... e você vai partir de novo. Sei que vai. Algo em mim não te prende por tempo suficiente para chegarmos ao ponto de precisarmos, em mesma instância, um do outro. A única constante da nossa condição sou eu lutando por um espaço em você. Ironia seja dita, o seu espaço está muito bem guardado em mim e ninguém há de se ocupar dele em outro momento. Demorei horas a fio para traçá-lo com cada sorriso que é seu e me deu sem pedir nada em troca. Ingenuidades à parte, deixe ao menos isso comigo quando for embora; deixe-me então com a sua mágoa, me abraçar e me envolver e ter-me envolto pela sua ausência. Deixe-me transbordar em saudade dentro do vazio que já está aqui, nadar, pular até que eu me canse - e promete uma coisa: volte quando então se cansar de lá; talvez o vazio seu aqui já esteja maior do que aquele ao seu molde, mas tenho certeza de que vai se encaixar perfeitamente a sua presença. Eu sei. Moldo tudo ao redor para encaixar você nesse mundo. Desculpa apenas por uma coisa, por não poder te encaixar na sua vida.
Mas volte."
29 de maio de 2014
24 de maio de 2014
23 de maio de 2014
então, Vida, como será?
Estado de dormência
incumbida naquele ato
em que se nasceu.
De se ser então
aos olhos dos de fora
porque já se era
(ou seria apenas é?)
num correr dito linear
de todos os estados
do verbo ser.
Mas dizia-se sobre a dormência
porque assim se precisa estar
- permanecendo apenas numa única
condição do "estar".
Se está dormente para
no fim
dormir-se.
incumbida naquele ato
em que se nasceu.
De se ser então
aos olhos dos de fora
porque já se era
(ou seria apenas é?)
num correr dito linear
de todos os estados
do verbo ser.
Mas dizia-se sobre a dormência
porque assim se precisa estar
- permanecendo apenas numa única
condição do "estar".
Se está dormente para
no fim
dormir-se.
23 de abril de 2014
Então Maria também recebeu a notícia
Naquele tempo, quando os discípulos de Jesus recebiam a temível notícia de que o pastor então partiria e por traição de um deles, Maria estava longe. Longe de seu único filho que tanto vinha amando e rezando para que, então, o Pai o protegesse. Foi em meio a essas rezas e devoções que aquela figura mais uma vez se fez em sua frente.
- Fico feliz em te ver. A última vez me trouxe a notícia de meu filho.
Gabriel estava despido daquela imagem iluminada de um anjo, sem asas, sem manto. Apenas um ser de formas tão parecidas com a de um andrógeno. Ele, em suas vestes de pano de segunda, sentou-se diante da mulher e lhe segurou as mãos.
- Mulher, tive o prazer de anunciar que seria então a mãe do salvador. Um momento e tanto. E hoje fui escolhido para então dizer que seu filho enfim vai salvá-los.
Maria levantou-se de seus joelhos em extasia de alegria. Seu filho enfim cumpriria seu objetivo e poderia estar com ela! No entanto, ao encarar de perto as expressões de Gabriel, logo entendeu que sua presença ali não se tratava de uma notícia alegre - era algo a mais.
- Diga-me o que tem a dizer. Não fique em pausas.
- Maria... sou o anjo da guarda de seu filho.
- E o filho de Deus tem um anjo da guarda?
- Principalmente o filho de Deus, afinal, o que seriam todos vocês senão filhos dEle?!
- E o que faz aqui?
- Estar aqui com você não me faz menos presente com ele. Muito pelo contrário. Ele, como seu filho, merece ter a mãe ao seu lado nesse momento.
- Pelo amor de Deus, Gabriel_
- É por amor à Ele que estou aqui, anunciando, pela última vez.
- O que é? O que está acontecendo?
Maria não queria então se exaltar. Não queria olhar com tanto desespero para o Anjo e tampouco lhe segurar as vestes como se estivesse com raiva. Maria, antes de ser santa, antes de ser escolhida, era mãe.
- Jesus vai morrer nas mãos dos romanos.
Uma lágrima em forma de luz escorreu pelo rosto do anjo.
- Não. Meu filho não pode morrer, Gabriel, ele ainda tem_
- Choro pelo corpo, Maria. Mas guardo por sua alma para irmos juntos ao Pai. Só venho avisar para que você esteja lá.
- Deus vai matar meu filho?
Gabriel se levantou e enxugou as lágrimas da mãe amada com a manga de suas vestes.
- Deus vai estar com ele, sempre, como sempre tem sido. Quem condena Jesus são os homens. Ele sabe. Você deveria saber também. Seu filho ama a você e ama aos seus irmãos, e dará seu corpo para a salvação de todos.
- Ele vai sofrer?
- O corpo sim. A alma não. A alma de Jesus é livre de marcas. É cheia de luz. Vá e fique perto dele. Seu papel ainda não acabou.
Demorei muitos dias para conseguir escrever esse diálogo que me ficou na cabeça a Páscoa inteira.
15 de abril de 2014
Classificação: Prioridade¹
Já roí as minhas unhas - e meus dedos doem. Já comi todas as comidas que não devo e as venho comendo por muito tempo. Já falhei comigo mesma algumas sentenças. Já pensei umas duas ou três vezes que a vida pode ser diferente.
Seria mesmo necessário? Se parar para pensar vejo uma constância: o topo e declínio contínuo. É difícil atingir o topo. Deveria ter ficado feliz naquele tempo e não ter desejado algo a mais. O mais está aqui comigo e ele não quer mais me deixar.
Seria mesmo então necessário? Necessário reviver tudo isso como um todo? A gente já passou por isso e entendemos como realmente é, tia... Vai continuar doendo, e dessa vez estamos agarrados numa ínfima esperança de que tudo mude. Não quero reviver isso. Foi doloroso para todos nós, e a saudade ainda é ferida aberta.
Não queria ter outra aberta pelos mesmos motivos, entende? Quero seu sorriso se propagando em positivismo e que isso seja a maior força contrária às células. Que as aniquile! Que as dissolva e que vão embora de nossa família para sempre. Que a senilidade atinja-nos contra o peito de forma fraca e que só a percebamos no final de todo o acúmulo.
Triste ficar adulto. Triste que isso nos venha contra o rosto com perdas. Perda do tempo para o ócio criativo; perda do tempo para atividades prazerosas que requerem paciência; perda do tempo das outras pessoas porque a vida tá acelerando.
Entendemos como seja. Não quero sentir de novo. Nem o acúmulo de absolutamente nada.
Seria mesmo necessário? Se parar para pensar vejo uma constância: o topo e declínio contínuo. É difícil atingir o topo. Deveria ter ficado feliz naquele tempo e não ter desejado algo a mais. O mais está aqui comigo e ele não quer mais me deixar.
Seria mesmo então necessário? Necessário reviver tudo isso como um todo? A gente já passou por isso e entendemos como realmente é, tia... Vai continuar doendo, e dessa vez estamos agarrados numa ínfima esperança de que tudo mude. Não quero reviver isso. Foi doloroso para todos nós, e a saudade ainda é ferida aberta.
Não queria ter outra aberta pelos mesmos motivos, entende? Quero seu sorriso se propagando em positivismo e que isso seja a maior força contrária às células. Que as aniquile! Que as dissolva e que vão embora de nossa família para sempre. Que a senilidade atinja-nos contra o peito de forma fraca e que só a percebamos no final de todo o acúmulo.
Triste ficar adulto. Triste que isso nos venha contra o rosto com perdas. Perda do tempo para o ócio criativo; perda do tempo para atividades prazerosas que requerem paciência; perda do tempo das outras pessoas porque a vida tá acelerando.
Entendemos como seja. Não quero sentir de novo. Nem o acúmulo de absolutamente nada.
¹ referente à classificação de hospital no pa.
30 de março de 2014
Sobre as somas de algumas INconstâncias.
Mudar.
Mudar é estado de transição, nem com um pé aqui, neste agora e nesta realidade e nos velhos pensamentos, e nem com o outro pé, adiante, já no mudado e feito, já com outros pensamentos e outros sorrisos. Mudar é um estado transitório de somente estar com os pensamentos alinhados nos objetivos futuros.
E como é difícil alinhá-los e fixá-los. Como é difícil mantê-los naquela direção e sentido, sem nunca torná-los para o antes. É difícil concluir o estado de pé lá já pronto para o outro estar ali também. Quantas dúvidas das incertezas surgem neste pulo. Estar no ar à mercê de qualquer vento, de qualquer norte, sul... noroeste. Que és-te.
Tudo envolto no processo é difícil e muito vulnerável. Decidir, manter-se e concluir.
Hoje decido mudar (o que, pois, é um instante entre o agora e o mudar) e amanhã não posso saber - assumir qualquer questão ou certeza, pois mudo e mudo constantemente para qualquer vertente.
Mudar é estado de transição, nem com um pé aqui, neste agora e nesta realidade e nos velhos pensamentos, e nem com o outro pé, adiante, já no mudado e feito, já com outros pensamentos e outros sorrisos. Mudar é um estado transitório de somente estar com os pensamentos alinhados nos objetivos futuros.
E como é difícil alinhá-los e fixá-los. Como é difícil mantê-los naquela direção e sentido, sem nunca torná-los para o antes. É difícil concluir o estado de pé lá já pronto para o outro estar ali também. Quantas dúvidas das incertezas surgem neste pulo. Estar no ar à mercê de qualquer vento, de qualquer norte, sul... noroeste. Que és-te.
Tudo envolto no processo é difícil e muito vulnerável. Decidir, manter-se e concluir.
Hoje decido mudar (o que, pois, é um instante entre o agora e o mudar) e amanhã não posso saber - assumir qualquer questão ou certeza, pois mudo e mudo constantemente para qualquer vertente.
29 de março de 2014
More-na
Tem a menina que um dia aparece sem saber de onde, por onde
e na sua frente ela está. E você a olha como se já a conhecesse, como se, em
meio a multidão de iguais e diferentes, ela reluzisse diretamente para você. O
que pode ser isso?
Resultante de energias de sentido e direção opostas que
somadas encurtam a resultante, encurtam a distância, trazem mais concentração
de energia para o ponto em comum no meio de ambos. Resultado da vontade utópica
dela de querer ser vista; vontade sua de um dia querer ver alguém.
Preencha então seu peito com luz.
Preencha seu peito com a luz dos olhos dela e deixe essa luz
propagar-se e disseminar-se para todos os lados. A menina pode te ver como ela
sempre te viu entre tantos. Você não a via.
Estenda a mão e agarre. Essa menina então mulher é parceira
na mesma ânsia criativa necessidade que te envolve desde quando se assim pensou
que deveria ser. Ser o quê?, pergunta agora sem entender. Ser o ponto de
congruência de todo um universo de retas paralelas de realidade para um ponto
de vista de uma pessoa num ponto de um espaço e tempo.
Agora você tem certeza de que todos os seus eus, em todos os
universos, todas as realidades têm a ela. A mesma de qualquer maneira.
A paciência e a espera, tolerância e esmero a trouxeram até
aqui neste hoje para você. O seu eu de hoje está pronto para encontrá-la.
Encontre-a.
Segure-a.
Diga.
Foto: Piracicaba, 22-11-13
Isensee e Sá, M.
http://www.flickr.com/photos/forfunfotos/11341016236/in/set-72157638611361056
1 de janeiro de 2014
então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo¹
Somos tão jovens, você me dizia, somos jovens para o mundo,
para o futuro, e na minha cabeça podia ouvir a sua voz soar "somos jovens
para nós".
O quão jovens poderíamos ser para não conseguir saber o que
éramos nós dois juntos? correr para lados tão opostos talvez fosse o primeiro
indício. Você sempre tinha os pés apontados exatamente para longe dos meus.
nunca sonhamos um único sonho juntos.
Tornamos grandes jovens tão separados que hoje penso que se
somados teríamos nos diminuído. sabedoria da vida que nos bate à porta quando
estamos de partida. quantas partidas tivemos? Amizade? Partiu-se Você? Foi-se.
Eu?
Não sei. só sei que éramos jovens e aquele tempo, aquele
vento, aquele sol, nada nos bate mais à cara como lembrete de que éramos tão
únicos e aqueles dias os últimos.
Partimo-nos. Em dois.
¹Tempo Perdidos, Legião Urbana
5 de dezembro de 2013
Universo meu Paralelo
Essa banda pode ser qualquer uma que se encaixe dentro do
seu vocábulo de "melhor banda da minha vida". Pode ser sua, minha, de
qualquer um que um dia sentiu-se próximo de pessoas que viu uma vez, dez metros
de distância, tentou camarim e foi barrado pelo segurança.
Mas esta banda aqui pode ser de qualquer fã. Para mim, pode se encaixar perfeitamente ao Queen (uma pena que eles não são mais uma banda) e o fator que movimenta a vontade pode ser Radio Ga Ga. Pô, eu gosto desta música e me arrepia os pelos ouvir o Fredd movimentar aquela multidão no ao vivo em Wimbley.
- Ao menos que queira uma opinião o que está escrevendo.
Quem nunca tentou entrar no camarim, para ser só mais um fã
querendo um pouco de atenção num afã secreto de ser notado, não sabe o que é
ser barrado por um segundo, uma fita, dois cones e uma corrente. Eu fui barrada
por um segurança mesmo, que me expulsou não só da fila, mas do salão.
Obrigado você porque graças a sua atitude tive uma bela
volta para casa com o namorado, pensando e refletindo um bocado sobre tudo.Mas esta banda aqui pode ser de qualquer fã. Para mim, pode se encaixar perfeitamente ao Queen (uma pena que eles não são mais uma banda) e o fator que movimenta a vontade pode ser Radio Ga Ga. Pô, eu gosto desta música e me arrepia os pelos ouvir o Fredd movimentar aquela multidão no ao vivo em Wimbley.
Só que não é o Queen. Não nesse momento. Há algum, teria
sido. E teria sido também o Capital Inicial.
E, se é verdade a teoria de universos paralelos, vejo que
tem um eu meu muito feliz fazendo a ideia que eu tive nesse plano: rodando a
estrada e registrando momentos, pensamentos e brincadeiras de uma banda -
afinal, cabe aqui qualquer banda. E me deixa um pouco conflituosa imaginar que
também haja um eu meu cantando (minha memória para música é péssima; não sei
uma letra de cor. Mas, vai saber, talvez este eu tenha desenvolvido um
mecanismo de memorização, por que não um igual aquele do The Mentalist,
envolvendo o palácio de memórias com um lugar em que muito bem conheço?!).
Esse eu tá quieta nos poucos degraus de uma casinha singela
do Rio de Janeiro. Tá olhando a noite que se faz quente e tenta pegar no rosto
algum resquício de brisa fria. Não vem. Mas o laptop no colo ferve. Escrever,
escrever, escrever. Hoje eles fizeram uma entrevista para um site de música
independente, e se bem entendi começou
agora e os caras queriam um grande começo com grande estilo.
Eu concordo que eles escolheram a melhor banda.
Faz tão pouco tempo que estou aqui que nem parece certo
estar aqui, invadindo o espaço de criação deles. Mas prometi ser quieta e
cautelosa - e o tenho sido com tanta precisão que às vezes eles realmente
conseguem esquecer que estou ao lado deles. Isso é ótimo, pois consigo captar
cada um deles em seus momentos quase ínfimos.
Vezes em quando eles me perguntam como está indo, como estou
encaixando as coisas; estão preocupados. Eles se completam tão bem um com o
outro que, secreta e inconscientemente, têm medo de que outros os enxerguem de
outra maneira senão aquela do mundo deles. O mundo dos quatro. Se minha visão é
diferente? Sim. Distorcida? Acredito em que não. Não há como distorcer uma esfera
- seu centro equidista de qualquer ponto.
Na entrevista, quiseram saber se eles possuíam a noção da
projeção deles como banda pelo Brasil. Eu queria ter respondido por eles,
contado a minha história e feito as contas de probabilidade daquilo ter
acontecido, e aí sim chegaríamos a conclusão do tamanho do que são enquanto
banda. Eles se entreolharam por algo que eu poderia dizer ser a menor fração de
tempo registrada. Cumplicidade. Ali conseguiram conectar todas as vias de
pensamentos deles em uma única e fluída que fosse congruente a todos.
Não vou contar o que eles responderam. Que busquem o site e
leiam a entrevista!
Saímos de lá com fome - eles com fome. Paramos em um
restaurante de selv serf. Tem-se os vorazes e o equilibrado, me perguntando
sobre sinergismo dos alimentos e qual componente inibe outro. Falei de alguns
porque, assim, de cara, não me lembro de todos. Ele me disse que andava cansado
e que estava preocupado, afinal, precisa-se de disposição para ser compositor.
Para ser quem a mente dele comanda.
Ele é um grande "expressador", de qualquer coisa.
Ele diz que eu também sou, mas acho que de uma maneira bem mais branda, afinal,
a sonoridade não me é importante. Eu só vou escrevendo, escrevendo e como for,
veio e ficou. Raramente mudo algo. Volto atrás. Teimosia, eu acho. Ele já me deixou dar uma boa observada nos
seus cadernos de rascunhos. Senti-me em êxtase segurando e podendo desvendar
aquelas folhas: eram as coordenadas da mente dele. Toda a caótica organizada em
linhas.
Lindo.
Quase chorei. Não o fiz. Achei muito inapropriado.
Depois do almoço quiseram dormir e irem à praia. Nunca
contei a eles que não gosto de praia. Muita areia para pouca área corpórea.
Fiquei na casa com a desculpa que tinha muita coisa para escrever.
"E tem lugar melhor para escrever do que vendo o mar,
gata?"
Eles me chama assim não porque seja bonita, mas pela minha cara
de menosprezo, que nem dos gatos, e acho que pela independência que criei
deles. Fiz amizade com a Dona aqui do lado, a vizinha que é praticamente a mãe
de todo mundo aqui da vila. Ela me contou histórias bonitas deles, de quando
ela estava doente e não tinha condições de ir ao hospital e um deles a levou.
A noite é quente aqui no Rio. Não me lembro mais das minhas
expectativas quanto a cidade maravilhosa. Me lembro um pouco daquelas que
trouxe na bagagem e do medo de começar esse projeto. Que coisa. Que pena. Não
contei ainda para eles, mas está acabando. Em pouco ou menos tempo não terei
mais o que escrever sobre estes rapazes (meninos. Homens?! Homens).
Aprendi tanto sobre amizade e Amor. Encontrei pessoas que me
permitem a propagação de ideias, as reflexões de olhadas para fora da janela.
Vim aqui para contar uma história, a história de alguns dias deles, dos olhares
deles sobre eles e dessa sincronicidade de energia que os mantêm, como pessoas
individuais, como grupo, como profissionais.
A luz acende.
- Tá acordada ainda?
- Não consegui dormir. Muita coisa acontecendo...
- Muitas coisas acontecem, gata, até nos sonhos. Tenta
dormir que amanhã vamos para um lugar muito legal.
Um copo de chocolate. De leite de soja. De achocolatado
orgânico. Gelado.- Ao menos que queira uma opinião o que está escrevendo.
Eles todos estão curiosos.
Ao longo desses dias eles perceberam a minha visão de mundo
e meu ponto quase de autocrítica. Eles temem o que eu vejo.
Sou quase o Darth Vader da Casinha.
E este meu eu está assim, também achando que é o Darth Vader.
(05/12/13)
30 de novembro de 2013
Felicidade é um fim de tarde olhando o mar¹
Seria pois uma característica só minha de ficar idealizando todas as coisas que eu poderia ter feito? Acho que não. Acho que cada pessoa carrega em si aquele desejo secreto de, sei lá, ter podido se dedicar a uma outra coisa, desenvolvida um outro interesse. Seria uma fuga contida ou o desejo de ficar lembrando de tudo o que não fez?
Não sei.
Soa-me como tiro constante em cima da ferida esquecida - para então se lembrar de que você não fez e que não é nada daquelas coisas.
Eu teria me dedicado mais às artes, sabe? Todas elas: escrever, pintar, desenhar, fazer. Seja lá o que me fosse proposto em mente, mas seria de alguma forma algo muito similar à arte. E escolheria coisas que me fizessem bem e me trouxessem paz: surfar, tocar violão, jogar basquete no final de tarde, uma bola de sorvete de limão por final de semana (na verdade seria por dia, mas eu não gostaria de abusar tanto de algo que gosto correndo o risco de enjoar e deixar para lá).
Ter o sossego em mente sem aquela auto cobrança que me é tão emaranhada na essência. Parece um bom caminho para coisas que eu deveria ter feito. É um sonho não de futuro, mas de passado, que em parte em muito me acalma. A questão é que a mente do jovem é uma armadilha tão grande que qualquer desvio de conduta corrói a estrutura e a principal é acreditar que o tempo é rápido demais e, como consequência não correlacionada, temos de correr atrás de objetivos maiores. Carreira, emprego, conhecimento, família e dinheiro.
Não é ruim ter esses planos, mas não seria bom encontrar um espaço para se fazer o que se tem vontade? Crescer profissionalmente é deveras importante e gratificante, e por que não agregar à essa gratificação tudo aquilo que unicamente, por assim estar contido, te dá sossego? Complementar não somente o currículo, mas a alma.
Desenhar, pintar, escrever, ilustrar... Ilustrar cada capítulo de mim naquilo que me faz em paz. Soa-me um bom sonho frustrado de passado e um interessante ponto a ser considerado para o futuro (para então ser presente e ser constante).
Não sei.
Soa-me como tiro constante em cima da ferida esquecida - para então se lembrar de que você não fez e que não é nada daquelas coisas.
Eu teria me dedicado mais às artes, sabe? Todas elas: escrever, pintar, desenhar, fazer. Seja lá o que me fosse proposto em mente, mas seria de alguma forma algo muito similar à arte. E escolheria coisas que me fizessem bem e me trouxessem paz: surfar, tocar violão, jogar basquete no final de tarde, uma bola de sorvete de limão por final de semana (na verdade seria por dia, mas eu não gostaria de abusar tanto de algo que gosto correndo o risco de enjoar e deixar para lá).
Ter o sossego em mente sem aquela auto cobrança que me é tão emaranhada na essência. Parece um bom caminho para coisas que eu deveria ter feito. É um sonho não de futuro, mas de passado, que em parte em muito me acalma. A questão é que a mente do jovem é uma armadilha tão grande que qualquer desvio de conduta corrói a estrutura e a principal é acreditar que o tempo é rápido demais e, como consequência não correlacionada, temos de correr atrás de objetivos maiores. Carreira, emprego, conhecimento, família e dinheiro.
Não é ruim ter esses planos, mas não seria bom encontrar um espaço para se fazer o que se tem vontade? Crescer profissionalmente é deveras importante e gratificante, e por que não agregar à essa gratificação tudo aquilo que unicamente, por assim estar contido, te dá sossego? Complementar não somente o currículo, mas a alma.
Desenhar, pintar, escrever, ilustrar... Ilustrar cada capítulo de mim naquilo que me faz em paz. Soa-me um bom sonho frustrado de passado e um interessante ponto a ser considerado para o futuro (para então ser presente e ser constante).
¹ Hidropônica, Forfun.
23 de novembro de 2013
E eu que não tinha o que escrever
Não-saber às vezes é o melhor estado de consciência que se pode ter diante das coisas da vida, da curiosidade, da humanidade. Quem não soube antes esteve propenso à deixar a mente aberta para poder aprender sobre as diferentes formas que tudo pode ser. Muitas vezes eu simplesmente não sei e o que e quem quiserem me ajudar a tentar desfazer esse enlaço sempre me foram bem-vindos. E bem-vindos foram todas as informações que me contaram, não importante exatamente qual e qual era sua veracidade. Isso depois eu descubro, com o tempo, com a vida, com os livros. Aliás, gostar de ler e aprender são motores muito relevantes para se ter conhecimento deste estado de não-saber. Não-saber tem sido a busca pela qual todos correm, porque quem não sabe de nada tende a querer conhecer tudo. Quem não sabe de nada não está fechado. Eu estive fechada, e vou me abrindo, deixando que meu conhecimento não se solidifique. Deixo que todo ele seja líquido, seja maleável para sempre poder molda-lo a tudo aquilo de novo que faz surgir-me em curiosidade.
Não-saber é um estado - e a ciência já diz que ela depende de condições de pressão e temperatura para se estar em algum estado. A pressão vem de mim. A temperatura é a potência em que meus pensamentos correm.
E eles correm rápidos.
Não-saber é um estado - e a ciência já diz que ela depende de condições de pressão e temperatura para se estar em algum estado. A pressão vem de mim. A temperatura é a potência em que meus pensamentos correm.
E eles correm rápidos.
22 de novembro de 2013
Hoje não tem hora para terminar (sobre Forfun e outras coisas mais)
Tem algumas coisas que nos remete ao interessante, e uma delas, posso dizer com certeza, é o que eu presenciei ao longo desses dois ou três meses seguindo e ouvindo essa banda, Forfun.
A crítica das letras deles me remete ao meu estado de pessoa interessada em pensamentos e humano, e como essa pessoa me coloco, às vezes, a prova de cada tapa na cara que esses caras estejam passando para toda a sua legião de fã. Alguns devem entender, outros, nem tanto.
Um pouco talvez vá além de cada palavra cantada, entra mais afundo no que cada palavra, somada às outras, deve de fato ser. E sê-lo é o que me toca. Toca-me como o ponto de vista deles possui um cunho filosófico, dizendo sobre forma e matéria (totalmente de Aristóteles) e o questionar se existe necessidade de possuir e bel-prazer (Epicuro). Forfun me remete àquela que eu deixei um pouco para trás, trazendo-me à lembrança a doce amargura do querer saber.
Não é que seja ruim e espero fazer de todos os sentimentos o propulsor para várias coisas que quero realizar. Por hora me basta poder sentar e escrever um pouco disso tudo, sobre como várias coisas, de maneiras diferentes, conseguem atingir um ponto em comum em mim. Forfun me faz pensar quanto algumas coisas, alguns conceitos (busco ainda o real de "malícia") e sei que vai além de um dicionário e de uma superfície. Os destrinchar é que me é bonito. E destrincho as músicas nas palavras mais obscuras.
E o Bonito é ainda uma questão universal.
A crítica das letras deles me remete ao meu estado de pessoa interessada em pensamentos e humano, e como essa pessoa me coloco, às vezes, a prova de cada tapa na cara que esses caras estejam passando para toda a sua legião de fã. Alguns devem entender, outros, nem tanto.
Um pouco talvez vá além de cada palavra cantada, entra mais afundo no que cada palavra, somada às outras, deve de fato ser. E sê-lo é o que me toca. Toca-me como o ponto de vista deles possui um cunho filosófico, dizendo sobre forma e matéria (totalmente de Aristóteles) e o questionar se existe necessidade de possuir e bel-prazer (Epicuro). Forfun me remete àquela que eu deixei um pouco para trás, trazendo-me à lembrança a doce amargura do querer saber.
Não é que seja ruim e espero fazer de todos os sentimentos o propulsor para várias coisas que quero realizar. Por hora me basta poder sentar e escrever um pouco disso tudo, sobre como várias coisas, de maneiras diferentes, conseguem atingir um ponto em comum em mim. Forfun me faz pensar quanto algumas coisas, alguns conceitos (busco ainda o real de "malícia") e sei que vai além de um dicionário e de uma superfície. Os destrinchar é que me é bonito. E destrincho as músicas nas palavras mais obscuras.
E o Bonito é ainda uma questão universal.
14 de agosto de 2013
Show must go on
Existe uma certa relevância em não querer mais que fosse daquela maneira que vem sendo há tanto tempo. Negar não é afirmar, é apenas ir por um lado mais obscuro do que a afirmação. Negar não é mostrar uma outra afirmação, é dizer que a ideia está em errada em sua concepção e raízes mas não é apontar a direção para algo mais correto.
Negar não necessariamente implica encontrar outra afirmação. Você pode mirar para qualquer lado.
É muito fácil negar.
É muito mais fácil não negar.
O difícil é assumir que está sendo negado e que aquilo tudo não cabe para você. Fácil é negar para o outro. O difícil é negar para si.
Por quê?
Porque, ao fazê-lo, necessita-se encontrar a afirmação correta, aquela que lhe cabe com tamanha coerência que parece ser até mesmo idiossincrático. A urgência de não ficar a mercê de um abismo. A relevância, do início, é o ponto sobressalente implicado nesse ato, que envolve a voz, o ato, a mente. Negar três vezes para assumir a negação.
E assumi-la é a sua primeira afirmação. Afirmo que nego. Afirme que nega.
Afirme, firmemente, afinco.
Não existe meia negação, existe a dupla, o dobro de tudo aquilo que pode até mesmo negar o próprio não contido, mas jamais o meio. Meio termo não existe; uma vez iniciado o passo, a corrida deve começar logo e só vai parar quando o percurso for realizado. E, desculpe, mas aqui também não há falhas. Êxito.
Conseguir negar é êxito.
Negar não necessariamente implica encontrar outra afirmação. Você pode mirar para qualquer lado.
É muito fácil negar.
É muito mais fácil não negar.
O difícil é assumir que está sendo negado e que aquilo tudo não cabe para você. Fácil é negar para o outro. O difícil é negar para si.
Por quê?
Porque, ao fazê-lo, necessita-se encontrar a afirmação correta, aquela que lhe cabe com tamanha coerência que parece ser até mesmo idiossincrático. A urgência de não ficar a mercê de um abismo. A relevância, do início, é o ponto sobressalente implicado nesse ato, que envolve a voz, o ato, a mente. Negar três vezes para assumir a negação.
E assumi-la é a sua primeira afirmação. Afirmo que nego. Afirme que nega.
Afirme, firmemente, afinco.
Não existe meia negação, existe a dupla, o dobro de tudo aquilo que pode até mesmo negar o próprio não contido, mas jamais o meio. Meio termo não existe; uma vez iniciado o passo, a corrida deve começar logo e só vai parar quando o percurso for realizado. E, desculpe, mas aqui também não há falhas. Êxito.
Conseguir negar é êxito.
13 de agosto de 2013
"a linguagem revela a mentalidade de um povo"
Acabei de ouvir na tv. E nem era isso o que eu estava pensando lá, na hora, pensava em algo mais abstrato. Pensava em como é difícil ter vários gostos e interesses. E a ideia é essa mesma, de pretérito imperfeito do indicativo, porque se eu me lembro agora... lembro-me de muitas coisas que não concluí.
Seria muito mais simples gostar de um único interesse, como um foco tão preciso, e, desta maneira, mirar só e continuamente nele. Estudar, ler, reler, conhecer, refletir, enfim, opinar. Para si, e não para outros.
Acabei de ouvir na tv. E nem era isso o que eu estava pensando lá, na hora, pensava em algo mais abstrato. Pensava em como é difícil ter vários gostos e interesses. E a ideia é essa mesma, de pretérito imperfeito do indicativo, porque se eu me lembro agora... lembro-me de muitas coisas que não concluí.
Seria muito mais simples gostar de um único interesse, como um foco tão preciso, e, desta maneira, mirar só e continuamente nele. Estudar, ler, reler, conhecer, refletir, enfim, opinar. Para si, e não para outros.
7 de agosto de 2013
Acho que perdoar realmente é uma ótima saída por uma questão de vida. Se você consegue de fato perdoar as atitudes agressoras de alguém, você consegue esquecer simplesmente, mas nunca ouvi dizer de alguém que simplesmente esquecesse do rancor porque a vida foi passando.
Rancor, raiva, ódio não vão embora com o decorrer da vida. Imagine-se com 80 anos e se deparar com aquela pessoa que te fez algo quando ambos tinham 20?! Você não esquece. Você vai lembrar. Mas se encarar essa pessoa depois de sessenta anos de perdão, nada vai lhe acometer. A outra pessoa vai: ela vai lembrar que você o perdoou.
Mas o pior é ter de se perdoar. Acho que isso ninguém consegue, ao final. Perdoar-se necessita de muito mais coragem e esforço do que lembrar para esquecer.
Rancor, raiva, ódio não vão embora com o decorrer da vida. Imagine-se com 80 anos e se deparar com aquela pessoa que te fez algo quando ambos tinham 20?! Você não esquece. Você vai lembrar. Mas se encarar essa pessoa depois de sessenta anos de perdão, nada vai lhe acometer. A outra pessoa vai: ela vai lembrar que você o perdoou.
Mas o pior é ter de se perdoar. Acho que isso ninguém consegue, ao final. Perdoar-se necessita de muito mais coragem e esforço do que lembrar para esquecer.
25 de julho de 2013
this five words I swear to you
Tá frio, sabe?! E as pontos dos dedos doem porque eles nunca ficam quentes. Sempre há algo para gelá-los de novo. Mas não é isso que a incomoda.
Você pode até achar que no mundo existem problemas maiores, e acontece que há mesmo. Só que nenhum problema é grande o suficiente se não atinge diretamente a gente e isto é um fato. Não é egoísmo.
É apenas que sentir os nossos problemas dói. Os dos outros não doem. Talvez nos compadeça de alguma empatia, mas não dói.
O dela agora dói. E é agoniante vê-lo resplandecer no sorriso que dá a todos. Ela não está aqui para enganar a ninguém e nem tentar esconder nada - ninguém entende quando isso acontece porque todo mundo quer ver sua dor. Não foi a vida que a ensinou isso. Não foram os tombos. Ela apenas nasceu com isso de deixar sua dor ali dentro para poder pensar nela sozinha.
Pensar, pensar, pensar e pensar mais um pouco. Impressionante como isso funciona de verdade.
Os dedos ainda doem e o frio sobe pelas pernas, porque os pés também estão congelados. Ah!, se eu tivesse algo bem quente para coloca-los agora. E o problema é essa angústia de não saber quantos anos de fato tem. Teme que não seja um ou dois a menos que a idade do RG. A mais, talvez?! Não.
Sair da zona de conforto não é fácil, mas não é só isso, minha cara.
Vencer a timidez que sempre traz consigo a insegurança e o medo de ficar sozinha. E é aí que idade interfere, porque, se fosse realmente aqueles dois números, essa angústia não apertaria o peito. Apertar o peito é claustrofóbico e ela é isso dai sim.
Entendeu agora porque é que sufoca? Não é a angústia em si, mas o que ela causa. Ela causa o que um claustrofóbico mais teme.
Você pode até achar que no mundo existem problemas maiores, e acontece que há mesmo. Só que nenhum problema é grande o suficiente se não atinge diretamente a gente e isto é um fato. Não é egoísmo.
É apenas que sentir os nossos problemas dói. Os dos outros não doem. Talvez nos compadeça de alguma empatia, mas não dói.
O dela agora dói. E é agoniante vê-lo resplandecer no sorriso que dá a todos. Ela não está aqui para enganar a ninguém e nem tentar esconder nada - ninguém entende quando isso acontece porque todo mundo quer ver sua dor. Não foi a vida que a ensinou isso. Não foram os tombos. Ela apenas nasceu com isso de deixar sua dor ali dentro para poder pensar nela sozinha.
Pensar, pensar, pensar e pensar mais um pouco. Impressionante como isso funciona de verdade.
Os dedos ainda doem e o frio sobe pelas pernas, porque os pés também estão congelados. Ah!, se eu tivesse algo bem quente para coloca-los agora. E o problema é essa angústia de não saber quantos anos de fato tem. Teme que não seja um ou dois a menos que a idade do RG. A mais, talvez?! Não.
Sair da zona de conforto não é fácil, mas não é só isso, minha cara.
Vencer a timidez que sempre traz consigo a insegurança e o medo de ficar sozinha. E é aí que idade interfere, porque, se fosse realmente aqueles dois números, essa angústia não apertaria o peito. Apertar o peito é claustrofóbico e ela é isso dai sim.
Entendeu agora porque é que sufoca? Não é a angústia em si, mas o que ela causa. Ela causa o que um claustrofóbico mais teme.
21 de julho de 2013
Mysterious Lake.
Eu não quero te deixar.
Não sei mais o que dizer sobre isso, só sei que não estou pronta para te deixar ir embora desta vez. Desse jeito. Passei tanto tempo dentro do seu mundo, da sua visão, da sua atmosfera que agora me parece injusto que eu tenha sido retirada dele simplesmente porque tudo acabou.
Não quero ir embora, entende? Não quero não mais ver nada daquilo tudo.
Ler o "Palácio de Inverno" foi magnífico porque algo na história me cativou tanto que sinto tudo dela ainda aqui comigo. Eu gostava de Zoia no começo, mas depois não sabia mais o que pensar. Já sabia quem ela era, mas me soavam como duas pessoas completamente diferentes e... e também não quero que ela se vá.
Entenda que eu me encantei por sua adolescência, pela meninice de Anastácia, pelos detalhes que nunca terei de Maria e Serguei, pelo o que nunca entenderei de Alexei. Você me encantou, Geórgui. Devo confessar que já comecei outro, mas não estou pronta para abandona-lo. Não tenho a menor vontade de apagar as história de mim e tão menos não mais pensar nela.
Não quero te deixar.
Não sei mais o que dizer sobre isso, só sei que não estou pronta para te deixar ir embora desta vez. Desse jeito. Passei tanto tempo dentro do seu mundo, da sua visão, da sua atmosfera que agora me parece injusto que eu tenha sido retirada dele simplesmente porque tudo acabou.
Não quero ir embora, entende? Não quero não mais ver nada daquilo tudo.
Ler o "Palácio de Inverno" foi magnífico porque algo na história me cativou tanto que sinto tudo dela ainda aqui comigo. Eu gostava de Zoia no começo, mas depois não sabia mais o que pensar. Já sabia quem ela era, mas me soavam como duas pessoas completamente diferentes e... e também não quero que ela se vá.
Entenda que eu me encantei por sua adolescência, pela meninice de Anastácia, pelos detalhes que nunca terei de Maria e Serguei, pelo o que nunca entenderei de Alexei. Você me encantou, Geórgui. Devo confessar que já comecei outro, mas não estou pronta para abandona-lo. Não tenho a menor vontade de apagar as história de mim e tão menos não mais pensar nela.
Não quero te deixar.
17 de junho de 2013
Física Quântica
É prepotência e eu sei (o que já é outra prepotência).
Ao parar para pensar na quantidade de coisa que quero saber e entender, me deparo com uma gama enorme de assuntos e llivros que devo ler, assustando-me em mesma instância. Esse sentimento me acomete acho que desde de sempre - ou não - e desde sempre - ou não - vou ali, mentalmente, destrinchando e desfazendo o emaranhado de coisas que são necessárias para, antes de ter qualquer conhecimento "solidificado", se ter uma boa bem solidifcada.
Se eu fosse assim deste tanto esforçada e menos preguiçosa, menos procrastinadora, menos esperando que eu seja inteligente e que tudo dependa apenas daqueles alguns porcentos de criatividade.
Sem mais.
Ao parar para pensar na quantidade de coisa que quero saber e entender, me deparo com uma gama enorme de assuntos e llivros que devo ler, assustando-me em mesma instância. Esse sentimento me acomete acho que desde de sempre - ou não - e desde sempre - ou não - vou ali, mentalmente, destrinchando e desfazendo o emaranhado de coisas que são necessárias para, antes de ter qualquer conhecimento "solidificado", se ter uma boa bem solidifcada.
Se eu fosse assim deste tanto esforçada e menos preguiçosa, menos procrastinadora, menos esperando que eu seja inteligente e que tudo dependa apenas daqueles alguns porcentos de criatividade.
Sem mais.
10 de junho de 2013
Tão de madrugada quanto a linha de pensamento
Gostoso quando nos deparamos com um livro que realmente nos faça querer ler. Foi assim para mim nas primeiras vezes em que li Harry Potter e talvez hoje em dia ainda seja. Mas gostoso mesmo é quando você quer terminar aquela história - não porque ela seja chata, e sim porque você precisa entender como o personagem se completa.
Foi assim com Harry Potter.
E aí que tem esse livro que veio seguido de outros dois que me fez pensar no seminário que tenho de apresentar na quarta sobre a linha de pesquisa de um professor da medicina. Eles costumam escrever Medicina, mas para quem é graduando de um dos cursos que compôem a faculdade de medicina é apenas medicina mesmo, porque nutrição e metabolismo não deveria ser visto com algo subalterno da faculdade.
Que seja.
Meu seminário.
Meu seminário diz respeito a um nutrólogo que tive de me segurar por todos os 15 minutos de entrevista para não perguntar o porque, afinal, de não ter sido nutrição, só que eu não quis passar por aquela velha linha de raciocínio de que a medicina é extremamente fascinante. (Todos os professores nos tratam como se somente a medicina fosse fascinante e que um hospital somente é feito por médicos). E não acho que não seja, mas não quis aprofundar nenhuma escolha passada que pudesse resultar em palavras que não me fizessem sentido - não por ignorância ou arrogância (duas coisas que não possuo), apenas por não conseguir, talvez, entender a real significância delas. E para quem gosta de ler livros e se engajar na história, não entender palavras em seu contexto pode provocar um certo desconforto e noites mal dormidas além de levar a entrevista para um cunho mais semântico.
E por isso não perguntei nada.
O Dr. Professor foi-me muito atencioso, dentro do meu próprio limite de nunca conseguir fazer as perguntas para as respostas que quero saber. Gosto de pessoas que falam sem precisar de um estímulo retórico para que possam desenvolver o discurso - por isso gosto de palestras. Sei que deveria ter me prendido ao fato de que sua linha de pesquisa era (é) deveras muito interessante, afinal, casos extremos do metabolismo são interessantes, mas antes de uma curiosa em biologia, sou uma curiosa comportamental. Atei-me ao fato de como um mero aluno de graduação deveria abordar um professor para uma iniciação científica e, de forma nada surpresa, ele me disse "perca o medo".
O Medo em si já me persegue de outro tempos desde lá do colegial (que foi quando eu percebi isso). Medo e Respeito muito se misturam e andam camuflados. Usei muito a palavra Respeito para o meu professor de História quando na verdade eu tremia mesmo era de Medo dele (claro que minha oratória péssima nunca me permitiu persuadi-lo do contrário - e sua sagacidade somado ao conjunto). Um aluno de graduação tem medo e respeito por um professor, talvez se esquecendo de que um professor já foi um aluno de graduação. E o Dr. Professor me falou sobre agregar, fazer por si só e ser impetuoso. Tudo o que eu nunca consegui somar a minha sonolenta personalidade.
Minha conclusão ao final da entrevista foi "eu não possuo o perfil de um inciante científico do laboratório dele". Talvez a minha falta de habilidade em continuar a entrevista provou isso.
E no final é tudo isso daí mesmo, uma questão de ler e se entreter e querer se completar. O único professor que me chamou a atenção foi aquele outro que ocupava minhas tardes de sexta-feiras, mas nem era no ramo de pesquisa dele - e sim pelo cunho da aula de bioética, o que me resgatou algo que eu acreditei ter perdido em algum canteiro na Unicamp.
Sinto falta da Filosofia. Sinto falta dos livros de História. Sinto falta dos livros de Estórias.
Foi assim com Harry Potter.
E aí que tem esse livro que veio seguido de outros dois que me fez pensar no seminário que tenho de apresentar na quarta sobre a linha de pesquisa de um professor da medicina. Eles costumam escrever Medicina, mas para quem é graduando de um dos cursos que compôem a faculdade de medicina é apenas medicina mesmo, porque nutrição e metabolismo não deveria ser visto com algo subalterno da faculdade.
Que seja.
Meu seminário.
Meu seminário diz respeito a um nutrólogo que tive de me segurar por todos os 15 minutos de entrevista para não perguntar o porque, afinal, de não ter sido nutrição, só que eu não quis passar por aquela velha linha de raciocínio de que a medicina é extremamente fascinante. (Todos os professores nos tratam como se somente a medicina fosse fascinante e que um hospital somente é feito por médicos). E não acho que não seja, mas não quis aprofundar nenhuma escolha passada que pudesse resultar em palavras que não me fizessem sentido - não por ignorância ou arrogância (duas coisas que não possuo), apenas por não conseguir, talvez, entender a real significância delas. E para quem gosta de ler livros e se engajar na história, não entender palavras em seu contexto pode provocar um certo desconforto e noites mal dormidas além de levar a entrevista para um cunho mais semântico.
E por isso não perguntei nada.
O Dr. Professor foi-me muito atencioso, dentro do meu próprio limite de nunca conseguir fazer as perguntas para as respostas que quero saber. Gosto de pessoas que falam sem precisar de um estímulo retórico para que possam desenvolver o discurso - por isso gosto de palestras. Sei que deveria ter me prendido ao fato de que sua linha de pesquisa era (é) deveras muito interessante, afinal, casos extremos do metabolismo são interessantes, mas antes de uma curiosa em biologia, sou uma curiosa comportamental. Atei-me ao fato de como um mero aluno de graduação deveria abordar um professor para uma iniciação científica e, de forma nada surpresa, ele me disse "perca o medo".
O Medo em si já me persegue de outro tempos desde lá do colegial (que foi quando eu percebi isso). Medo e Respeito muito se misturam e andam camuflados. Usei muito a palavra Respeito para o meu professor de História quando na verdade eu tremia mesmo era de Medo dele (claro que minha oratória péssima nunca me permitiu persuadi-lo do contrário - e sua sagacidade somado ao conjunto). Um aluno de graduação tem medo e respeito por um professor, talvez se esquecendo de que um professor já foi um aluno de graduação. E o Dr. Professor me falou sobre agregar, fazer por si só e ser impetuoso. Tudo o que eu nunca consegui somar a minha sonolenta personalidade.
Minha conclusão ao final da entrevista foi "eu não possuo o perfil de um inciante científico do laboratório dele". Talvez a minha falta de habilidade em continuar a entrevista provou isso.
E no final é tudo isso daí mesmo, uma questão de ler e se entreter e querer se completar. O único professor que me chamou a atenção foi aquele outro que ocupava minhas tardes de sexta-feiras, mas nem era no ramo de pesquisa dele - e sim pelo cunho da aula de bioética, o que me resgatou algo que eu acreditei ter perdido em algum canteiro na Unicamp.
Sinto falta da Filosofia. Sinto falta dos livros de História. Sinto falta dos livros de Estórias.
9 de junho de 2013
Só mais uma vez para se ver
Às vezes acho que a Efemeridade nos bate à cara para lembrar-nos que ela existe para qualquer um.
Triste precisar dessas coisas para que haja o resquício de memória de que somos mortais e que a vida passa rápido para qualquer um, mesmo em um piscar de olhos, mesmo num vinte-poucos-anos interrompido. Deus? Acaso? Destino? Merecido? Vai saber. Ninguém na verdade quer saber o motivo, mas a ideia de que seja possível entender isso sem presenciar conforta.
E como conforta.
Triste precisar dessas coisas para que haja o resquício de memória de que somos mortais e que a vida passa rápido para qualquer um, mesmo em um piscar de olhos, mesmo num vinte-poucos-anos interrompido. Deus? Acaso? Destino? Merecido? Vai saber. Ninguém na verdade quer saber o motivo, mas a ideia de que seja possível entender isso sem presenciar conforta.
E como conforta.
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