31 de dezembro de 2010

O jeito de viver e Folhas de calendário

Ela olhou o último dia do ano no calendário. Então seria assim? É esse o sentimento? Um x que marca o fim do ano? Puxou a folha de dezembro do calendário e olhou os outros dias. Dezembro foi intenso demais. Muitos sentimentos. Muitos acontecimentos. Sorriu. No fim - não nesse fim, mas naquele em que a gente entende as coisas do passado - aconteceria exatamente assim.
Entenderia.
Não tinha mais as outras 11 folhas já descartadas do calendário, mas podia lembrar. Datas marcantes, importantes. Datas de decisões relevantes demais, dias de alegria, de choro, de tpm. Podia sorrir. Um ano muito difícil, cheio de pedras, barrancos e buracos, mas houve tanta companhia! Os amigos, os pais, o irmão, primos, desconhecidos... pessoas que passaram como um flash e se foram, outras que ficaram e precisaram partir.
Acontece, ela acreditava. Um dia todo mundo parte, mas cabe a nós, que ficamos e partimos, recolher os sentimentos e respeitá-los, independente do quê. Ela sorriu. Pensou em todos e desejou um ano bom e pacífico, um ano de surpresas boas e de saudades sem dores. Impossibilidade à parte, um ano sem choro.

Os votos permaneceram os mesmos, mas dezembro já estava há muito no lixo. Olhou para o outro calendário e Janeiro parecia brilhar.

Brilha, meu lindo Janeiro. Acolhe-me e gire-me nesse carrossel.

30 de dezembro de 2010

in a fairytale

                                                      Um segundo.
Se houvesse um segundo para olhar nos olhos antes da partida, ela escolheria olhar. Olhar, olhar e olhar e tentar passar o que dizem sobre olhar dela: sua potência em transmitir sentimentos e verdades.
Construirão caminhos muito separados agora, porque ela fará questão e baterá o pé até o final para que isso aconteça. Ela nem é orgulhosa a esse ponto - e ele sabe que ela falha todo dia em tentar estar bem. De certa forma ela até está, pois que meios havia de ele ficar com ela quando ela falhava consideravelmente ao tentar fazê-lo em paz?
Se houvesse esse mísero segundo, ela escolheria olhá-lo e ver, por uma última vez, os traços que não pertencerão mais a sua vida - e nem lembranças, e nem saudades. Olhar para apagar e deixar que tudo, mas tudo mesmo, vá embora com ele. Pela primeira vez não é a ela quem decidiu partir. Ele vai antes. Antes de que ela tome a sua decisão.
Ela nem é tão orgulhosa assim e falha dia-a-dia em tentar fingir que está bem. E ela está bem, porque não é assim que tudo termina. No final tudo dá certo, se não deu é porque ainda não é o final.

Ela escolheria olhá-lo e deixar que todos os seus sentimentos se esvaíssem.

28 de dezembro de 2010

um ponto comum

Obra do acaso. Ou assim é chamado o destino quando não se é capaz de entendê-lo ou percebê-lo. Mas, afinal, o que viria a ser? Nem era para estar ali, mas estava. Resolveu passar na frente da festa porque era caminho para sua casa, porque não queria voltar para lá, porque não queria chegar tão cedo em casa... porque qualquer coisa em que pensava seria motivo o suficiente para estar ali.
Ele a viu sair da festa sozinha, sem a companhia do namorado, e estava desnorteada, olhando para os lados buscando um rumo. Ele pôde ver dali mesmo, daquele distância toda, os olhos castanhos-escuros dela brilharem. Brilhavam em choro.
Não entendeu o motivo pelo qual optou por se aproximar - nem se falavam mais há muito tempo. Ela o encarou e xingou, com todas as argumentações que tinha, com todas as grandes palavras que conhecia. Aponteu o dedo na cara dele, fez cara feia, bateu com força a porta do próprio carro para, depois, cair ao chão em soluços e soluços de desespero.
Desespero não.
Mágoa.
Ele pediu desculpa por já ter proporcionado tamanha dor antes. Pediu desculpa por ter causado tudo o que causou. Pediu desculpa por ter se afastado. E ela pediu desculpa por ter se apaixonado.
- A ironia do destino é um senso de humor muito peculiar para mim. - Disse ela, apoiando-se nos ombros dele para conseguir se levantar. Ele riu, ironia era o que ela mais entendia. E riu mais uma vez, porque acaso é o nome que se dá quando não se percebe o destino.
O seu destino era estar naquela noite ali para poder entender que ela já havia esquecido a ele e chorava por outro cuja índole estava questionada também.

colecionadora de mudanças

Era calor. Era tarde. E nem chovia. Horário de verão tem dessas, de ser tarde e ter Sol, mas o verão traz chuva e nem chovia. Para ela tanto fazia, se chovia, se fazia Sol, se teria o arco-íris para ver lá no quintal da sua casa. Ela tem dessas também, de não se importar - não por desprezo ou esquecimento, é um simples não se importar.
Caminhou mais um pouco, ajeitou o phone no ouvido (You´re amazing just the way you are*), escolheu a jujuba cor-de-rosa e comeu. Do outro lado da rua, de carro, ele passou. Ela viu, claro que viu. Seu coração ainda acelerava só de olhar aquele carro sujo de terra passar. Talvez isso perdurasse por muito tempo ainda, como já vinha acontecendo.
Mas mágoa é mágoa e foi o que sentiu logo em seguida. Escolheu a jujuba branca, porque esta sempre tem um gosto amargo, como a amarela. You´re not so that amazing. Já fazia tempo, tempo o suficiente para um punhado de coisas ocorrerem. A faculdade, sua e dele, a estadia fora do país, um outro namorado, uns outros caras, uns outros livros, outras músicas. Outros. Outros. Outras caras.
Nem fazia tanto Sol. Nem era tão tarde. When I see your face there is no thing I would change*. Seu destino não era estar ao lado dele, nunca o fora. Momentos diferentes. Sempre viverão momentos diferentes. E ela tinha aquilo, aquele estranho quê de perder o interesse. O estranho quê de querer mudar. E ela mudou.
Lembra-se bem: mudou o jeito de pensar, o modo de encarar a vida, a faculdade, o curso, seu rumo. Mudou a cor do cabelo, o estilo das maquiagens, suas roupas, suas músicas, seus caras. Ele não gostava de mudanças. Mas ela mudou.
Mudou de cidade, de país, de amigos e até mesmo de pais. Mudou de cachorro, para gato, passarinho e um peixe. A liberdade dela era essa, a sua estranha necessidade de, de repente, mudar. Como estar com alguém que não gostava disso? Não precisava ter de mudar junto, apenas dar o apoio ou o sorriso. Ele nunca entendeu a liberdade dela, a cabeça dela e coração dela.
Da jujuba vermelha e azul ela gostava, pegou as duas e comeu. Papolas de Morfeu, pensava todas as vezes. Um sonho. Sonhos mudam. Ela gostava de sonhos e pegou uns três de uma vez, para poder mudar a ordem, o curso, o final. Escolheu o sonho de ser feliz em si mesma. O sonho de sorrir na sua simplicidade. E o sonho de ser coerente em sua ações, dizeres e pensamentos. Coerência sempre foi essencial. Linhas de raciocínio. Verdades. Sinceridade.
Ele passou de novo e ela não olhou. Não deu tempo - havia uma jujuba cor-de-rosa saltando aos olhos. Caminhou mais um pouco; arrumou a bolsa, refez o rabo-de-cavalo na cabeça e sorriu para uma senhoria conhecida. Sorriu para o senhor que não conhecia e sorriu para o Sol que se punha.
Este gostava de mudanças. Era livre como ela e precisava disso. Este não acelerava seu coração. Não lhe importava como era o seu carro e jamais a faria virar a cabeça para o lado. Mas eles eram livres, os dois, ele e ela, e ela poderia partir, ir embora, quando quisesse.
E era o que ela estava fazendo.

* Just The Way You Are - Bruno Mars

26 de dezembro de 2010

I´d never ask you to change

Acho que agirei assim por muito tempo ainda, apagando a luz do quarto e me enfiando debaixo das cobertas para poder suplicar. Suplico informações, compartilhamento de conhecimento. Por quê? Por quê? Por quê? Ecoará sempre aqui comigo e, enquanto me perguntar e nenhuma resposta aparecer, uma lágrima vai escapar.
Algo aqui dentro tenta me convencer: ele não merece você. Mas eu não vejo por onde sustentar isso. Não tem como. Não entendo o que pode me fazer melhor do que uma outra pessoa porque tudo isso vai contra tudo o que a gente prega, de que ninguém é melhor do ninguém - e é exatamente o que dizem: você é melhor que a ele. E eu nem sou.
Eu não consigo empinar meu nariz desta vez e dizer tudo bem, já passou, tenho coisas mais importantes para me preocupar. Ter eu até tenho - e são absurdamente mais importantes -, mas não são coisas em que eu tenha meios de agir para me ocupar; são coisas ou que veem até você ou não. Não tem como se fazer esquecer. Isso machuca muito. Deixa muita mágoa, muita raiva.
Parte de mim espera por uma vingança, algo que dê muito errado para os dois porque assim acredito eu ser o justo. Não foi justo. Não foi certo. Outra parte de mim vai esperar até o último momento por um pronunciamento. Mas nada será justificado porque não há como justificar. Foi errado.
Foi cruel.

Talvez eu ainda chore por muito tempo e me pergunte por quê mereci tudo isso. Talvez ele deva ficar com ela mesmo. Talvez meu destino nem seja esse daqui que eu estou tentando traçar. Talvez eu seja nova demais para tentar tudo isso, um relacionamento, um amor, um curso. Curso de rumo. Sinceramente não sei se mereci isso. Não me lembro de ter falhado com ele ou de ter sido mentirosa.
Sinceridade possui preços muito caros. Vai perdurar por muito tempo essa dor. Machucou muito profundamente.

20 de dezembro de 2010

peripécias de um ano ano fatídico.

Alguém já percebeu que 2010 já está acabando?! Pois é, eu notei agora.

Com 10/11 dias para o término dele, a Ana Júlia resolveu dar as caras neste mundo e nasceu hoje de manhãzinha. Bom para nós que só precisamos atender ao telefone, ruim para a mãe que deve ter entrado no hospital em São Roque lá pelas tantas da madrugada. E os bebês estão aí, a Manuela nasceu a semana passada e o Bruno em outubro (ele é o meu príncipe). Infelizmente meus pais não podem mais me dar um irmãozinho, coisa que eu acho que nunca pedi em 20 anos porque já tenho um mais velho, o Danilo.
Já fiz um post dele aqui e já falei dele diversas vezes. Meu irmão é meu herói, pronto, falei.
Eu achei, ingenuamente, que 2010 terminaria em despedida e em alegria, que Rodrigo e eu diríamos tchau, mas eu esperaria ansiosamente esses 6 meses acabarem logo para estar perto dele de novo.
Acontece. A gente decidi, no fim, quem nos deve fazer voar. Ele me deixou experimentar essa sensação, a de liberdade no céu, para depois cortar as minhas asas no talo. Acontece. Não foi a primeira vez e não será a última. É até engraçado se for parar para ver, porque nem o fim foi diferente - também, o que eu esperava? Eram praticamente os mesmos elementos.
Tranquei a faculdade, no papel, pois a verdade é que eu larguei.
Meu 2010 em muito se assemelha com o meu 2008. Vestibular, uma pessoa especial, frustrações e coisas novas. Infelizmente as coisas novas deste ano que eu vivenciei foram ruins, não passei no vestibular e as frustrações são bem maiores. Mas aumentei meu índice em rodeios. Fui para Jaguariuna, apesar de não lembrar nada, para Americana, Cordeiropolis, Araras, Limeira, Piracicaba, show de Maria Cecília & Rodolfo, João Neto & Frederico e Jorge & Mateus (estes não foram em rodeios). Descobri que tem gente que não gosta de mim e, de certa forma, sente inveja ou quer me ver mal - acontece também e sinto pensa destas pessoas porque, como já escrevi ali do lado do blog, não possuo nada que justifique tais sentimentos. Fiquei bêbada, pelas minhas contas, 2 vezes. Jurei que não o faria de novo para ser alguém decente e digno de estar com o cidadão de alguns parágrafos anteriores.
(Deveria ter bebido mais).
Minha mãe quis me dar de aniversário a minha tão sonhada próteses de silocone, mas, desisti - por hora. Com esse dinheiro todo posso fazer outras coisas, como, por exemplo, pagar uma parte do meu futuro intercâmbio.
Minhas conclusões pessoais já foram colocadas neste blog antes, então, quanto ao meu crescimento como gente nada vou declarar. Já nem sei se compensa tanto assim esse ensinamento e amadurecimento. Minha mãe diz que a gente passa por determinadas coisas para aprender - sinceramente? Cansei deste clichê. Quer dizer então que terei de sofrer sempre para aprender alguma coisa? Gosto mais do método dos pediatras ou psicólogos, em que a criança é recompensada com algo que ela goste por concluir tal tarefa ou exame (como o de sangue).
Hoje fiquei brava porque a minha mãe desembrulhou o meu presente de natal. Quem lê isso pensa "cacete, menina, tu tens 20 anos nas costas e vai ficar brava por causa disso?!". É, vou. Acontece que eu não ganho presente embrulhado de natal desde os meus 10 anos e esse ano eu tinha conseguido, e aí ela estragou.
Então, é isso. O meu 2010 poderia ter sido resumido em um único nome, mas como chutaram não somente o pau da barraca mas ela inteira, meu 2010 termina numa equação.

2010 = 2008.

13 de dezembro de 2010

Um baú estranho.

Esses fragmentos eu encontrei perdidos em alguns e-mails - e não achei justo perdê-los desta maneira. Coloco-os aqui para a segurança dos mesmos.
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sei que já ri porque quis e porque achei que deveria, porque me era conviniente e porque era o que estava na espera. Já forcei choros, já chorei porque quis e até porque era o melhor a ser feito. Uma máxima de sensibilidade, no meu ponto de vista. Já fui inconviniente pelo simples fato disso me animar e já fui muito, mas muito chata porque assim eu desejei. Já gostei de alguém porque eu me forcei a fazê-lo e até mesmo porque eu não queria. Até aqui, o fato de eu querer, gostar ou fingir assim até parece meio cínico e cruel de minha parte, como se conseguisse forjar sentimentos e reações - e realmente assim o é em muitas vezes. Meu desprezo, na maioria deles, é o melhor de mim, mas eu o acho muito para alguns. Mas, de tudo o que passei, de todas as mágoas que guardei e esqueci, a pior delas é, com certeza, a decepção - ou a falta de consideração, ou a mais vil mentira narrada na sua frente. Escolha. Hoje sei que pior que se depecionar com alguém por criar ilusões, é você não conseguir sentir mais nada porque você nunca esperou nada desse alguém. E este consegue decepcionar você. Mas posso dizer uma coisa? Eu fingi. Eu bordei meus atos. E até o que senti na hora. Agi assim porque assim me pareceu mais divertido. E a decepção virou minha melhor comédia. (03/02/09)
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Who am I? Bem, eu sei quem sou e você pode não gostar. Sou pessimista ao ponto de não acreditar no melhor de ninguém, porque, assim, é mais fácil de não me decepcionar. E se eu estiver errada; oba, já fiquei feliz - e você também.Repudio pessoas desconhecidas por natureza. É uma defesa, veja bem... não é que eu não venha a gostar de você, mas você tem grandes chances de não acrescentar absolutamente nada na minha vida e isso é perca de tempo. Além da minha pessoa ter a certa noção de que desconfiança é sim um ótimo veículo para sarcasmos e afins. E, bem... possuo esse senso de humor meio cáustico. E me divirto com ele e não, não vou mudá-lo.Sou volátil. Posso ser a pessoa mais meiga que você venha a conhecer ou a mais irritante - mas, no geral, minha simpatia sempre prevalece se for necessário, urgente e não houver outra saída. (Mas isso, claro, se já formos conhecidos. Caso contrário, sem esforços, "coração"). Só que isso flui com uma certa frequencia bem irregular, sabe?!Faltou alguma coisa... Ah!, sim, sou chata. É! Até mesmo um falso cognato. Tudo o que me acontece é motivo para eu ficar pensando, e analisando, revivendo fatos e tentando pegar as mensagens certas. Isso é um saco, mas eu gosto. Quem não gosta muito é quem está ao meu redor, porque, melhor que a auto-reflexão, é tentar achar que sabe exatamente quem o outro é.Arrogante de minha parte, eu sei, e não me sinto muito mal por isso.Sou indiferente a muitas coisas e isso me faz uma espécie de corpo sólido indestrutível. Não choro em finais de filmes, livros e semelhantes. Não me comovo com músicas e nem pessoas caindo , desesperadas, na minha frente. Mas sou sensível ao ponto de chorar uma noite e nada além.Choros são sentimentais demais para o meu gosto.Meu profile´s visitor está desativado porque pouco me importa quem olha meu orkut - e eu não entrei nisso daqui para proliferar discursos sobre privacidade e moral.E some a tudo isso o fato de eu ser preguiçosa, paradoxal, crítica, curiosa e, se pá, esperta. (10/02/09)
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O que eu percebo lendo esses fragmentos é o quanto mudamos ao longo do tempo. As pessoas crescem e mudam suas visões em períodos curtos. Eu achava que para isso se levavam anos, mas não. Levam-se acontecimentos e eles muitas vezes ocorrem todos em um mês. Fico feliz com isso.

7 de dezembro de 2010

enquanto isso, no lustre do castelo...

Eu sei que as coisas doem, machucam e nos fazem infelizes. Mas tudo isso não me soa de fato necessário. Doer, doer, doer... tudo dói, mas seria uma escolha nossa, um livre-arbítrio esquecer dela por alguns minutos e simplesmente nos contentar com a gente mesmo? A vida é tão cruel, tudo é tão fatidico, mas a gente sorri, se alegra, chora, dorme e se sente bem. Às vezes, verdade, mas, mesmo assim, o fazemos, então, por que não pode ser assim quando a gente quer? A gente sempre vai sofrer, então, por que não apenas escolhemos canalizar essa dor para outros fins? Por que tem tantas pessoas que sofrem penosamente e nem ao menos querem mudar de posição?
Eu não gosto desta ideia.
Eu o vi com outra. Eu o vi lá com a mesma pessoa que o fez chamar a mim de mentirosa.
Eu não quero falar da índole dela e nem da dele. É como ser anti-ético. Eu não quero isso para mim. Cada um entende de si mesmo e não cabe aos outros julgar. Eu não julgo. Não posso. É errado. Julgar é feio e machuca. Eu só observo e relato para mim mesma.
Doeu. Dói. Vai machucar por muito tempo, mas eu não quero isso para mim. Não quero sofrer. Não quero lembrar. Não quero ser infeliz. Não vou ficar pensando no que deu errado e nem como poderia ter sido diferente. Tem coisas e pessoas que simplesmente não são para nós.
Disse a minha mãe que eu olhava para o meu 2010 e não enxergava a nada. Eu acho que menti. Talvez eu nao tenha cosntruído nada para mim, algo como um curso, um rumo, mas eu vejo que cresci muito. Que amadureci. Ideias. Pensamentos. Pontos. Não sou a mesma do começo do ano. Nem o posso ser. Hoje sou alguém melhor, acredito.
A vida é mais do que isso daqui. É mais do que pessoas falando e pensando sobre você, pessoas preocupadas com o que você faz, come e veste. Todos os erros que sejam cometidos agora, para, no futuro, daqui 5 anos ou 6 meses eu seja alguém melhor. Sempre alguém melhor.
A dor não nos faz melhor. A dor não nos faz pior. A dor simplesmente nos faz. Aprender a administrá-la é um caminho longo, mas é um caminho que nos livra de sofrer. Isso soa bom, ah?!, não sofrer. Todo ser humano almeja isso.
Quando eu tinha quinze anos, achei que era alguém bom. com dezoito, também. Aos dezoito acreditava em que era alguém já no meu ápice de conhecimento próprio e que todas as minhas atitudes e dizeres eram irrefutavelmente melhores. Nem preciso dizer que errei. Hoje sou uma pessoa melhor, alguém bem diferente. Eu sou diferente. Aos quinze eu não abria a boca para nada, tinha medo de impôr minhas vontades, fazer as minhas próprias escolhas, hoje... hoje falam que sou teimosa. Não o sou. Apenas não sou mais aquela molenga, aquela menininha que dizia sim para tudo.
Não mais.
Não posso.
Eu cresci.
Eu menti.
Não estou sem um plano. Eu tenho um plano. Um plano guardado aqui dentro da minha manga. Mas não é um plano usual, comum. Não envolve faculdades e nem graduações, diplomas de universidades ou formaturas. Não. Meu plano envolve o bel-prazer, o prazer e um singular prazer.
A minha maior vontade é a de estudar línguas, fazer alguns cursos sem fins vocacionais, apenas de aprendizagem mesmo. Eu quero estudar arte, filosofia, política, poesias, literatura. Francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e tudo mais o que me for permitido.
Eu quero viajar, conhecer pessoas, gostos, comidas, sotaques.
Eu quero fazer a tudo isso.
E quando terminar, quando eu me sentir satisfeita, quero poder voltar, fazer minha faculdade e trabalhar.
Quero estar em paz comigo mesma.

6 de dezembro de 2010

Você não é melhor que a ninguém

Eu tenho ataques de raiva, às vezes. Bate uma vontade louca de ligar e te mandar para aquele lugar e te segredar, em a+b, o por que de você ser baixo. Sem caráter. Sem índole. Justo você, que se acha tão melhor, que critica, fala mal... E você fez tão pior.
Ainda dói.
Eu defendi você. Defendi sua índole para o meu irmão. Defendi seus interesses para os meus pais. Fiz eles até gostarem de você, enxergarem as maravilhas que eu via. Eles até gostaram de você.
Ainda dói.
Mas para mim acabou.
Você é uma farsa. Um nada. Não merece nada de mim, nem lembrança.
Eu te apago assim.

3 de dezembro de 2010

profile orkut

Disseram-me que felicidade é tão importante assim porque é efêmera, porque se é capaz de lembrar de todos os momentos felizes e ninguém nunca disse que é a vida inteira um único momento de felicidade. E eu acreditei, e como acreditei!, - sempre buscando momentos felizes para colecionar para, depois, garantir que a vida, enfim, valesse a pena. Tolos aqueles que me disseram. Tola eu que acreditei sem ver as falhas disso tudo. A vida, para mim, e simplesmente assim, é feliz - porque sou eu abençoada por poder sentir-me feliz quando olho em seus olhos; em todos esses seus olhos amigos que me cercam durante os dias. Não estou feliz. Eu sou feliz.

que o raio te parta


Você pode até dizer que é ciúme, mas eu te garanto que não é.
Ciúme arde, corrói, mas não me faz sentir magoada. Uma tola.
É indignação.
Indignação porque todo mundo pode estar com você e falar as coisas que quiserem, eu não. Eu sempre tenho de tomar cuidado, sem a bonitinha, a compreensiva, fingir que te entendendo em certos momentos para não causar conflito. Acho que eu tô meio cansada de você e da sua falta de posição para comigo.
Você já percebeu que quem sempre fez algo em primeiro por nós dois fui eu? Que sempre fui eu quem tive de pedir desculpas, dizer que está tudo bem, abandonar meus argumentos e vontades para estar com você?!
Você nunca fez nada por mim. Nem me pediu desculpas por nada - e a lista de pedidos pendentes está longa.
Talvez seja melhor. Talvez você indo embora seja melhor. Ficar sem te ver e sem me preocupar. Seis meses é tempo o suficiente para uma paixão acabar. No fim sobrarão apenas as mágoas, as dores, as suas faltas - e toda a felicidade que eu senti será reduzida, comprimida e eliminada.
Quando você voltar, talvez as coisas não estejam do jeito que são. Talvez eu não seja mais a quem hoje sou. A essência não muda, mas a forma como deixá-la agir.

Não é ciúme.
É indignação.

28 de novembro de 2010

Acerca

Do meu pessimismo.

Talvez eu até seja pessimista - e talvez o seja mesmo! -, mas, ainda assim, dentre tantos pessimismos, vejo o lado interessante e bonito de acreditar em que tudo dará errado. É uma mágica achar que tudo dará errado, que de todas as consequências somente aquelas ruins serão as verdadeiras por causa das causas escolhidas. É lindo, se for pensar um pouco.
(O que me fez pensar agora um pouco: as consequências não são escolhas; são ações diretas. A única coisa que está ao nosso poder são as causas. Somente as ações são escolhas).
Ser pessmista é melhor porque, se houver a quebra de alguma expectativa e a consequência for outra além da esperada, não haveria frustrações. É mágico ser pessimista, é mágico ver as suas notoriedades. A beleza está nas ações e na expectativa, as consequências não pertencem a nós, mas a algo cujo nome desconheço.
(Ou talvez eu nem seja pessimista, apenas alguém que espera pelo pouco ou pelo fracasso).

Das minhas mudanças.

Por mais que eu adore House e repitas, algumas vezes, people don´t change, parte de mim mudou. Meus sentimentos pelas pessoas ficaram mais cautelosos e o que eu devo dizer e contar a alguém também. Contei, ontem, em uma mão quem são as pessoas em que não tenho medo de me abrir e, por uma certa infelicidade, talvez, e proteção, sobraram meus pais.
Eu nunca tinha pensado por este lado, de que eu realmente posso confiar sempre neles. Hoje, após tanto tentar fazer o certo e bem para alguém, vejo que os meus pais fazem o mesmo comigo. Tentam sempre me proteger, fazer o melhor para mim, o certo, o bem... só que é infalível que, em algum momento, isso tudo tropece em alguns conceitos ou senso de justiça. Mas não é porque algo não saiu exatamente segundo o plano e que não repercurtiu como se esperava que é falho. Toda tentativa é válida.
Eu mudei na minha cautela e nas minhas vontades. Mudei nas minhas expectativas e nas minhas confidências.
À minha mãe conto sobre o meu passional, meu ciúme, meu medo de pesadelos. Ao meu pai, tento explicar, quase toda terça-feira, sobre como meus ombros pesam a cada dia e eu não consigo entender o por quê. Não é apenas a questão da faculdade, da sensação de inutilidade ou a falta de perspectiva. Eu simplesmente não sei explicar, Pai, mas meus ombros pesam e minha decepção por mim mesma também.

Das minhas não-mudanças.

(Não quero falar sobre elas).
(Talvez eu devesse).
(Eu não sei me dividir. Eu não sei não deixar parte de mim inteferir nas outras. Eu não desvincular a Bruna-estudante das outras. Eu já nem sei mais se existem outras).

De um novo amigo.

Descobri nele um amigo, ou alguém que queira estar comigo. Nunca contei a parte séria, a parte em que ele me disse em que eu sou especial. Quase chorei. Ele até me disse que me amava e que queria me proteger. Sinceramente? Aprecio as atitdes e as falas que ele só tem coragem de me dizer quando ébrio; soa de fato necessário. Mas existem coisas, Danilo, acontecimentos e algumas atitudes em que eu simplesmente não pude entender na época. Mas um ano muda muitas mentes; um ano muda muitas concepções.
Ano passado eu te fiz uma pergunta e você me respondeu da pior maneira em que poderia. Hoje, depois de muito tempo, quase um ano depois, eu consigo te entender. Existem pessoas que simplesmente não merecem atos depreciativos, como um palavrão ou um soco. Essas pessoas não merecem não por causa de seus caráteres, mas porque são tão baixas que qualquer demonstração, positiva ou negativa, já é importância demais.
Porém, Danilo, não é o caso dele. Eu o conheço. Eu conheço um pouco da índole dele, e ele merece importância e demonstração positivas. O que aconteceu só aconteceu porque eu permiti que acontecesse. A culpa de não conseguir o respeito dele é minha, porque eu me agarrei ao pouco que ele ofereceu acreditando ser o suficiente para, mais tarde, ter um pouco mais.
É como sempre acontece: na primeira vez, a sede é tanta que o água nos afoga, na segunda, a cautela é que tanta e morremos de sede.
Uma hora, prometo, eu vou saber achar o meio termo. E por hora, prometo, vou confiar em você e em tudo o que você me disser (mesmo que a minha teimosia se iguale a sua).

Acerca disso tudo.

Disso tudo eu não tenho nada para falar. Falar desgasta demais o silêncio. Falar desgasta demais as relações. Por isso tenho um blog. Por isso tenho esse lado literário. Por isso escrevo. Por isso gosto de mensagens e não de telefones, gosto de cartas, e-mails, orkut, twitter, livros, blogs e imagens.
Eu gosto mais.

PS: lembrei-me muito da Sam enquanto escrevia este post.

26 de novembro de 2010

If I had no fear, I would ask you about being my valentine every February.


Eu quero te contar em segredo milhares e melhores pensamentos. Estão todos aqui guardados em uma ordem incompreensível, mas, sim, lembro-me de todos e não me esqueço de nenhum. No entanto, se são tantos segredos, deveria eu, então, guardá-los comigo, porém vejo que isso é uma perda de tempo e expressão, uma vez que todos eles dizem respeito a você - não literalmente você, mas foi ao seu lado que eles nasceram em mim, enquanto pensava em você e enquanto espero a você. Tudo sempre você.
Quero poder contar-lhe que todas as noites pesso muito por você, pela sua proteção e pela sua orientação - e que, antes de terminar as minhas preces (as mesmas preces que aprendi a fazer por você), converso intimamente contigo, contando um pouco do meu dia e quão confusa estou, sou.
Segredar-lhe palavras que a mim sempre foram importantes. E, sabe de mais uma coisa?!, deveria te dizer que o amei, sim, amei! Amei em cada dia, longe, perto, ausente. Ameio-o tanto que o protegi de mim mesma. Do ciúme. Da desconfiança. Das verdades que já quis proliferar diante de você. Eu o protegi da minha insegurança, das minhas falhas e, principalmente, das minhas escolhas.
Apenas de uma não pude protegê-lo: da minha escolha por você.
(Não foi bem uma escolha, porque escolher implica poder recusar ou ter outras opções. Eu não tive outras opções e nunca me passou a hipótese da recusa. Você sempre me foi complacente desde o primeiro instante, mesmo antes de eu saber que você viria a ser aquele cuja presença simplesmente me acalmaria em tempos de tormenta - e assim me manteria em tempos de calmaria).
Ninguém me disse que era errado, estranho ou que me machucaria. Ninguém nunca disse que você me decepcionaria ou me abandonaria. Isso eu aprendi sozinha.

Eu não escolhi você.
Foi simplesmente você.

24 de novembro de 2010

Andei pensando que eu não quero pensar como as coisas procederão de agora em diante. Percebi que, no fim, não importa o quanto torça para que as coisas aconteçam porque, independente do quanto se queira, o que tiver de acontecer vai acontecer.
Então, se o que for para acontecer é você me sorrir no último instante e apenas dizer um até logo, - claro, não é nem de perto o que eu quero que aconteça -, mas será o suficiente para ficar quietinha aqui te esperando por seis meses.
E toda saudade que eu sentir durante este tempo vou reprimir para tentar saciá-la naquele abraço de sua volta.
Mas se nada for assim, vou reprimi-la até esquecer o que é te ter aqui ao meu lado. E quando isso acontecer... aí eu não quero nem pensar.

16 de novembro de 2010

Se dissessem "Vá!", eu iria. Há muito as malas estão prontas esperando pelo chamado, guardadas em todos os cantos e espalhadas por todos os cômodos. Assim são as minhas bagagens, sem um lugar para ficar, sem um lugar para serem guardadas. Elas não merecem ser guardadas; precisam ficar expostas às vistas para que eu me lembro todo dia desse desejo de ir embora.
Ah!, minha doce Escócia, onde os cabelos em muito se assemelham da minha querida Dominique. Nunca contei a ninguém, mas é para a terra dos castelos consagrados que a minha querida Dominique fugiu com um filho em seu ventre e uma promessa de viver em paz. Sim, ela só queria viver em paz, e não em lugares que lhe cobrassem entendimentos e comportamentos que ela mesma não compreendia.
Dominique nunca pôde amar por não entender a reciprocidade contida nisso. Dominique não pôde se importar porque nada, de fato, lhe era importante. Não é indiferença, porque indiferença é sempre resultado de algum impacto, assim como a diferença. Era apenas que ela nunca sentiu nada para saber o que importar significava.
Sim, minha querida Dominique partiu para Escócia e é para lá que eu vou. É para lá que me chamam. Dominique me chama. Dominique me clama.
Minhas malas estão aos montes porque eu não sei ao certo o que devo apresentar à Dominique.

11 de novembro de 2010

the way we both used to look foward




Pai,

Nesse exato momento - e esta exatidão perdura há pelo menos dois anos -, gostaria que o senhor me dissesse quais eram os planos de quando eu nasci, que o senhor me segredasse quais foram as suas expectativas de quando me ouviu chorar pela primeira vez aqui em casa. Eu adoraria ouvir ao senhor me dizer que me olhou e viu em mim um futuro brilhante, onde caminhar com as minhas próprias pernas fosse além de um sentido denotativo.
As minhas expectativas, confesso, sumiram. Transformaram-se em frustrações - e, sabe de uma coisa?, eu aprendi a lidar com elas e por isso nem sofro mais. Sofrer não. Apenas sinto sobre meus ombros um grande peso, o peso do fracasso. E não me faz sofrer, mas me machuca - machuca-me pensar todos os dias em que eu vou me frustrar em tudo e em tudo vou optar por não sofrer e, ao fazê-lo, o peso só vai aumentar.
Pai: eu não tenho um plano. Eu não sei por onde caminhar. Não sei por onde decidir. Todas as minhas certezas, todos os meus desejos sumiram - e eu não sei mais qual passo dar. Os meus ombros doem de tanto peso, minha cabeça não me deixa dormir sem um único pesadelo - mas me habituei a isso, a dormir sem descançar.
Por favor, Pai, me diga: por onde você sonhou que eu caminharia? Eu olho para trás e vejo aos meus rastros se apagando mediante a neblina que tudo encombre. Estar perdida é um completo desnorteio, e tudo pesa... tudo pesa agora que eu não sei o que fazer, o que escolher, qual rumo dar a isso que eu chamo de vida. Eu não sei lidar com isso, com a quebra de expectativa minha, dos outros.
Sim, Pai, os outros pesam sobre meus ombros também. Eu era brilhante, lembra? Para você eu sempre fui brilhante - mas, na verdade, nunca fui. Eu nunca tive as melhores notas e nem uma constância nelas, oscilava de conhecimento e interesse constantemente, o que, por si só, é irônico. Nunca mereci uma atenção mais centrada ou um dom que me fizesse especial. Todos os outros tiveram esses dons, todos os outros acertaram em suas escolhas - por que eu não poderia ter acertado também?!
Por que justo eu tive de falhar?! Em tudo?! Será que forças maiores não entendem o que isso ocasonaria em mim? JUSTO EM MIM?!
Pai, por favor, me coloque de volta no berço e conte mais uma vez a história do Pequeno Polegar. Dei-me sua mão para poder atravessar a rua com segurança (eu não quero mais ter de fazê-lo sozinha). Aninha-me entre seus braços e coloque a manta sobre mim - por favor, Pai, eu não quero mais ter de viver assim, crescida.

10 de novembro de 2010

Acho que sinto falta, falta daquela época em que eu não precisa decidir absolutamente nada, quando a minha única preocupação eram notas e conceitos, pois, no fim, o que me importaa o ano seguinte? Viria a mesma escola e uma nova série.
Eu não tenho perspectiva nenhuma de futuro. Sei que largar a faculdade foi o melhor a ser feito, mas, e agora, José?! O que exatamente eu vou fazer?
Mas a melhor parte de não destino e estar angustiado e sem expectativa é quando seu pai, de repente, deixa para lá seus textos e artigos e te dá um abraço.

Foi muito válido, pai, muito reconfortante, mas seus discursos não aliviam meus ombros e nem fazem das minhas noites de sonos belos sonhos a serem lembrados.

9 de novembro de 2010

do you believe in miracles or in wine?

Talvez parte de mim, essa solitária e não sozinha parte de mim, deseje intimamente uma noite de frio e neve e uma caminhada. Uma noite de tanto frio que eu me faça por encolher em meus cachecóis e casacos grossos, sentindo a temperatura baixa tentar trincar meus dedos mesmo que encobertos por luvas.
Uma caminhada que me faça perder, um pouco apenas, o sentido de meu corpo e me transcenda para uma outra sensação de mim mesma.
Posso ver-me andar em passos curtos perto do Tamisa ou do Sena, e apreciar parte de tudo isso que eu peço. O frio é arrebatador mas eu agüento. Por que não agüentaria? Foi o que pedi, certo?
E parte de mim sempre vai querer isso de novo e de novo, sempre assim, porque foi nesta noite em que ele se aproximou de mim no caminho oposto ao meu.
Logo eu, a sua Colombina, que o abandonara em meados à nossa querida Veneza. Logo você, feito de um Pierrot por mim. Sinto ainda o toque aquecido de suas mãos sobre as minhas, noite após noite, como haveria de ser. Você sempre foi mais quente que a mim, desde aquela outra época em que fugimos um do outro e, nessa fuga, nos encontramos de novo.
Você nunca se surpreende quando eu vou embora. Você me olha em complacência e me entende, acenando a cabeça e não me impedindo de partir.
Eu o fiz Pierrot.
Eu fui sempre a Colombina.
O mágico disso tudo – de nós dois – é que você sempre soube o momento de vir me buscar. E foi assim naquela noite diante do Tamisa, do Sena, do Pó, Danúbio... de todos os nossos favoritos, de toda a nossa Europa.
Eu parti por ela e você me fez por esses caminhos todos, e, a cada encontro, fui percebendo que, quando perto de você, essa necessidade de correr em direção oposta a sua é falha. Porque eu falho sempre que tento, porque eu sempre vou me deixar ser encontrada por você.
Essa minha parte solitária porém não sozinha busca nas minhas fugas uma única coisa: o seu encontro.
Por isso decidi fazer de outra maneira, ir embora de um outro jeito. Decidi partir sempre que fechar os olhos para dormir e, quando abertos, você me encontraria ali, encarando-me, do outro lado da cama.

7 de novembro de 2010

Você nasceu dentro de mim numa tarde de verão. Você se lembra? Convidou-me para um churrasco e eu disse não. Foi quando,e ntão, deitada em meu colchão, fiquei feliz por idealizar essa nova paixão. Mas na época, de tão triste a minha solidão, não pude imaginar exatamente como você tomaria meu coração.