento.

Você não
tem nada haver com os fatos,
com as ideias e
nem direito algum de levantar suposições.

Não sei o que foi.
Não sei se foi assim,
se foi assado,
se foi Deus.

Não engulo,
não digiro,
não vou ser companheiro.

Ao meu lado não tem espaço mais.

Acabou
- e faz tempo.

Vire as costas
 e segue seu rumo
 bem longe de mim.

14 de dezembro de 2014

Deixe-me esclarecer uma coisa antes de continuar com essa falação toda:

eu fechei a porta.

Quando saí por ela, não a deixei aberta para que todos possam entrar e sair ou ficar parados no batente dela. Eu fechei. Ninguém sai. Tão menos entra - e já impossibilitei a terceira opção. E, para ser extremamente sincera, não fechei ninguém para dentro: deixei a todos do lado de fora, e ali permanecerão enquanto eu quiser.

Não deixarei ninguém invadir meu espaço e nem me forçar a sair dele. Eu prezo ele. Eu gosto. Eu protejo. Eu mordo. Luto com unhas e dentes e olhares malignos.


Ninguém entra, ninguém mais sai.

1 de dezembro de 2014

Dear,

tem todos esses pores do Sol que presenciamos.
(Cada qual de seu lugar.
Cada qual do seu).

Temos todas essas coragem, de correr um longe do outro,
nesse eterno pega-pega de olhos vedados.
(E vamos correr ainda mais,
porque minhas aguentam.
As suas são mais compridas).

O que faremos quando acabar?
O que será de nós quando nos alcançarmos?
O que seria de nós
se nada disso nunca tivesse acontecido 
(Necessidade)?

De desespero.
De um amor.
De um olho coberto (por uma árvore, um vento, um sopro e uma folha).
De um. Ao outro. Reto. Quieto. Casual.

Tem Sol aí?
Aqui tátudo iluminado.
Tátudo coberto de nós.

Vem aqui ver.

Ain´t nothing here to "all in"

Vamos fazer isso direito.

Você precisa deixar que eu entre, domine e te faça meu império particular. Não temos outra opção caso realmente queira que as coisas aconteçam de forma linear e correta. Você precisa me deixar tomar essas rédeas e, aí, você dorme. Deita a cabecinha no travesseirinho e dorme.
Eu sou o melhor para este cargo, e a frieza pode enxergar muito além. Vamos deixar a paixão de lado por um segundo e olhar somente os fatos, sem esse brilho excessivo da concorrência (que, verdade seja dita, me enjoa). Vamos analisar tudo pela probabilidade, aumentar a aposta quando for conveniente e sem causar qualquer expressão facial de euforia para não estragar a rodada.
Esse sorriso nunca é bom. Você precisa se despir dessa ansiedade e dessa vontade tempestuosa de querer ser sempre a mais limpa das verdades.

Isso estraga o charme.
Estraga a brincadeira.
Rompe as estratégias.

Seremos, a partir daqui, um único profissional, unidos e sob o meu comando.

Isso. Obrigado por me deixar entrar. Agora vamos às cartas.

26 de novembro de 2014

Doutor,
não vim aqui para fazer a triagem. Minha fisiologia anda bem, obrigada, então não é ela que me dói. Estou dando murro em ponta de faca e não enxergo os cortes. Estaria eu cega e me vejo do jeito que quero e não do jeito que sou? Dói cada vez, sabe, em que ando, respiro, visto e saio. Dói levantar. É, acho que é bem aí, nessa região do espelho em que você apontou.
Dá para fazer parar de doer?
Não sei qual o motivo disso tudo doer, nunca foi uma dor tão aguda como é agora, sabe? Ou seria já crônica? Acima de 40 dias já pode ser considerado crônico, não é? Então é; já é crônico. Se o senhor não cortar ou me der uma droga, eu vou cortar, entende? De uma maneira, ou de outra.
Acho que o senhor está pensando coisas erradas: não é uma tendência suicida. Não precisa alarmar a ala da psiquiatria. Na verdade, muito pelo contrário.
É tendência homicida.
Então... o senhor vai fazer parar de doer? Porque, cada dia mais, as facas estão ficando cada vez mais afiadas, Doutor. E dói, como dói, olhar o espelho através dos olhos e línguas dos outros. É fisiológico, eu acho.

12 de outubro de 2014

Te olho, te intimo.

For Love

Tem algo de muito íntimo no olhar sustentado. Significa, imediatamente, que vocês são focos opostos. Significa que, apesar de direções contraditórias, o caminho para se chegar até lá é o mesmo. E não se engane, garota, esse salto aí dentro do seu peito é o seu coração bombardeando mais sangue do que o normal. E esse calor e essa falta ar que não condiz necessariamente com o seu coração... tudo isso é resultado do interesse da troca daquele olhar.
Vá com calma, beba um pouco da sua longneck e respira mais fundo. O olhar durou o quê?, 5 segundos?? Não vamos pôr todas as fichas em 5 segundos. Desacelera esse coração e muda a direção do olhar - e tira esse sorriso do rosto e o rubor, por favor.

Vamos fazer isso como um especialista.

Vá dar uma volta, fingir que foi algo que às vezes acontece mas seu cérebro não gravou a informação - e pelo amordedeus, para de ficar virando a cabeça para trás para saber cada passo dele. Erga levemente o rosto e vá retocar o batom; não que ele tenha notado, mas ajudará aos outros repararem. Essa cor combina com você. Queremos que cada pescoço se dobre ao seu passar. Alinhe os ombros, passe as mãos sobre a saia do vestido e se olhe no espelho.
São ordens.
Faça-as.

Respire fundo mais uma vez e grave a sua imagem na sua mente: você é linda e está linda. São duas condições extremamente favoráveis. Você sai do banheiro de cabeça erguida e passando os olhos com cuidado sobre cada um, um leve indício de flerte, que seja, mas nada sério. Você apenas caminha.

E ele te olha. Mais 5 segundos e ele imprime a sua imagem na mente dele. O peso desse ato é o que está sobre as suas costas e depois o sussurro  bem perto do seu ouvido. Uma voz de timbre grave que te limita ao ato involuntário de engolir em seco sem o deixar perceber. Você se vira um pouco apenas para permitir que ele entenda que você sabe que ele está ao seu lado e sorri um pouco. Mas muito pouco. Só para ele saber que ele talvez tenha a sua atenção.

Ele se aproxima mais um pouco e toca a sua cintura. A mão dele é capaz de cingí-la e capaz de fazer essa corrente elétrica se expandir pelo seu corpo. Corpo. Parece que todo o seu corpo está te traindo porque ele revela todos os sinais de que sim, ele tem toda a sua atenção. Os dedos dele descobrem a parte nua das suas costas e ele os leva até lá para aproximá-la só mais um centímetro para sussurrar novamente ao ouvido e poder tocar a boca por um ínfimo momento perto do tragus.

Você vai arrepiar.

Eu sei disso.

Ele também.

E agora você.

Son of a bitch.

O calor sobe pelo seu corpo e atinge seu pescoço. Ele passa os olhos sobre os seus, sobre o seu nariz, sua face corada, e admira seu batom. Sua boca. O ínfimo sorriso desesperado que você solta, alegando que ele tem a atenção, a curiosidade e a vontade.
Lavo minhas mãos e te entrego ao modo operandus. Você passa a língua sobre os lábios, ergue a cabeça e se aproxima então do ouvido dele, e quando o faz, ele aperta levemente os dedos sobre a sua pele e com a outra mão tira seu cabelo do ombro e lhe beija o pescoço.

Outra regra: se entregue. Vá, faça, deixe.

27 de setembro de 2014

Compro os livros porque gostaria que fizessem isso com o meu se um dia isso vier a se concretizar.
Seja o nome, a sinopse, a capa, o meu nome. Leva ele com você: leia-o, guarde-o, mas leve, por favor. Eu levo todos. A maioria eu guardo, mas são meus.

Leva o meu para torná-lo seu também.

26 de setembro de 2014

Sobre "Encontro Marcado" de Fernando Sabino e Sobre o que eu não deveria ter lido.

Não deveria ter lido esse livro.

Pelo menos não nesse momento.

Me sinto tão como o Eduardo mas sem a epifania no encontro consigo mesmo. Talvez seja porque não cheguei nesse ponto ainda. Tô ainda aqui colhendo o fruto maduro e assistindo a todos os dias, perdendo as nuances das modificações, ele apodrecer em minhas mãos. Só o verei podre, sem saber como esse processo se deu.

Eu também fico a espera e fico inquieta achando que sou escritora e que entendo das coisas. Que coisas que eu vou lá entender?! Não me falem de comida e dieta, não me falem de política. Me falem de vocês, da vida - mas do que passou, por favor. Qualquer toque de entusiasmo pelo futuro também me enjoa.

O Eduardo vivia tudo muito rápido. Não que eu seja assim - eu não vivo. Sou expectadora, só fico vendo, sem participar. E eu tô falando da minha própria vida - e essa inversão de velocidade acaba nos unindo no mesmo ponto. Ele teve uma vida bem dificultada até onde nos é apresentado, depois eu não sei o que aconteceu. Queria fazer algo grandioso - ser grandiosa, ser capaz de simplesmente saber das coisas; ser capaz de simplesmente fazer as coisas. Processo de imaginação bem limitado. 

Eduardo tentou ser o filho pródigo, mas quando voltou, não tinha mais ninguém esperando por ele. Eu não sou o filho pródigo, nem saí! Nem coloquei o pé fora de casa, mas a inquietação talvez seja muito semelhante - semelhante a quase todo mundo mesmo anos depois. Sou só mais um jovem inquieto e mais um que vai acabar fazendo coisas que não quis. Bem infeliz.

23 de setembro de 2014

De repente o dia ter vinte e quatro horas ficou cumprido demais.
Não acaba nunca.
Ele se estende tanto
e mesmo dormindo
ele fica comprido.
E nunca                    
cumprido.


22 de setembro de 2014

Vai me cansando
escorrer entre os humores.
Driblar essa falta de emoção
- boa -
e reproduzir para escapar.
Reproduzo para blindar.
E cansa que a energia deveras
vem de dentro
e nunca de fora.
Se não explode no ímpeto
como há ser na superfície?
Me canso fingir que não me aflige
cada certeza; na verdade miragem.

21 de setembro de 2014

Se eu simplesmente colocar as palavras aqui... jorrar sem me preocupar com nada. Sentido. Ordem. Apenas escrever.
Felicidade demais é um o primeiro indício de que Tristeza chegará.
Não saia por ai dizendo que as coisas são fáceis e somos nós quem as tornamos difíceis.
Não digo por aí o que está aqui.
Difícil.

16 de setembro de 2014

Organização não era o forte dela e tão menos conseguir distinguir o que de fato era importante. Foi assim com o quarto, foi assim com os namorados. Simplesmente não possuía a habilidade de foco e importância, tão entrelaçados e fugitivos dos dedos dela.
Fugir de casa estava se tornando mais que uma decisão: uma movimentação sem fim de planejamento de um projeto que, até agora, se nada mais fosse somado a tudo aquilo, precisaria de um carreto.
E grande.
E, bem, fugir de carreto não é bem algo que se tem em mente - e não dá para sair na surdina com um carreto estacionado na frente de casa.
As roupas estavam dispostas sobre a cama, as bijus que precisaria, o cofre com as economias, os sapatos - por que mesmo precisava levar salto alto na fuga?! - os tênis, casacos de frio - um para cada tipo de roupa, e aquele de couro sintético definitivamente a deixava mais bonita, - o celular, o laptop, fotos, bolsas, agenda, hidratantes - afinal, só queria fugir de casa, e não virar uma mendiga!, - e a parte mais difícil: os livros.
Coméque levaria todos os livros? Poderia deixar os de história... mas gostava de vez em quando de lê-lo, ou quem sabe os de histórias juvenis - mas ela ainda gostava tanto! Os clássicos! Eram chatos, difíceis de ler, tão longos e... bufou. Tava tentando convencer quem com aquele argumento?! Pensou em outro plano. E se eu estivesse indo a um mochilão? O que eu levaria?
Levaria quase nada porque sabia que ia voltar para casa depois, onde todas as suas coisas estão... O que mais o carreto poderia levar?! E aonde manteria tudo aquilo? Caminho pecaminoso aquele, se continuasse por aquelas vias de raciocínio desistiria de fugir. E por que mesmo estava fugindo? Eita, este não é o foco! Estou fugindo e pronto! É uma decisão, e não resultado de um questionário. Mas e os pais? Os irmãos? Se fugir implicava sair sem avisar e sem saber por onde, como manteriam contato? Não os veria mais?
Hmm
Praticidade também não estava dentro de suas virtudes. Não queria fugir, só queria se esconder... ou viver de uma forma que não precisasse de decisões definitivas. Como fugir, como o que levar, o que deixar para trás... Dissuadiu-se. Ficaria. Levaria tudo consigo só que no tempo. As coisas caminhariam, então, juntas e desorganizadas e todas cumprindo suas significâncias.
E as pessoas: os pais estariam juntos com ela, fugindo pelo tempo sem perceber - afinal, viver é fugir. Você sai do tempo anterior sem perceber e quando viu o tempo posterior já é agora e que já fugiu.
Decidiu ficar.

2 de setembro de 2014

Seus 16 mais uma outra vez.

Você é jovem.
Muito jovem, mais jovem que eu - e eu me acho jovem. Então você pode até acreditar que pode se rebelar, chutas essa porra toda e preencher seu precioso tempo de pessoa mais jovem com o que bem entender. Só que não.
A vida não funciona assim.
Não podemos ignorar as responsabilidades de agora - que, veja, nem são tão pesadas assim - para fazer o que achamos que é o que a nós queremos. Caráter não se constrói só em atitudes para com os outros; se constrói também na soma diária de atitudes que fazemos por nós, e arcar diretamente com a nossas responsabilidades é um dos principais traços do alicerce do Caráter.
Você só tem uma responsabilidade séria na sua vida agora: estudar - e você nem precisa fazer outras n coisas como praticar o inglês, se dedicar a um time ou esporte, fazer outras atividades extra acadêmicas que tornam seu dia uma coisa quase sem fim. É só estudar - e se hoje você não tem interesse porque viu tudo antes já, a culpa é unicamente sua, e porque deu errado antes você tem a obrigação de dedicar ao dobro a isso tudo.
Você é jovem e acha que são os amigos a única coisa importante da vida, mas não. As partes importantes da vida são aquelas em que você faz de base para você mesma. Os amigos também são importantes, sim, mas analise: seus amigos conseguem administrar o tempo deles e nem por isso deixam você de lado.
Ser responsável não implica falhar consideravelmente com os amigos. Muito pelo contrário, porque amizade também é responsabilidade.

Desabafo.

12 de agosto de 2014

A verdade declarada, de muitos escondida e de poucos percebida, é que, da vida, uma só vertente petrificou. Se você corre na minha frente, vou querer te ultrapassar - e se não conseguir, nunca mais volto. Ser competitiva, e isso é uma mentira, faz mais mal do o contrário.

4 de agosto de 2014

Existe.
É forte assumir que existe porque existir requer ter plena noção de que a coisa é e está mesmo sem a minha percepção de que ela é e está.
Então
ela existe.
E ao criar a percepção e consciência,  transcendendo os sentidos e atingindo a consciência,
ela se torna grande.
Grandiosamente existe.

22 de julho de 2014

Grande De(sperdício)pressão

A imagem em si se perdeu, e o momento, as coisas, as vidas e tudo o que cercava aquele tempo já passado. Nada ficou. Nem o sentimento. Nem a lembrança. Nada. Triste? Não. É o que acontece. Mas uma coisa ficou, ficou aquela poesia de palavras bonitas que hoje são personagens avulsos, sem quaisquer vínculos com nada desse mundo. Personagens que foram criados, moldados, recortados e aperfeiçoados, sendo melhores que tudo que se possa existir. Que todos que existem hoje no mundo. Essa é a maior qualidade de um personagem; ele vai, com toda certeza, agir de acordo com a vontade do autor e de seu criador - sendo estes o mesmo - e uma completa incógnita para quem lê.

Criá-los e mantê-los apenas à mente é cruel.

8 de julho de 2014

Sobre David Luiz_4 e nada sobre a copa.

No Instagran e no Facebook, eu seriamente tentei controlar minhas palavras para não deixar muito pessoal e íntimo. Aqui, sendo meu blog, posso, eventualmente, escrever sobre assuntos meus.

David Luiz,

já escolhi ignorar cada palavra sua dita nas últimas horas, até mesmo aquelas em que todos ovacionaram. O motivo é tão simples que chega a ser banal ter de escrever: você, meu caro, não precisa pedir desculpas por nada. Você, David, não é culpado pela excelência da Alemanha em 2014. A culpa, se esta tem mesmo de existir e ser designada a alguém, não é sua, não é do colombiano, não é de seus companheiros. Para mim a culpa também não é do Felipão.

Simplesmente não foi. Os 7 gols tomado são consequências de uma outra coisa, de uma seleção que soube ler com maestria cada passo nosso e sabia de cor cada defeito. Acontece. Que sirva de aprendizado - heróis fazem isso, aprendem, amadurecem, aprimoram, aplicam. Você é um herói - e a prova disso é que criança gosta do herói. O mundo torce pelo herói. E o herói é bom.

Você, David Luiz, é um homem bom - inerentemente bom. O mundo inteiro viu seu caráter, sua personalidade forte, suas atitudes para sempre com o outro. Acho sim que são características de bondade, sem mencionar a sua grande gratidão para com Deus e para com todos. Se tem uma pessoa que merece todo o prestígio que essa copa trouxe é você - e você merecia o título, e, ao meu ver, levou um título de amigo. O grande amigo.

Não vou me lembrar de você chorando. Não vou me lembrar da sua mão batendo no peito em sussurros de desculpas. Gosto de você comemorando o gol, chutando a bandeirinha e fazendo um efeito na bola que ninguém soube como - gosto de você abraçando o Júlio BuzzLightyear César e batendo no peito dele dizendo que ele é o cara, e, a cena mais clara que mostra como David Luiz é: o respeito máximo pelo James Rodríguez. Gosto do David Luiz sendo David Luiz.

Genuinidade à parte, eu acreditei sim e defendi sim essa seleção. Me entreguei para esta copa e para estes meninos como há muito nunca fiz - então, esse grupo deve ter algo de especial por fazer pessoas que nem gostam de futebol assistir, torcer, rezar e jamais agourar o adversário, apenas esperar pacientemente para que todos caiam sozinhos em campo para que ninguém leve um cartão. Algo de muito especial.

Acho que todo mundo julgou muito mal ao esperar que cada um que entrasse em campo hoje fosse um Neymar. Que tolice! Só o Neymar Jr pode ser o Neymar Jr. Ninguém me perguntou qual jogador eu queria que predominasse... eu teria escolhido um David Luiz, um Júlio César, um Dante, um Barnard, um Oscar, um Marcelo... entende?! Um time não é feito só de camisa 10 - ainda mais em um time em que o camisa 4 carrega em si o dom de ser iluminado.

Espero que a torcida que vibrou e gritou não estigmatize a seleção, não finque marcas e nem imponha culpa em quem não têm. Espero sim ver você, David Luiz, aplaudido pelo mundo por tudo o "quem" é; espero sim que o Neymar seja o craque por muito anos ainda. Espero que a filhinha linda do Oscar veja no mínimo mais uma vez seu papai defender a camisa amarela como fez. Espero ver muito a cara do Marcelo em qualquer vídeo engraçado do youtube com a camisa amarela.

Eu espero você e os outros na próxima, completando o sonho de todos e jogando na final de maneira estratégica e tática como a Alemanha fez hoje.

Livres de qualquer promessa.

Espero.
 
fotos de @davidluiz_4

26 de junho de 2014

Eixo Focal

É que tem barulho, tem carro, tem Sol - Sol? É, Sol - e eu nem estou falando do que acontece lá fora, embaixo e e cima do prédio e sobre o que envolve o todo. Talvez sobre o Todo envolvente até seja, mas não externo. Não tem como sê-lo. É tão interno a necessidade de um chamado, um grito que ecoe na consciência mas que, por favor, não venha com o som da minha voz de pensamento.

Eu não gosto muito dela. Não parece como coisa séria, digna de atenção em momento críticos. O Sim e o Não. Estranho que a ordem natural da escrita seja assim - a probabilidade do acaso sempre coloca o sim antes do não no texto, um ímpeto de acreditar que somos tão corajosos? Falsa crença de que o Sim é sempre a Coragem? Que perda de foco, menina. É Não e Sim na cabeça. Sem relacionar a coragem de ambos. Quero fazer isso agora! E procrastina... em nãos tão bem camuflados que convencem.

A Voz diz que não, que deveria fazer, diz que os planos são ótimos. E o corpo diz que sim, vai dormir, vai esperar... a vida passar, as coisas acontecerem, o Destino vai aparecer. Se assim Ele o for mesmo. Se a Aleatoriedade bater à porta e à cara antes, bem, quem diria?! Teria sido a Voz avisando?

Acho que me perdi na linha de raciocínio do barulho, dos carros e do Sol. Sol? É, do Sol.

16 de junho de 2014

Sem(tido)

Você falava de sentido.
A mim soava como um rumo,
uma significância maior
sobre tudo o que éramos.
Pobre de mim,
que perdi a noção dos sentidos
- e não te vi,
não toquei,
não disse que te amei.

10 de junho de 2014

Nada a declarar enquanto me convir.
Não se tem criado
 - a cria foi embora.

1 de junho de 2014

Impossível não ser físico

Só estou pensando se se chegasse a hora para nós você por fim me permitiria o toque. Qualquer fosse este, em qual plano metafórico que lhe couber, mas se houvesse a permissão, esta também em qualquer situação, mesmo que sob hipótese ou mesmo teoria, se naquele instante menos um que antecede o ato, você não se arrependeria. Você seria capaz de se deixar sentir o tangível frise entre duas vidas que se colidem e liberam tamanha energia e de choque perfeitamente elástico? O impasse é que conservamos a nossa energia de movimento e jamais saberemos quem se aproxima de quem, quem repele quem e quem está parado na inércia. Afastamo-nos e aproximamo-nos em mesma instância, em mesma velocidade.

Somos igual a um.

Choques perfeitamente elásticos possuem
coeficiente de restituição igual a 1,
sendo que a velocidade de aproximação é exatamente
 igual a velocidade de recessão.
Em choques não perfeitamente elásticos,
as velocidades são diferentes.
Choque perfeitamente plástico é 
quando o coeficiente de recessão é zero
e as partículas não se repelem, ficando juntas.
(conservação de momento linear)



Sobre Arte, Ócio e Afazeres



Desenho você com cada detalhe em perfeição que te faço ganhar forma. Mas sem matéria, sem nada que me possa de fato dizer a respeito de como é ser - isso porque, de certa forma, veja, você é e não é. Não tem matéria, não é ânima, não tem nada para ser móvel. E, mesmo assim, me é tangível o toque e sentir como sendo parte de mim.
Desenhar você a cada noite, em cada olho fechado, é um passatempo rigoroso porque você tem que ser perfeito - o que acaba se tornando assustador quando surge alguma oportunidade para então fazer tudo isso real. Enquanto sonho e mente, posso ter todo seu controle, mas aqui, neste plano da vida, as variáveis não me pertencem e tudo tende a sair de um jeito exatamente diferente daquilo que se imagina.
Passo muito tempo te criando na minha cabeça que toda vez em que algo acontece, abrindo a mim a chance de dar a entrada verídica em você, algo dentro de mim se encolhe e se aperta.
Tudo tende a dar errado no mundo real, Futuro.

29 de maio de 2014

Adorando sem terminar.

... e você vai partir de novo. Sei que vai. Algo em mim não te prende por tempo suficiente para chegarmos ao ponto de precisarmos, em mesma instância, um do outro. A única constante da nossa condição sou eu lutando por um espaço em você. Ironia seja dita, o seu espaço está muito bem guardado em mim e ninguém há de se ocupar dele em outro momento. Demorei horas a fio para traçá-lo com cada sorriso que é seu e me deu sem pedir nada em troca. Ingenuidades à parte, deixe ao menos isso comigo quando for embora; deixe-me então com a sua mágoa, me abraçar e me envolver e ter-me envolto pela sua ausência. Deixe-me transbordar em saudade dentro do vazio que já está aqui, nadar, pular até que eu me canse - e promete uma coisa: volte quando então se cansar de lá; talvez o vazio seu aqui já esteja maior do que aquele ao seu molde, mas tenho certeza de que vai se encaixar perfeitamente a sua presença. Eu sei. Moldo tudo ao redor para encaixar você nesse mundo. Desculpa apenas por uma coisa, por não poder te encaixar na sua vida.

Mas volte."

24 de maio de 2014

ser
por ter
sem querer

bvollet

23 de maio de 2014

então, Vida, como será?

Estado de dormência
incumbida naquele ato
em que se nasceu.
De se ser então
aos olhos dos de fora
porque já se era
(ou seria apenas é?)
num correr dito linear
de todos os estados
do verbo ser.
Mas dizia-se sobre a dormência
porque assim se precisa estar
- permanecendo apenas numa única
condição do "estar".
Se está dormente para
no fim
dormir-se.

23 de abril de 2014

Então Maria também recebeu a notícia

Naquele tempo, quando os discípulos de Jesus recebiam a temível notícia de que o pastor então partiria e por traição de um deles, Maria estava longe. Longe de seu único filho que tanto vinha amando e rezando para que, então, o Pai o protegesse. Foi em meio a essas rezas e devoções que aquela figura mais uma vez se fez em sua frente.
- Fico feliz em te ver. A última vez me trouxe a notícia de meu filho.
Gabriel estava despido daquela imagem iluminada de um anjo, sem asas, sem manto. Apenas um ser de formas tão parecidas com a de um andrógeno. Ele, em suas vestes de pano de segunda, sentou-se diante da mulher e lhe segurou as mãos.
- Mulher, tive o prazer de anunciar que seria então a mãe do salvador. Um momento e tanto. E hoje fui escolhido para então dizer que seu filho enfim vai salvá-los.
Maria levantou-se de seus joelhos em extasia de alegria. Seu filho enfim cumpriria seu objetivo e poderia estar com ela! No entanto, ao encarar de perto as expressões de Gabriel, logo entendeu que sua presença ali não se tratava de uma notícia alegre - era algo a mais.
- Diga-me o que tem a dizer. Não fique em pausas.
- Maria... sou o anjo da guarda de seu filho.
- E o filho de Deus tem um anjo da guarda?
- Principalmente o filho de Deus, afinal, o que seriam todos vocês senão filhos dEle?!
- E o que faz aqui?
- Estar aqui com você não me faz menos presente com ele. Muito pelo contrário. Ele, como seu filho, merece ter a mãe ao seu lado nesse momento.
- Pelo amor de Deus, Gabriel_
- É por amor à Ele que estou aqui, anunciando, pela última vez.
- O que é? O que está acontecendo?
Maria não queria então se exaltar. Não queria olhar com tanto desespero para o Anjo e tampouco lhe segurar as vestes como se estivesse com raiva. Maria, antes de ser santa, antes de ser escolhida, era mãe.
- Jesus vai morrer nas mãos dos romanos.
Uma lágrima em forma de luz escorreu pelo rosto do anjo.
- Não. Meu filho não pode morrer, Gabriel, ele ainda tem_
- Choro pelo corpo, Maria. Mas guardo por sua alma para irmos juntos ao Pai. Só venho avisar para que você esteja lá.
- Deus vai matar meu filho?
Gabriel se levantou e enxugou as lágrimas da mãe amada com a manga de suas vestes.
- Deus vai estar com ele, sempre, como sempre tem sido. Quem condena Jesus são os homens. Ele sabe. Você deveria saber também. Seu filho ama a você e ama aos seus irmãos, e dará seu corpo para a salvação de todos.
- Ele vai sofrer?
- O corpo sim. A alma não. A alma de Jesus é livre de marcas. É cheia de luz. Vá e fique perto dele. Seu papel ainda não acabou.

Demorei muitos dias para conseguir escrever esse diálogo que me ficou na cabeça a Páscoa inteira. 

15 de abril de 2014

Classificação: Prioridade¹

Já roí as minhas unhas - e meus dedos doem. Já comi todas as comidas que não devo e as venho comendo por muito tempo. Já falhei comigo mesma algumas sentenças. Já pensei umas duas ou três vezes que a vida pode ser diferente.

Seria mesmo necessário? Se parar para pensar vejo uma constância: o topo e declínio contínuo. É difícil atingir o topo. Deveria ter ficado feliz naquele tempo e não ter desejado algo a mais. O mais está aqui comigo e ele não quer mais me deixar.

Seria mesmo então necessário? Necessário reviver tudo isso como um todo? A gente já passou por isso e entendemos como realmente é, tia... Vai continuar doendo, e dessa vez estamos agarrados numa ínfima esperança de que tudo mude. Não quero reviver isso. Foi doloroso para todos nós, e a saudade ainda é ferida aberta.

Não queria ter outra aberta pelos mesmos motivos, entende? Quero seu sorriso se propagando em positivismo e que isso seja a maior força contrária às células. Que as aniquile! Que as dissolva e que vão embora de nossa família para sempre. Que a senilidade atinja-nos contra o peito de forma fraca e que só a percebamos no final de todo o acúmulo.

Triste ficar adulto. Triste que isso nos venha contra o rosto com perdas. Perda do tempo para o ócio criativo; perda do tempo para atividades prazerosas que requerem paciência; perda do tempo das outras pessoas porque a vida tá acelerando.

Entendemos como seja. Não quero sentir de novo. Nem o acúmulo de absolutamente nada.

¹ referente à classificação de hospital no pa.

30 de março de 2014

Sobre as somas de algumas INconstâncias.

Mudar.

Mudar é estado de transição, nem com um pé aqui, neste agora e nesta realidade e nos velhos pensamentos, e nem com o outro pé, adiante, já no mudado e feito, já com outros pensamentos e outros sorrisos. Mudar é um estado transitório de somente estar com os pensamentos alinhados nos objetivos futuros.

E como é difícil alinhá-los e fixá-los. Como é difícil mantê-los naquela direção e sentido, sem nunca torná-los para o antes. É difícil concluir o estado de pé lá já pronto para o outro estar ali também. Quantas dúvidas das incertezas surgem neste pulo. Estar no ar à mercê de qualquer vento, de qualquer norte, sul... noroeste. Que és-te.

Tudo envolto no processo é difícil e muito vulnerável. Decidir, manter-se e concluir.

Hoje decido mudar (o que, pois, é um instante entre o agora e o mudar) e amanhã não posso saber - assumir qualquer questão ou certeza, pois mudo e mudo constantemente para qualquer vertente.

29 de março de 2014

More-na


Tem a menina que um dia aparece sem saber de onde, por onde e na sua frente ela está. E você a olha como se já a conhecesse, como se, em meio a multidão de iguais e diferentes, ela reluzisse diretamente para você. O que pode ser isso?

Resultante de energias de sentido e direção opostas que somadas encurtam a resultante, encurtam a distância, trazem mais concentração de energia para o ponto em comum no meio de ambos. Resultado da vontade utópica dela de querer ser vista; vontade sua de um dia querer ver alguém.

Preencha então seu peito com luz.

Preencha seu peito com a luz dos olhos dela e deixe essa luz propagar-se e disseminar-se para todos os lados. A menina pode te ver como ela sempre te viu entre tantos. Você não a via.

Estenda a mão e agarre. Essa menina então mulher é parceira na mesma ânsia criativa necessidade que te envolve desde quando se assim pensou que deveria ser. Ser o quê?, pergunta agora sem entender. Ser o ponto de congruência de todo um universo de retas paralelas de realidade para um ponto de vista de uma pessoa num ponto de um espaço e tempo.

Agora você tem certeza de que todos os seus eus, em todos os universos, todas as realidades têm a ela. A mesma de qualquer maneira.

A paciência e a espera, tolerância e esmero a trouxeram até aqui neste hoje para você. O seu eu de hoje está pronto para encontrá-la.

Encontre-a.

Segure-a.


Diga.

Foto: Piracicaba, 22-11-13
Isensee e Sá, M.
http://www.flickr.com/photos/forfunfotos/11341016236/in/set-72157638611361056

1 de janeiro de 2014

então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo¹


Somos tão jovens, você me dizia, somos jovens para o mundo, para o futuro, e na minha cabeça podia ouvir a sua voz soar "somos jovens para nós".
O quão jovens poderíamos ser para não conseguir saber o que éramos nós dois juntos? correr para lados tão opostos talvez fosse o primeiro indício. Você sempre tinha os pés apontados exatamente para longe dos meus. nunca sonhamos um único sonho juntos.
Tornamos grandes jovens tão separados que hoje penso que se somados teríamos nos diminuído. sabedoria da vida que nos bate à porta quando estamos de partida. quantas partidas tivemos? Amizade? Partiu-se Você? Foi-se. Eu?
Não sei. só sei que éramos jovens e aquele tempo, aquele vento, aquele sol, nada nos bate mais à cara como lembrete de que éramos tão únicos e aqueles dias os últimos.
Partimo-nos. Em dois.
¹Tempo Perdidos, Legião Urbana

5 de dezembro de 2013

Universo meu Paralelo

Essa banda pode ser qualquer uma que se encaixe dentro do seu vocábulo de "melhor banda da minha vida". Pode ser sua, minha, de qualquer um que um dia sentiu-se próximo de pessoas que viu uma vez, dez metros de distância, tentou camarim e foi barrado pelo segurança.

Quem nunca tentou entrar no camarim, para ser só mais um fã querendo um pouco de atenção num afã secreto de ser notado, não sabe o que é ser barrado por um segundo, uma fita, dois cones e uma corrente. Eu fui barrada por um segurança mesmo, que me expulsou não só da fila, mas do salão.
Obrigado você porque graças a sua atitude tive uma bela volta para casa com o namorado, pensando e refletindo um bocado sobre tudo.

Mas esta banda aqui pode ser de qualquer fã. Para mim, pode se encaixar perfeitamente ao Queen (uma pena que eles não são mais uma banda) e o fator que movimenta a vontade pode ser Radio Ga Ga. Pô, eu gosto desta música e me arrepia os pelos ouvir o Fredd movimentar aquela multidão no ao vivo em Wimbley.

Só que não é o Queen. Não nesse momento. Há algum, teria sido. E teria sido também o Capital Inicial.
E, se é verdade a teoria de universos paralelos, vejo que tem um eu meu muito feliz fazendo a ideia que eu tive nesse plano: rodando a estrada e registrando momentos, pensamentos e brincadeiras de uma banda - afinal, cabe aqui qualquer banda. E me deixa um pouco conflituosa imaginar que também haja um eu meu cantando (minha memória para música é péssima; não sei uma letra de cor. Mas, vai saber, talvez este eu tenha desenvolvido um mecanismo de memorização, por que não um igual aquele do The Mentalist, envolvendo o palácio de memórias com um lugar em que muito bem conheço?!).

Esse eu tá quieta nos poucos degraus de uma casinha singela do Rio de Janeiro. Tá olhando a noite que se faz quente e tenta pegar no rosto algum resquício de brisa fria. Não vem. Mas o laptop no colo ferve. Escrever, escrever, escrever. Hoje eles fizeram uma entrevista para um site de música independente,  e se bem entendi começou agora e os caras queriam um grande começo com grande estilo.
Eu concordo que eles escolheram a melhor banda.

Faz tão pouco tempo que estou aqui que nem parece certo estar aqui, invadindo o espaço de criação deles. Mas prometi ser quieta e cautelosa - e o tenho sido com tanta precisão que às vezes eles realmente conseguem esquecer que estou ao lado deles. Isso é ótimo, pois consigo captar cada um deles em seus momentos quase ínfimos.
Vezes em quando eles me perguntam como está indo, como estou encaixando as coisas; estão preocupados. Eles se completam tão bem um com o outro que, secreta e inconscientemente, têm medo de que outros os enxerguem de outra maneira senão aquela do mundo deles. O mundo dos quatro. Se minha visão é diferente? Sim. Distorcida? Acredito em que não. Não há como distorcer uma esfera - seu centro equidista de qualquer ponto.

Na entrevista, quiseram saber se eles possuíam a noção da projeção deles como banda pelo Brasil. Eu queria ter respondido por eles, contado a minha história e feito as contas de probabilidade daquilo ter acontecido, e aí sim chegaríamos a conclusão do tamanho do que são enquanto banda. Eles se entreolharam por algo que eu poderia dizer ser a menor fração de tempo registrada. Cumplicidade. Ali conseguiram conectar todas as vias de pensamentos deles em uma única e fluída que fosse congruente a todos.
Não vou contar o que eles responderam. Que busquem o site e leiam a entrevista!

Saímos de lá com fome - eles com fome. Paramos em um restaurante de selv serf. Tem-se os vorazes e o equilibrado, me perguntando sobre sinergismo dos alimentos e qual componente inibe outro. Falei de alguns porque, assim, de cara, não me lembro de todos. Ele me disse que andava cansado e que estava preocupado, afinal, precisa-se de disposição para ser compositor. Para ser quem a mente dele comanda.
Ele é um grande "expressador", de qualquer coisa. Ele diz que eu também sou, mas acho que de uma maneira bem mais branda, afinal, a sonoridade não me é importante. Eu só vou escrevendo, escrevendo e como for, veio e ficou. Raramente mudo algo. Volto atrás. Teimosia, eu acho.  Ele já me deixou dar uma boa observada nos seus cadernos de rascunhos. Senti-me em êxtase segurando e podendo desvendar aquelas folhas: eram as coordenadas da mente dele. Toda a caótica organizada em linhas.

Lindo.
Quase chorei. Não o fiz. Achei muito inapropriado.

Depois do almoço quiseram dormir e irem à praia. Nunca contei a eles que não gosto de praia. Muita areia para pouca área corpórea. Fiquei na casa com a desculpa que tinha muita coisa para escrever.
"E tem lugar melhor para escrever do que vendo o mar, gata?"

Eles me chama assim não porque seja bonita, mas pela minha cara de menosprezo, que nem dos gatos, e acho que pela independência que criei deles. Fiz amizade com a Dona aqui do lado, a vizinha que é praticamente a mãe de todo mundo aqui da vila. Ela me contou histórias bonitas deles, de quando ela estava doente e não tinha condições de ir ao hospital e um deles a levou.
A noite é quente aqui no Rio. Não me lembro mais das minhas expectativas quanto a cidade maravilhosa. Me lembro um pouco daquelas que trouxe na bagagem e do medo de começar esse projeto. Que coisa. Que pena. Não contei ainda para eles, mas está acabando. Em pouco ou menos tempo não terei mais o que escrever sobre estes rapazes (meninos. Homens?! Homens).

Aprendi tanto sobre amizade e Amor. Encontrei pessoas que me permitem a propagação de ideias, as reflexões de olhadas para fora da janela. Vim aqui para contar uma história, a história de alguns dias deles, dos olhares deles sobre eles e dessa sincronicidade de energia que os mantêm, como pessoas individuais, como grupo, como profissionais.
A luz acende.

- Tá acordada ainda?
- Não consegui dormir. Muita coisa acontecendo...

- Muitas coisas acontecem, gata, até nos sonhos. Tenta dormir que amanhã vamos para um lugar muito legal.
Um copo de chocolate. De leite de soja. De achocolatado orgânico. Gelado.

- Ao menos que queira uma opinião o que está escrevendo.

Eles todos estão curiosos.
Ao longo desses dias eles perceberam a minha visão de mundo e meu ponto quase de autocrítica. Eles temem o que eu vejo.

Sou quase o Darth Vader da Casinha.

 

E este meu eu está assim, também achando que é o Darth Vader.

(05/12/13)

30 de novembro de 2013

Felicidade é um fim de tarde olhando o mar¹

Seria pois uma característica só minha de ficar idealizando todas as coisas que eu poderia ter feito? Acho que não. Acho que cada pessoa carrega em si aquele desejo secreto de, sei lá, ter podido se dedicar a uma outra coisa, desenvolvida um outro interesse. Seria uma fuga contida ou o desejo de ficar lembrando de tudo o que não fez?

Não sei.

Soa-me como tiro constante em cima da ferida esquecida - para então se lembrar de que você não fez e que não é nada daquelas coisas.

Eu teria me dedicado mais às artes, sabe? Todas elas: escrever, pintar, desenhar, fazer. Seja lá o que me fosse proposto em mente, mas seria de alguma forma algo muito similar à arte. E escolheria coisas que me fizessem bem e me trouxessem paz: surfar, tocar violão, jogar basquete no final de tarde, uma bola de sorvete de limão por final de semana (na verdade seria por dia, mas eu não gostaria de abusar tanto de algo que gosto correndo o risco de enjoar e deixar para lá).

Ter o sossego em mente sem aquela auto cobrança que me é tão emaranhada na essência. Parece um bom caminho para coisas que eu deveria ter feito. É um sonho não de futuro, mas de passado, que em parte em muito me acalma. A questão é que a mente do jovem é uma armadilha tão grande que qualquer desvio de conduta corrói a estrutura e a principal é acreditar que o tempo é rápido demais e, como consequência não correlacionada, temos de correr atrás de objetivos maiores. Carreira, emprego, conhecimento, família e dinheiro.

Não é ruim ter esses planos, mas não seria bom encontrar um espaço para se fazer o que se tem vontade? Crescer profissionalmente é deveras importante e gratificante, e por que não agregar à essa gratificação tudo aquilo que unicamente, por assim estar contido, te dá sossego? Complementar não somente o currículo, mas a alma.

Desenhar, pintar, escrever, ilustrar... Ilustrar cada capítulo de mim naquilo que me faz em paz. Soa-me um bom sonho frustrado de passado e um interessante ponto a ser considerado para o futuro (para então ser presente e ser constante).

¹ Hidropônica, Forfun.

23 de novembro de 2013

E eu que não tinha o que escrever

Não-saber às vezes é o melhor estado de consciência que se pode ter diante das coisas da vida, da curiosidade, da humanidade. Quem não soube antes esteve propenso à deixar a mente aberta para poder aprender sobre as diferentes formas que tudo pode ser. Muitas vezes eu simplesmente não sei e o que e quem quiserem me ajudar a tentar desfazer esse enlaço sempre me foram bem-vindos. E bem-vindos foram todas as informações que me contaram, não importante exatamente qual e qual era sua veracidade. Isso depois eu descubro, com o tempo, com a vida, com os livros. Aliás, gostar de ler e aprender são motores muito relevantes para se ter conhecimento deste estado de não-saber. Não-saber tem sido a busca pela qual todos correm, porque quem não sabe de nada tende a querer conhecer tudo. Quem não sabe de nada não está fechado. Eu estive fechada, e vou me abrindo, deixando que meu conhecimento não se solidifique. Deixo que todo ele seja líquido, seja maleável para sempre poder molda-lo a tudo aquilo de novo que faz surgir-me em curiosidade.
Não-saber é um estado - e a ciência já diz que ela depende de condições de pressão e temperatura para se estar em algum estado. A pressão vem de mim. A temperatura é a potência em que meus pensamentos correm.

E eles correm rápidos.

22 de novembro de 2013

Hoje não tem hora para terminar (sobre Forfun e outras coisas mais)

Tem algumas coisas que nos remete ao interessante, e uma delas, posso dizer com certeza, é o que eu presenciei ao longo desses dois ou três meses seguindo e ouvindo essa banda, Forfun.
A crítica das letras deles me remete ao meu estado de pessoa interessada em pensamentos e humano, e como essa pessoa me coloco, às vezes, a prova de cada tapa na cara que esses caras estejam passando para toda a sua legião de fã. Alguns devem entender, outros, nem tanto.
Um pouco talvez vá além de cada palavra cantada, entra mais afundo no que cada palavra, somada às outras, deve de fato ser. E sê-lo é o que me toca. Toca-me como o ponto de vista deles possui um cunho filosófico, dizendo sobre forma e matéria (totalmente de Aristóteles) e o questionar se existe necessidade de possuir e bel-prazer (Epicuro). Forfun me remete àquela que eu deixei um pouco para trás, trazendo-me à lembrança a doce amargura do querer saber.
Não é que seja ruim e espero fazer de todos os sentimentos o propulsor para várias coisas que quero realizar. Por hora me basta poder sentar e escrever um pouco disso tudo, sobre como várias coisas, de maneiras diferentes, conseguem atingir um ponto em comum em mim. Forfun me faz pensar quanto algumas coisas, alguns conceitos (busco ainda o real de "malícia") e sei que vai além de um dicionário e de uma superfície. Os destrinchar é que me é bonito. E destrincho as músicas nas palavras mais obscuras.
E o Bonito é ainda uma questão universal.

14 de agosto de 2013

Show must go on

Existe uma certa relevância em não querer mais que fosse daquela maneira que vem sendo há tanto tempo. Negar não é afirmar, é apenas ir por um lado mais obscuro do que a afirmação. Negar não é mostrar uma outra afirmação, é dizer que a ideia está em errada em sua concepção e raízes mas não é apontar a direção para algo mais correto.
Negar não necessariamente implica encontrar outra afirmação. Você pode mirar para qualquer lado.
É muito fácil negar.
É muito mais fácil não negar.
O difícil é assumir que está sendo negado e que aquilo tudo não cabe para você. Fácil é negar para o outro. O difícil é negar para si.
Por quê?
Porque, ao fazê-lo, necessita-se encontrar a afirmação correta, aquela que lhe cabe com tamanha coerência que parece ser até mesmo idiossincrático. A urgência de não ficar a mercê de um abismo. A relevância, do início, é o ponto sobressalente implicado nesse ato, que envolve a voz, o ato, a mente. Negar três vezes para assumir a negação.
E assumi-la é a sua primeira afirmação. Afirmo que nego. Afirme que nega.
Afirme, firmemente, afinco.
Não existe meia negação, existe a dupla, o dobro de tudo aquilo que pode até mesmo negar o próprio não contido, mas jamais o meio. Meio termo não existe; uma vez iniciado o passo, a corrida deve começar logo e só vai parar quando o percurso for realizado. E, desculpe, mas aqui também não há falhas. Êxito.
Conseguir negar é êxito.

13 de agosto de 2013

"a linguagem revela a mentalidade de um povo"

Acabei de ouvir na tv. E nem era isso o que eu estava pensando lá, na hora, pensava em algo mais abstrato. Pensava em como é difícil ter vários gostos e interesses. E a ideia é essa mesma, de pretérito imperfeito do indicativo, porque se eu me lembro agora... lembro-me de muitas coisas que não concluí.
Seria muito mais simples gostar de um único interesse, como um foco tão preciso, e, desta maneira, mirar só e continuamente nele. Estudar, ler, reler, conhecer, refletir, enfim, opinar. Para si, e não para outros.

7 de agosto de 2013

Acho que perdoar realmente é uma ótima saída por uma questão de vida. Se você consegue de fato perdoar as atitudes agressoras de alguém, você consegue esquecer simplesmente, mas nunca ouvi dizer de alguém que simplesmente esquecesse do rancor porque a vida foi passando.
Rancor, raiva, ódio não vão embora com o decorrer da vida. Imagine-se com 80 anos e se deparar com aquela pessoa que te fez algo quando ambos tinham 20?! Você não esquece. Você vai lembrar. Mas se encarar essa pessoa depois de sessenta anos de perdão, nada vai lhe acometer. A outra pessoa vai: ela vai lembrar que você o perdoou.

Mas o pior é ter de se perdoar. Acho que isso ninguém consegue, ao final. Perdoar-se necessita de muito mais coragem e esforço do que lembrar para esquecer.

25 de julho de 2013

this five words I swear to you

Tá frio, sabe?! E as pontos dos dedos doem porque eles nunca ficam quentes. Sempre há algo para gelá-los de novo. Mas não é isso que a incomoda.
Você pode até achar que no mundo existem problemas maiores, e acontece que há mesmo. Só que nenhum problema é grande o suficiente se não atinge diretamente a gente e isto é um fato. Não é egoísmo.
É apenas que sentir os nossos problemas dói. Os dos outros não doem. Talvez nos compadeça de alguma empatia, mas não dói.
O dela agora dói. E é agoniante vê-lo resplandecer no sorriso que dá a todos. Ela não está aqui para enganar a ninguém e nem tentar esconder nada - ninguém entende quando isso acontece porque todo mundo quer ver sua dor. Não foi a vida que a ensinou isso. Não foram os tombos. Ela apenas nasceu com isso de deixar sua dor ali dentro para poder pensar nela sozinha.
Pensar, pensar, pensar e pensar mais um pouco. Impressionante como isso funciona de verdade.
Os dedos ainda doem e o frio sobe pelas pernas, porque os pés também estão congelados. Ah!, se eu tivesse algo bem quente para coloca-los agora. E o problema é essa angústia de não saber quantos anos de fato tem. Teme que não seja um ou dois a menos que a idade do RG. A mais, talvez?! Não.
Sair da zona de conforto não é fácil, mas não é só isso, minha cara.
Vencer a timidez que sempre traz consigo a insegurança e o medo de ficar sozinha. E é aí que idade interfere, porque, se fosse realmente aqueles dois números, essa angústia não apertaria o peito. Apertar o peito é claustrofóbico e ela é isso dai sim.
Entendeu agora porque é que sufoca? Não é a angústia em si, mas o que ela causa. Ela causa o que um claustrofóbico mais teme.

21 de julho de 2013

Mysterious Lake.

Eu não quero te deixar.

Não sei mais o que dizer sobre isso, só sei que não estou pronta para te deixar ir embora desta vez. Desse jeito. Passei tanto tempo dentro do seu mundo, da sua visão, da sua atmosfera que agora me parece injusto que eu tenha sido retirada dele simplesmente porque tudo acabou.

Não quero ir embora, entende? Não quero não mais ver nada daquilo tudo.

Ler o "Palácio de Inverno" foi magnífico porque algo na história me cativou tanto que sinto tudo dela ainda aqui comigo. Eu gostava de Zoia no começo, mas depois não sabia mais o que pensar. Já sabia quem ela era, mas me soavam como duas pessoas completamente diferentes e... e também não quero que ela se vá.

Entenda que eu me encantei por sua adolescência, pela meninice de Anastácia, pelos detalhes que nunca terei de Maria e Serguei, pelo o que nunca entenderei de Alexei. Você me encantou, Geórgui. Devo confessar que já comecei outro, mas não estou pronta para abandona-lo. Não tenho a menor vontade de apagar as história de mim e tão menos não mais pensar nela.

Não quero te deixar.