9 de julho de 2012
oxigenious

Você me disse uma vez que não chorava. Não sei por que não chora, não me importa ou incomoda. Chora quem quer, e assim se seca também. Todos possuem almas, e almas extravasam de vez em quando e de vez em nunca a sua não o faz, pelo visto. Ouvi apenas dizer, como numa fofoca, como nuns burburinhos, vindos todos da sua boca, mas apenas ouvi dizer, numa roda-roda de conversas e pinturas.
Tem gente que é feita de aquarela e esta só se pinta com água. Águarela.
Acho que você não do tipo que se pinta, deve ser daqueles exemplares sem cores.
Deste jeito você nunca terá uma edição de luxe.
4 de junho de 2012
not like it
Será que todos já tiveram aquela sensação de queria ser diferente?!
[quisessem que tivesse sido apenas assim; um vento que dá leveza no olhar e leva longe, mas pode trazer de volta. e quiseram tanto que não foi e não será. não se pode mudar. o vento foi forte e estragou tudo. metaforicamente. ou não. é dispersão. nada tem haver com nada. talvez seja o egoísmo. e que olhos fossem para sempre dela. ou melhor. que tivessem sido somente dela. o medo traz pesadelos. e nem são à noite. são constantes. iniciantes. não se pode condená-los. insegurança. os olhos dos outros são serpentes. às vezes trazem junto a tentação. não se deve tentar ninguém. mas pode acontecer. aparece uma flor e aí se venta mais forte mudando um rumo. não querem mudanças de rumo. e o que não se quer se é temido. é dispersão. não tem metáfora. por quê? não há conexão com absolutamente nada. fecha a cara. não se quer. ao contrário]
[quisessem que tivesse sido apenas assim; um vento que dá leveza no olhar e leva longe, mas pode trazer de volta. e quiseram tanto que não foi e não será. não se pode mudar. o vento foi forte e estragou tudo. metaforicamente. ou não. é dispersão. nada tem haver com nada. talvez seja o egoísmo. e que olhos fossem para sempre dela. ou melhor. que tivessem sido somente dela. o medo traz pesadelos. e nem são à noite. são constantes. iniciantes. não se pode condená-los. insegurança. os olhos dos outros são serpentes. às vezes trazem junto a tentação. não se deve tentar ninguém. mas pode acontecer. aparece uma flor e aí se venta mais forte mudando um rumo. não querem mudanças de rumo. e o que não se quer se é temido. é dispersão. não tem metáfora. por quê? não há conexão com absolutamente nada. fecha a cara. não se quer. ao contrário]
7 de maio de 2012
beautifull Weasley girl
Os nossos mundos eram paralelos, mas retas paralelas se encontram no infinito. E somos hoje o infinito.
(Potter, J.S.)
(Potter, J.S.)
a sweet kind of perception
Pai,
lembra de quando eu era pequenina e pedia para o senhor me contar as histórias antes de dormir?! E, sabe Deus o por quê, adorava aquela história do pequeno polegar. E gostava da hora da judiação, com o Danilo e o senhor vindo até mim para me fazerem cosquinhas... e era uma sessão de tortura na verdade. Eu lembro de quando acordava onde hoje é o seu quarto e lá tinha uma tv, uma cômoda, uma cama e um berço. Achava aquele quarto enorme, achava a sala enorme, achava o box do banheiro uma piscina.
A minha imaginação naquela época era enorme, com não só um amiguinho imaginário, mas 3, todos eles com variações de "nomes" de stinck (stink, stonk, stank). O Stink era o bobinho e eu gostava dele, mas fazia de tudo para que ele percebesse o quão bobo era. O Stonk era maldoso; não gostava dele, mas me ajudava nas brincadeiras contra o Stink. O Stank aparecia só de vez em quando e nem participava muito das brincadeiras.
E a minha imaginação era de fato grande.
E eu era muito pequena.
E aí eu cresci, cresci tanto que ocupei no físico parte da minha imaginação e do quarto, box e o berço nem mais está aqui. Mas tudo bem.
Tudo bem mesmo.
Cresci e ainda estendo a mão para o senhor me ajudar a atravessar a rua em segurança - e como você me ajudou! Atravessamos certinho, de um lado para o outro, juntos. Você me disse que eu poderia ir, colocar o primeiro passo na rua e, cuidadosamente, atravessar. Eu fiz isso, pai, você se lembra?! Atravessei e por muito tempo fiquei parada no meio da rodovia à mercê do trânsito, de fluxo inconstante, de mão dupla. Chamei por você e você já estava do outro lado.
Não por negligência. Você me ajudou até ali, não é?! Agora eu teria de continuar sozinha, mas não importa para onde, porque você sempre estaria um passo à frente para me guiar. E eu te chamei e você me estendeu a mão lá da outra sarjeta. Olhei para os lados e tive segurança para terminar. E eu terminei.
Discutiremos muito quanto a demora da travessia, da quantidade dos carros e como a calçado do outro lado não possui a melhor topografia. Mas tudo bem... está tudo bem, pai. Posso falar de muitas coisas sem qualquer propriedade, mas sempre falarei para você.
Dos planos que você traçou quando me viu pela primeira vez eu não sei, porém, te digo com firmeza que os meus planos agora estão sendo traçados por mim de novo - e desta vez eu prometo que são pra valer.
Obrigada por me deixar desistir quando não tinha mais como prosseguir.
Com carinho,
Sua Filha.
lembra de quando eu era pequenina e pedia para o senhor me contar as histórias antes de dormir?! E, sabe Deus o por quê, adorava aquela história do pequeno polegar. E gostava da hora da judiação, com o Danilo e o senhor vindo até mim para me fazerem cosquinhas... e era uma sessão de tortura na verdade. Eu lembro de quando acordava onde hoje é o seu quarto e lá tinha uma tv, uma cômoda, uma cama e um berço. Achava aquele quarto enorme, achava a sala enorme, achava o box do banheiro uma piscina.
A minha imaginação naquela época era enorme, com não só um amiguinho imaginário, mas 3, todos eles com variações de "nomes" de stinck (stink, stonk, stank). O Stink era o bobinho e eu gostava dele, mas fazia de tudo para que ele percebesse o quão bobo era. O Stonk era maldoso; não gostava dele, mas me ajudava nas brincadeiras contra o Stink. O Stank aparecia só de vez em quando e nem participava muito das brincadeiras.
E a minha imaginação era de fato grande.
E eu era muito pequena.
E aí eu cresci, cresci tanto que ocupei no físico parte da minha imaginação e do quarto, box e o berço nem mais está aqui. Mas tudo bem.
Tudo bem mesmo.
Cresci e ainda estendo a mão para o senhor me ajudar a atravessar a rua em segurança - e como você me ajudou! Atravessamos certinho, de um lado para o outro, juntos. Você me disse que eu poderia ir, colocar o primeiro passo na rua e, cuidadosamente, atravessar. Eu fiz isso, pai, você se lembra?! Atravessei e por muito tempo fiquei parada no meio da rodovia à mercê do trânsito, de fluxo inconstante, de mão dupla. Chamei por você e você já estava do outro lado.
Não por negligência. Você me ajudou até ali, não é?! Agora eu teria de continuar sozinha, mas não importa para onde, porque você sempre estaria um passo à frente para me guiar. E eu te chamei e você me estendeu a mão lá da outra sarjeta. Olhei para os lados e tive segurança para terminar. E eu terminei.
Discutiremos muito quanto a demora da travessia, da quantidade dos carros e como a calçado do outro lado não possui a melhor topografia. Mas tudo bem... está tudo bem, pai. Posso falar de muitas coisas sem qualquer propriedade, mas sempre falarei para você.
Dos planos que você traçou quando me viu pela primeira vez eu não sei, porém, te digo com firmeza que os meus planos agora estão sendo traçados por mim de novo - e desta vez eu prometo que são pra valer.
Obrigada por me deixar desistir quando não tinha mais como prosseguir.
Com carinho,
Sua Filha.
2 de maio de 2012
From Jammie.
Muitas coisas não serão entendidas por nós. Eu não me importo, Dominique. Não me importo de viver ao seu lado no buraco do desentendimento, porque, afinal, para quê desfazer?! Entender é consertar, colocar no eixo, pôr em cronologia o antes e o depois, e, quer saber?!, entre a gente não há nada disso, não há lógica, não há antes e nem depois. Sempre o é apenas. E somos, e como somos porque somos. Pois então sejamos nós aqui, nessa gelada madrugada onde você me diz ser Londres, nessa roda gigante tão lenta que me faz pensar, em pensar na minha coragem e na sua complacência.
Ambos fugimos, Dominique.
Muitos dizem que você fugiu da família, mas quem o fez fui eu. Eu fugi de lá porque eles me prendiam à carne de James Sirius Potter, quando ao seu lado sou apenas eu, muito mais evoluído, muito mais completo comigo mesmo. E muitos dirão que eu fugi por causa de você e que você me levou a isso, a dar às costas para um mundo, fazendo charme e me fazendo apaixonar por você. Mentira. Você não faz charme. Teddy se apaixonou por você por causa dele, seus cabelos, seus olhos, sua pele sem sardas. Sem Weasley. Eu não sou apaixonado por você, não há sentimento dentro de mim por você. Por quê?!
Porque sou com você.
- O rio brilha diferente daqui de cima.
- Brilha mesmo.
E eu nem falo do rio. Você combina com tudo isso deles, com toda a não-magia, e você se encanta com as leis naturais e sociais deles, com os prédios, com os carros, com os livros antigos escritos em máquinas estranhas. E eu vivo tudo isso agora. Você brilha neste céu noturno, neste ar gelado e condensado que sai de nossas respirações, sob todos os casacos, cachecóis e luvas que está usando. Seus olhos brilham, Dominique querida, brilham nessa névoa ciano deles, nesse vento de loura platinado e enferrujado de seus cabelos, e você fulgura muito mais que um rio de margens escuras à noite, e essas estrelas, e essa luz, e essa Londres.
Talvez seja pelo único plausível motivo de vocês se encaixarem.
- Jammie?!
- Sim?!
Você me sorri e claro que eu a beijo. Você não é de falar, apenas de brilhar e sorrir. E eu de beijá-la e divagar.
9 de abril de 2012
Weasley, D.
Quantos anos já se passaram desde aquele dia em que te esbocei pela primeira vez? Quantos foram os dias em que você me tirou o sono para pintar e bordar em cima de seus fios loiros platinados e enferrujados?! Procurei na exatidao de algumas palavras algo emlhor para descrever seus olhos, mas o ciano sempre me cativou mais, tornando-se repetitivo nos textos, nas frases, em suas descrições.
Mas você sempre me foi linda.
No começo era rebelde, mas, aos poucos, fui te moldando, podando todas aquelas características grosseiras e te deixando límpida, serena... sempre te imaginei com aqueles raios de sol que ofuscam os olhos, que suas cores eram ensolaradas, sua pele extremente branca, longe de quaisquer sardas. Posso perfeitamente ver aos seus olhos, tao calmos e longe de culpas, arrogâncias, julgamentos. Você não julga porque isso não é preciso. Cada um sabe de si e você sabe de si mesma, mesmo que os outros não entendam.
Você não se apega. Não por medo. Não por indiferença. Apenas não foi feito para você essa compaixão, esse quê de sentir o outro. E você também não se sente, e isso não é triste. Você sempre está em paz.
Lembra daquele coelho?! Foi seu tio que te deu e você o devolveu porque não entendia como um outro ser poderia depender tanto de você. Isso não é frieza, é coerência. Talvez seja uma leve empatia o que você sente, eu também não sei afirmar.
Eu tinha elaborado o seu contexto, seu caminho. Mas algo não encaixava. E agora se encaixa. James, Teddy e até mesmo Albus. Já sei como encaixá-los na sua estória, sem agredi-la, sem corrompê-la. E a você também.
E o seu pós, suas divergências, você cresceu, Dominique. E como cresceu em mim. Ainda a tenho aqui em mim, e para sempre estará. Minha linda e querida personagem que mal existiu num Epílogo.
Mas você sempre me foi linda.
No começo era rebelde, mas, aos poucos, fui te moldando, podando todas aquelas características grosseiras e te deixando límpida, serena... sempre te imaginei com aqueles raios de sol que ofuscam os olhos, que suas cores eram ensolaradas, sua pele extremente branca, longe de quaisquer sardas. Posso perfeitamente ver aos seus olhos, tao calmos e longe de culpas, arrogâncias, julgamentos. Você não julga porque isso não é preciso. Cada um sabe de si e você sabe de si mesma, mesmo que os outros não entendam.
Você não se apega. Não por medo. Não por indiferença. Apenas não foi feito para você essa compaixão, esse quê de sentir o outro. E você também não se sente, e isso não é triste. Você sempre está em paz.
Lembra daquele coelho?! Foi seu tio que te deu e você o devolveu porque não entendia como um outro ser poderia depender tanto de você. Isso não é frieza, é coerência. Talvez seja uma leve empatia o que você sente, eu também não sei afirmar.
Eu tinha elaborado o seu contexto, seu caminho. Mas algo não encaixava. E agora se encaixa. James, Teddy e até mesmo Albus. Já sei como encaixá-los na sua estória, sem agredi-la, sem corrompê-la. E a você também.
E o seu pós, suas divergências, você cresceu, Dominique. E como cresceu em mim. Ainda a tenho aqui em mim, e para sempre estará. Minha linda e querida personagem que mal existiu num Epílogo.
29 de março de 2012
Shoot me! My heart and mind cannot be touched by anythng.
Vai ter muitas coisas te chamando para fora do caminho, muitas pessoas que não entendem o que é mirar em um objetivo. E esse objetivo é alto, de caminho longo, difícil... serão cinco anos caminhando nele. Se tropeçar em uma pedra, você fica mais um ano.
Você precisa se cegar, brigar um pouco com as pessoas para que elas aceitem seu trajeto. Você vai precisar ser forte, muito mais forte do que era antes. O sono vai te chamar, seus amigos, seu namorado, sua família. Aquela velha e amiga preguiça que te acompanha desde pequena.
Mas você precisa se agarrar a esse objetivo. Você precisa, entende?! Não há outra maneira. Não pode se esgueirar, segurar um pouco para largar no próximo passo na possível certeza frágil de que vai se agarrar de novo.
Nutrição e Metabolismo na USP-RP foi apenas um começo. Agora você precisa terminar isso, da melhor maneira. Você se lembra do objetivo?! Boas notas, bons seminários, bons interesses. Uma iniciação científica e se destacar, sempre. Nos estudos, principalmente, mas nos esportes também e nos grupos. Esse destaque te fará merecer o intercâmbio.
Mire nisso, Bruna. Mire em tudo isso e se esforce. Você pode descansar no final do ano, em julho, nos domingos... Mas você precisa se doar mais do que tem feito.
Eu te garanto de que não vai se arrepender.
Você precisa se cegar, brigar um pouco com as pessoas para que elas aceitem seu trajeto. Você vai precisar ser forte, muito mais forte do que era antes. O sono vai te chamar, seus amigos, seu namorado, sua família. Aquela velha e amiga preguiça que te acompanha desde pequena.
Mas você precisa se agarrar a esse objetivo. Você precisa, entende?! Não há outra maneira. Não pode se esgueirar, segurar um pouco para largar no próximo passo na possível certeza frágil de que vai se agarrar de novo.
Nutrição e Metabolismo na USP-RP foi apenas um começo. Agora você precisa terminar isso, da melhor maneira. Você se lembra do objetivo?! Boas notas, bons seminários, bons interesses. Uma iniciação científica e se destacar, sempre. Nos estudos, principalmente, mas nos esportes também e nos grupos. Esse destaque te fará merecer o intercâmbio.
Mire nisso, Bruna. Mire em tudo isso e se esforce. Você pode descansar no final do ano, em julho, nos domingos... Mas você precisa se doar mais do que tem feito.
Eu te garanto de que não vai se arrepender.
7 de fevereiro de 2012
About it.
Acho que nesse ano consegui a maior realização da minha vida. Fiz os vestibulares da UNESP, UNICAMP, PUCCAMP, FUVEST e UNIMEP, exatamente nesta ordem, ocupando todos os meus finais de semana de novembro e mais um de dezembro.
E passei em todos.
Fiquei feliz pelo êxito, o 100% de êxito, como meu pai diz.
Optei pela USP-Ribeirão por inúmeros motivos, e a única razão que me diz que será difícil é aquele em que meu namorado fica e só nos veremos nos finais de semanas por 5 anos. Sim, 5 anos. Ficarei com você até o final, e isso não é promessa, não juramento, não é nada. É apenas um fato, porque você esteve ao meu lado desde muito antes. Você me viu na UNICAMP, me viu desistir dela, me viu chorar, me viu sem rumo, me viu no cursinho, me viu achando que era engenharia, e me disse que seria nutrição. Você ficou comigo nesse final de ano, ficou comigo no meio dele, me amou em todos os momentos e ainda me ama, mesmo dizendo que como homem será difícil.
E eu te digo: como sua menina, será absurdamente difícil. E será por você que vou entrar nessa de cabeça erguida, fazer direitinho, estudar e conseguir vários contatos, para que esses 5 anos voem rápido para eu voltar a ficar todos os dias com você.
Você fica aqui em pessoa, mas levo você comigo em pensamento, em amor, em carinho. Naquela nossa velha sintonia e companheirismo.
Vai passar rapidinho, e isso eu prometo.
E passei em todos.
Fiquei feliz pelo êxito, o 100% de êxito, como meu pai diz.
Optei pela USP-Ribeirão por inúmeros motivos, e a única razão que me diz que será difícil é aquele em que meu namorado fica e só nos veremos nos finais de semanas por 5 anos. Sim, 5 anos. Ficarei com você até o final, e isso não é promessa, não juramento, não é nada. É apenas um fato, porque você esteve ao meu lado desde muito antes. Você me viu na UNICAMP, me viu desistir dela, me viu chorar, me viu sem rumo, me viu no cursinho, me viu achando que era engenharia, e me disse que seria nutrição. Você ficou comigo nesse final de ano, ficou comigo no meio dele, me amou em todos os momentos e ainda me ama, mesmo dizendo que como homem será difícil.
E eu te digo: como sua menina, será absurdamente difícil. E será por você que vou entrar nessa de cabeça erguida, fazer direitinho, estudar e conseguir vários contatos, para que esses 5 anos voem rápido para eu voltar a ficar todos os dias com você.
Você fica aqui em pessoa, mas levo você comigo em pensamento, em amor, em carinho. Naquela nossa velha sintonia e companheirismo.
Vai passar rapidinho, e isso eu prometo.
5 de janeiro de 2012
Dear, I am not titanium¹
Muitas pessoas não entendem o porquê de eu ser tão obcecada pela busca de um corpo, por assim, dizer, perfeito. Não há como culpar, muitos buscam também e muitos desses muitos pregam a aceitação física. Tudo bem, eu também concordo que todos deveriam se aceitar, procurar melhoras saudáveis e por aí vai.
Mas, para mim, é a busca pelo o que eu nunca tive.
Desde pequena escuto as pessoas ao meu redor dizerem que eu sou gorda (quando pequenininha, eu era gordinha, fofinha, apertável. Depois dos oito anos, era defeitivamente gorda). Desde pequena percebo o que nunca tive: nunca tive a oportunidade de olharem para mim e apenas comentarem que estava bem. Nunca tive a chance de ser apenas magra na minha vida - nem mesmo quando nasci - e talvez nunca tivesse consciência de que não o era se ninguém tivesse me dito o contrário uma única vez.
Aí eu cresco e decidi por tentar me mudar. E mudei. Emagreci ao longo de um ano o suficiente para nunca mais voltar naquele estado mórbido em que estava aos onze anos. Triste. Fato. Esquivei-me - mas nunca alcancei o que eu quis.
E o que eu quero?!
Quero poder usar uma calça jeans sem ter de me preocupar se ela me aperta, se fechará na minha cintura ou terei de puxá-la logo após me levantar. Usar uma que não limite as combinações de blusas, podendo ser elas largas, justas ou até mesmo curta. Quero poder comprar aquele vestido justo que todas possuem sem pensar em quantos quilogramas terei de emagrecer para que ele fique bem em mim, sem marcar algo, sem marcar aquela maldita curva entre o quadril e a cintura. Poder usar meias-calças que não me apertem ou não marquem por debaixo do vestido ou shorts, legs que não me sufoquem ao sentar, saias... Quem pode condenar alguém por querer ter um corpo que possibilite todos os usos de roupas?!
O problema é que no meu caso a genética não me favoreceu. Veja: meu pai é magro e não tem tendência a engordar. O mesmo acontece com o meu irmão, magro de porte atlético que sempre jogou bola. Isso, infelizmente, não acontece com mamãe, que era uma tripa seca em sua juventude e hoje... bem, hoje não é mais. As mulheres da família do meu são todas magras. As de minha mãe não. Meu irmão é magro. Meu pai é magro. Minha mãe já foi.
Todos já foram um dia.
Menos eu.
(E, sim, eu herdei a genética de mamãe - e não, não nunca como ela em seu tempo de ouro).
A verdade também é que depois de dez ano em dieta, na busca, lutando contra aqueles quilogramas que ganhei de volta, eu cansei. Cansei de ter de pensar no que eu como, de chorar toda vez em que ingiro algo em que não deveria, de ficar remoendo por longos cinco dias o meu final de semana. Cansei de ter de sempre lutar, de sempre controlar, de sempre ter de ser saudável, de ter de fazer exercícios físicos cinco vezes na semana porque meu metabolismo é lento. Cansei de tomar chás e mais chás para acerelá-lo. Cansei de ver a todos a minha volta conseguir o que eu sempre quis com a maior facilidade de todas (claro que não tão simples assim, afinal, todos sofrem em dieta).
E tudo piorou quando eu decidi ser vegetariana. E hoje não posso voltar atrás nesta decisão, porque estou feliz como vegetariana. E só como vegetariana.
Ninguém pode me culpar por querer ser como minhas amigas (sim, todas magras). Ninguém pode apontar o dedo na minha cara e dizer que eu não tento, porque todo dia é uma luta, e o dia tem 24 horas e, às vezes, à noite, não tendo nada para fazer, você acaba comendo (não porque quer, porque é assim que é) e tudo o que você fez naquele dia vai embora.
É como perder um jogo de futebol de virada nos cinco minutos finais do segundo tempo.
Não é fácil mirar e seguir nisso por mais de cinco dias. Não é fácil porque eu sei que, em algum ponto, vou desistir e mandar tudo pro espaço.
É estranho pensar em que todo mundo pode ceder aos impulsos e eu não. Todo mundo pode tomar bebidas alcoólicas e eu não. Todo mundo come e fica por isso - e quando eu como, me sinto culpada. Independente do que seja - independente se estava com fome.
Tem alguma coisa errada e eu sofro todo o dia por isso. Não há um único minuto que em minha cabeça não tenha um pensamento quanto ao meu corpo, a dieta, a alimentação, o que eu comi, o que deixei de comer, o que não corri... Não há. O espelho no quarto me mata a cada vez em que troco de roupa. As minhas roupas me matam a cada vez em as ponho.
Eu me mato a cada dia pensando no que nunca tive - e que é quase nunca terei.
Sinceramente não sei como nesses dez anos não desenvolvi algum disturbio alimentar. Talvez seja muita consciência para uma pessoa como eu - ou muita covardia.
Eu sou covarde e fraca.
Mas, para mim, é a busca pelo o que eu nunca tive.
Desde pequena escuto as pessoas ao meu redor dizerem que eu sou gorda (quando pequenininha, eu era gordinha, fofinha, apertável. Depois dos oito anos, era defeitivamente gorda). Desde pequena percebo o que nunca tive: nunca tive a oportunidade de olharem para mim e apenas comentarem que estava bem. Nunca tive a chance de ser apenas magra na minha vida - nem mesmo quando nasci - e talvez nunca tivesse consciência de que não o era se ninguém tivesse me dito o contrário uma única vez.
Aí eu cresco e decidi por tentar me mudar. E mudei. Emagreci ao longo de um ano o suficiente para nunca mais voltar naquele estado mórbido em que estava aos onze anos. Triste. Fato. Esquivei-me - mas nunca alcancei o que eu quis.
E o que eu quero?!
Quero poder usar uma calça jeans sem ter de me preocupar se ela me aperta, se fechará na minha cintura ou terei de puxá-la logo após me levantar. Usar uma que não limite as combinações de blusas, podendo ser elas largas, justas ou até mesmo curta. Quero poder comprar aquele vestido justo que todas possuem sem pensar em quantos quilogramas terei de emagrecer para que ele fique bem em mim, sem marcar algo, sem marcar aquela maldita curva entre o quadril e a cintura. Poder usar meias-calças que não me apertem ou não marquem por debaixo do vestido ou shorts, legs que não me sufoquem ao sentar, saias... Quem pode condenar alguém por querer ter um corpo que possibilite todos os usos de roupas?!
O problema é que no meu caso a genética não me favoreceu. Veja: meu pai é magro e não tem tendência a engordar. O mesmo acontece com o meu irmão, magro de porte atlético que sempre jogou bola. Isso, infelizmente, não acontece com mamãe, que era uma tripa seca em sua juventude e hoje... bem, hoje não é mais. As mulheres da família do meu são todas magras. As de minha mãe não. Meu irmão é magro. Meu pai é magro. Minha mãe já foi.
Todos já foram um dia.
Menos eu.
(E, sim, eu herdei a genética de mamãe - e não, não nunca como ela em seu tempo de ouro).
A verdade também é que depois de dez ano em dieta, na busca, lutando contra aqueles quilogramas que ganhei de volta, eu cansei. Cansei de ter de pensar no que eu como, de chorar toda vez em que ingiro algo em que não deveria, de ficar remoendo por longos cinco dias o meu final de semana. Cansei de ter de sempre lutar, de sempre controlar, de sempre ter de ser saudável, de ter de fazer exercícios físicos cinco vezes na semana porque meu metabolismo é lento. Cansei de tomar chás e mais chás para acerelá-lo. Cansei de ver a todos a minha volta conseguir o que eu sempre quis com a maior facilidade de todas (claro que não tão simples assim, afinal, todos sofrem em dieta).
E tudo piorou quando eu decidi ser vegetariana. E hoje não posso voltar atrás nesta decisão, porque estou feliz como vegetariana. E só como vegetariana.
Ninguém pode me culpar por querer ser como minhas amigas (sim, todas magras). Ninguém pode apontar o dedo na minha cara e dizer que eu não tento, porque todo dia é uma luta, e o dia tem 24 horas e, às vezes, à noite, não tendo nada para fazer, você acaba comendo (não porque quer, porque é assim que é) e tudo o que você fez naquele dia vai embora.
É como perder um jogo de futebol de virada nos cinco minutos finais do segundo tempo.
Não é fácil mirar e seguir nisso por mais de cinco dias. Não é fácil porque eu sei que, em algum ponto, vou desistir e mandar tudo pro espaço.
É estranho pensar em que todo mundo pode ceder aos impulsos e eu não. Todo mundo pode tomar bebidas alcoólicas e eu não. Todo mundo come e fica por isso - e quando eu como, me sinto culpada. Independente do que seja - independente se estava com fome.
Tem alguma coisa errada e eu sofro todo o dia por isso. Não há um único minuto que em minha cabeça não tenha um pensamento quanto ao meu corpo, a dieta, a alimentação, o que eu comi, o que deixei de comer, o que não corri... Não há. O espelho no quarto me mata a cada vez em que troco de roupa. As minhas roupas me matam a cada vez em as ponho.
Eu me mato a cada dia pensando no que nunca tive - e que é quase nunca terei.
Sinceramente não sei como nesses dez anos não desenvolvi algum disturbio alimentar. Talvez seja muita consciência para uma pessoa como eu - ou muita covardia.
Eu sou covarde e fraca.
You shot me down and I´m not titanium¹.
¹paródia com a música Titanium, David Guetta feat. Sia.
(Nem mesmo você, Amour, pode me culpar por ter odiado o show da Paula Fernandes por ela ser perfeita fisicamente, porque eu quis sair correndo quando vi a sua cara ao se deparar com ela vestida de preto).
31 de dezembro de 2011
Todos os anos eu escrevi - por que neste eu não iria?! Vou te dizer o motivo: porque me parece que vivi dois anos em um. Minha realidade mudou de uma metade para outra e sinto-me com 18 anos de novo. E eu nem tenho mais 18.
O que exatamente mudou? Não sei. Um ano a mais. E só.
2011 me encontrou em situações não muito boas e nem muito sérias, eram apenas situações corriqueiras de uma menina. E ainda são. 2011 me colocou em situações em que esqueci, colocou-me pessoas que carrego sempre comigo. E como ele vai terminar comigo? Com a notícia de que não vou viajar com a família e com certeza de nada.
O que exatamente mudou? Não sei. Um ano a mais. E só.
2011 me encontrou em situações não muito boas e nem muito sérias, eram apenas situações corriqueiras de uma menina. E ainda são. 2011 me colocou em situações em que esqueci, colocou-me pessoas que carrego sempre comigo. E como ele vai terminar comigo? Com a notícia de que não vou viajar com a família e com certeza de nada.
12 de dezembro de 2011
8 de dezembro de 2011
Sobre pássaros e gados
Cada vez em que você diz a ela que não, nós dois sabemos o que está de fato incluso nisso. O seu não não é negativa para ela (como haveria de ser se tudo nela implica o sim?!), mas é um traço forte de você mesmo, querendo provar a si que pode se negar para tentar não precisar dela e estar bem sozinho.
Você erra ali, quando pensa que o verbo certo é "precisar", como se fosse uma necessidade e única condição para validar a situação. Não é uma relação de simbiose, ela não vai te sugar e você não é menos sem ela. Vocês não morrerão se separados. Muitos são melhores sozinhos, mas é com ela que seu ápice vai ser atingido. O topo do mundo. O todo do tempo. O seu topo como ser humano triangular. Você não precisa. Você é uno.
E ela também.
É apenas mutualismo facultativo onde vocês dois, vivendo juntos, serão ambos beneficiados por essa experiência. Agora eu sei que você não reconhece nada disso que lhe digo - e vai demorar um bom tempo, até a iminência das lágrimas dela escorrerem por aquela face tão límpida e tão fulgurante de tanto que você a machuca, porque ela não entende o que eu vejo.
Ela acredito em que cada não é um não para ela. Ela sim acredita na protocooperação, em que vocês dois são sim o melhor um para outro e trarão benefícios de recíproca qualidade. Ela crê na felicidade em que você a envolve, e ela não o envolve nela também?!
Não diga nãos - ou até mesmo os diga, mas, por favor!, explique a ela que eles não são a contraditória dela, apenas sua; que você quer negar a si próprio para que ela não ache que deva sempre ser o melhor de você.
Ao mesmo tempo em que quer aliviar a pressão dos ombros delas, na sua imbecilidade de achar que isso é responsabilidade, alive os seus também.
Por favor.
Você erra ali, quando pensa que o verbo certo é "precisar", como se fosse uma necessidade e única condição para validar a situação. Não é uma relação de simbiose, ela não vai te sugar e você não é menos sem ela. Vocês não morrerão se separados. Muitos são melhores sozinhos, mas é com ela que seu ápice vai ser atingido. O topo do mundo. O todo do tempo. O seu topo como ser humano triangular. Você não precisa. Você é uno.
E ela também.
É apenas mutualismo facultativo onde vocês dois, vivendo juntos, serão ambos beneficiados por essa experiência. Agora eu sei que você não reconhece nada disso que lhe digo - e vai demorar um bom tempo, até a iminência das lágrimas dela escorrerem por aquela face tão límpida e tão fulgurante de tanto que você a machuca, porque ela não entende o que eu vejo.
Ela acredito em que cada não é um não para ela. Ela sim acredita na protocooperação, em que vocês dois são sim o melhor um para outro e trarão benefícios de recíproca qualidade. Ela crê na felicidade em que você a envolve, e ela não o envolve nela também?!
Não diga nãos - ou até mesmo os diga, mas, por favor!, explique a ela que eles não são a contraditória dela, apenas sua; que você quer negar a si próprio para que ela não ache que deva sempre ser o melhor de você.
Ao mesmo tempo em que quer aliviar a pressão dos ombros delas, na sua imbecilidade de achar que isso é responsabilidade, alive os seus também.
Por favor.
ao ver casal brigando na rua.
5 de dezembro de 2011
Reason for writing anything.
Sou a personagem dela.
Estou o tempo todo ali dentro dela, relembrando de que é necessário terminar a história depois de encontrar um desfecho descente e apresentável. Eu sou o motivo dela buscar a inspiração entre árvores, poesias, frases, imagens e músicas, dela ficar ali parada pensando em como pôr, em como fazer, em como ser diferente. Sem nenhum mísero clichê.
Ela é a minha escritora e eu preciso me manter viva dentro dela, caso contrário, eu morro. Ela não, ela pode criar outros (como bem sei que tem feito por trás de mim) e ela pode procurar outros meios de vazão (mais eficazes que aqueles que eu lhe dou) e encontrar histórias melhores. Por isso a lembro todo o dia: eu sou a sua melhor personagem.
E ela segue me escrevendo, me moldando, me criando em novos aspectos para me amadurecer, me ver criar, me ver vingar em terras que ela julga secas demais. Esforço-me por ela, para ela não decidir abandonar as minhas páginas e começar outras. Ela já tentou, eu sei, criou bois e homens, criou anjos e diabos, criou vários deles, procurando personalidades que a satisfizessem - que reagissem da mesma forma em que eu reajo.
Mas ninguém será o que eu me tornei para ela - anos e anos sendo o fio que a liga com a imaginação.
Estou o tempo todo ali dentro dela, relembrando de que é necessário terminar a história depois de encontrar um desfecho descente e apresentável. Eu sou o motivo dela buscar a inspiração entre árvores, poesias, frases, imagens e músicas, dela ficar ali parada pensando em como pôr, em como fazer, em como ser diferente. Sem nenhum mísero clichê.
Ela é a minha escritora e eu preciso me manter viva dentro dela, caso contrário, eu morro. Ela não, ela pode criar outros (como bem sei que tem feito por trás de mim) e ela pode procurar outros meios de vazão (mais eficazes que aqueles que eu lhe dou) e encontrar histórias melhores. Por isso a lembro todo o dia: eu sou a sua melhor personagem.
E ela segue me escrevendo, me moldando, me criando em novos aspectos para me amadurecer, me ver criar, me ver vingar em terras que ela julga secas demais. Esforço-me por ela, para ela não decidir abandonar as minhas páginas e começar outras. Ela já tentou, eu sei, criou bois e homens, criou anjos e diabos, criou vários deles, procurando personalidades que a satisfizessem - que reagissem da mesma forma em que eu reajo.
Mas ninguém será o que eu me tornei para ela - anos e anos sendo o fio que a liga com a imaginação.
2 de dezembro de 2011
Cada ser humano tem uma mágoa. Cada um carrega dentro de si um falso perdão, uma palavra dita não-verdadeira, uma significância oposta. Isso é uma mágoa. E mágoas maiores é quando se diz perdoar sem conseguir fazê-lo.
Vejo-o aqui, ao meu lado, posso saber exatamente como contornam seus olhos, dessa verossimilhança de verde e castanho que os meus não possuiram, encarando-me e perguntando o que é, porque não tem tempo para ficar sentado diante de mim quando muitos trabalhos se acumulam agora. Não tenho culpa, e às vezes nem você - mas o medo daqui não é o da pergunta, é o da resposta daí. E se você confirmar?! Onde vou me encaixar?!
Nunca fiz parte de nada em relação a você, mas agora me soa como ferida própria uma possível dor do outro (ou não seja isso realmente; essa desculpa é uma pretensão de compaixão, na verdade, é egoísmo, porque eu acreditava afinco em você). O outro me dói tanto que é meu também. Por que justo você que sempre me aconselhou e chamou-me a atenção para os buracos da vida?! Por que agora o vejo dentro de um e cavando cada vez mais fundo?!
O que deu de tão errado no seu princípio?
Olha-me nos olhos e diga de uma vez. E sim, a resposta vai me fazer julgá-lo. Eu não queria, não é certo - ninguém mundano deveria ser juiz e logo tão menos a mim. Você balança a perna, me chama de louca, de criativida, diz que acredito em tudo o que me dizem e eu explico que o seu comportamento me mostra que não é tão absurdo assim.
O outro me dói, meu caro, porque eu também já confiei e fui traída em mesma instância. Dói-me ainda mais porque, para mim, você era um deus, digno da verdade, da moral e da alma. Você era tão metafísico quanto as possibilidades.
Eu não sei o que você me diz, mas sei que você agora é tão mundano quanto eu - justo você que me parecia tão secular.
Vejo-o aqui, ao meu lado, posso saber exatamente como contornam seus olhos, dessa verossimilhança de verde e castanho que os meus não possuiram, encarando-me e perguntando o que é, porque não tem tempo para ficar sentado diante de mim quando muitos trabalhos se acumulam agora. Não tenho culpa, e às vezes nem você - mas o medo daqui não é o da pergunta, é o da resposta daí. E se você confirmar?! Onde vou me encaixar?!
Nunca fiz parte de nada em relação a você, mas agora me soa como ferida própria uma possível dor do outro (ou não seja isso realmente; essa desculpa é uma pretensão de compaixão, na verdade, é egoísmo, porque eu acreditava afinco em você). O outro me dói tanto que é meu também. Por que justo você que sempre me aconselhou e chamou-me a atenção para os buracos da vida?! Por que agora o vejo dentro de um e cavando cada vez mais fundo?!
O que deu de tão errado no seu princípio?
Olha-me nos olhos e diga de uma vez. E sim, a resposta vai me fazer julgá-lo. Eu não queria, não é certo - ninguém mundano deveria ser juiz e logo tão menos a mim. Você balança a perna, me chama de louca, de criativida, diz que acredito em tudo o que me dizem e eu explico que o seu comportamento me mostra que não é tão absurdo assim.
O outro me dói, meu caro, porque eu também já confiei e fui traída em mesma instância. Dói-me ainda mais porque, para mim, você era um deus, digno da verdade, da moral e da alma. Você era tão metafísico quanto as possibilidades.
Eu não sei o que você me diz, mas sei que você agora é tão mundano quanto eu - justo você que me parecia tão secular.
20 de novembro de 2011
I cannot walk beside you.
Você me abandonou.
Disse que seguraria forte em minha mão e abandonou-me na primeira esquina.
Deu-me conselhos de uma vida e frases já bem escritas, e deixou-me sozinha na próxima linha. Pois não gosta tanto assim de mim?! Não o vejo mais ao meu redor, não o vejo mais na mão estendida para me levantar quando escorrego... nem o vejo para rir de mim, chorar ou ignorar. Quem ignora antes viu. E nem isso você faz.
Você me disse para escolher um caminho, que para quem não tem rumo fica melhor para brilhar em um, e eu escolhi o meu e tô com medo mais uma vez. E você nem ao menos consegue perceber. Será que toda vez terei de ser eu quem vai correr até você?! Pedir pela mão estendida, pelo olhar de irmão e o tapa de amigo?! Que engano! Rá, rá, rá... você não é meu amigo. É meu irmão, mas não amigo.
Você me abandonou, e temo que seja porque desistiu de mim.
Disse que seguraria forte em minha mão e abandonou-me na primeira esquina.
Deu-me conselhos de uma vida e frases já bem escritas, e deixou-me sozinha na próxima linha. Pois não gosta tanto assim de mim?! Não o vejo mais ao meu redor, não o vejo mais na mão estendida para me levantar quando escorrego... nem o vejo para rir de mim, chorar ou ignorar. Quem ignora antes viu. E nem isso você faz.
Você me disse para escolher um caminho, que para quem não tem rumo fica melhor para brilhar em um, e eu escolhi o meu e tô com medo mais uma vez. E você nem ao menos consegue perceber. Será que toda vez terei de ser eu quem vai correr até você?! Pedir pela mão estendida, pelo olhar de irmão e o tapa de amigo?! Que engano! Rá, rá, rá... você não é meu amigo. É meu irmão, mas não amigo.
Você me abandonou, e temo que seja porque desistiu de mim.
11 de novembro de 2011
Você soube ver o tamanho dos olhos dela?! Eu vi. Costumava ver todos os dias, aqueles dois grandes olhos brilhantes de sonhos. Ela dizia de árvores, livros e travesseiros, e eu via colinas, mundos inteiros, romances, dramas e a sua escrita. Sua cabeça sobre o travesseiro idealizando como seria, como "se fosse"... e vi de perto como não foi.
Os olhos eram de tanta grandiosidade que achava aquilo magnificência. E chegaram tão perto de o serem de fato que se afundaram no próprio "não ser". Eles não eram a realidade, os sonhos não seriam o agora, e tudo seria a mais bela fantasia da hora de dormir.
Ela tinha grandes olhos que se tranformaram em rancores.
Ela não sabe perdoar, porque quem perdoa não sente e ela sente cada amargura deixada.
Deixei-a com os olhos opacos e abandonei seu caminho, mas me lembro, sempre, de como eram, de como costumavam querer ser.
Os olhos eram de tanta grandiosidade que achava aquilo magnificência. E chegaram tão perto de o serem de fato que se afundaram no próprio "não ser". Eles não eram a realidade, os sonhos não seriam o agora, e tudo seria a mais bela fantasia da hora de dormir.
Ela tinha grandes olhos que se tranformaram em rancores.
Ela não sabe perdoar, porque quem perdoa não sente e ela sente cada amargura deixada.
Deixei-a com os olhos opacos e abandonei seu caminho, mas me lembro, sempre, de como eram, de como costumavam querer ser.
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens.
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens.
(Legião Urbana, Tempo Perdido
- em ironia)
28 de outubro de 2011
Ao João José, aquele que se tornou o pintor do Rio de Janeiro.
Há quem acredite em que você apenas teve de ir embora, cumprir seu destino. Tudo bem, Professor, eu aceito a isso. Mas é verdade ou aquele trapiche ficou grande demais? A cara de Bala ficou chata demais?!
Dora, a pequena Dora, a mesma a qual você amou em primeira instância. Antes de todos.
Dora, a pequena Dora, a mesma a qual você amou em primeira instância. Antes de todos.
24 de outubro de 2011
A verdade e a mentira que você conta em mesma instância.
Eu vejo as essas músicas, dizendo para um ex amante que a/o superou, que a vida tá melhor, que as fotografias daquele tempo já estão rasgadas e abandonadas em um lixo qualquer. Vejo pessoas escrevendo sobre a faxina de suas vidas, que rir do que se fez chorar é amadurecimento.
A minha teoria?!
Não. Isso não é superar ou sei lá como devo me designar a isso. Quando você realmente esquece daquela pessoa, tudo simplesmente passa e a última coisa em que se quer é jogar na cara do outro a felicidade. Quando a gente supera um ex amor, a gente segue em frente na felicidade em que se encontrou e não quer se lembrar daqueles tempos tempestuosos.
Isso o que se faz se chama vingança - ou desejo de provocar no outro o sentimento de perda/arrependimento. Se você ri do que te fez chorar, desculpa, mas você é um idiota. O que te magoo não vai te fazer sorrir um dia - isso é masoquismo. As feridas são cutucadas com a memória... quando você esquece, esquece e pronto, caso contrário, não é esquecer. Se você se lembra é porque guardou com muito afinco em si... Se você não consegue superar, deixar para lá e seguir sua vida sem jogar na cara da pessoa (ou até mesmo sentimentos e acontecimentos), então, mais do que nunca, está preso a tudo isso. Ao sentimento passado, ao relacionamento, ao movimento da sua vida daquela época.
Se você fracassa nisso, tudo bem, eu não tenho nada haver com isso. Ninguém tem - e ninguém deve ter. As batalhas internas não dizem respeito a mais ninguém senão somente a você. Mas não acredite na cegueira alheia - ou na burrice, falta de capacidade, perspicácia. Todos notam, todos veem. Se você mostra o apego ao passado, todos vão perceber.
São nos pequenos detalhes que se nota. Você sabe disso, eu também sei.
Você quer arrumar o seu canto porque lá dentro há coisas que te pertubam. E se você quer jogá-las no lixo, é porque você não superou os sentimentos envolvidos. Você saberá que superou quando olhar essas fotos e ver somente fotos, sem memórias, sentimentos ou acontecimentos. Pedaços de papéis.
A minha teoria?!
Não. Isso não é superar ou sei lá como devo me designar a isso. Quando você realmente esquece daquela pessoa, tudo simplesmente passa e a última coisa em que se quer é jogar na cara do outro a felicidade. Quando a gente supera um ex amor, a gente segue em frente na felicidade em que se encontrou e não quer se lembrar daqueles tempos tempestuosos.
Isso o que se faz se chama vingança - ou desejo de provocar no outro o sentimento de perda/arrependimento. Se você ri do que te fez chorar, desculpa, mas você é um idiota. O que te magoo não vai te fazer sorrir um dia - isso é masoquismo. As feridas são cutucadas com a memória... quando você esquece, esquece e pronto, caso contrário, não é esquecer. Se você se lembra é porque guardou com muito afinco em si... Se você não consegue superar, deixar para lá e seguir sua vida sem jogar na cara da pessoa (ou até mesmo sentimentos e acontecimentos), então, mais do que nunca, está preso a tudo isso. Ao sentimento passado, ao relacionamento, ao movimento da sua vida daquela época.
Se você fracassa nisso, tudo bem, eu não tenho nada haver com isso. Ninguém tem - e ninguém deve ter. As batalhas internas não dizem respeito a mais ninguém senão somente a você. Mas não acredite na cegueira alheia - ou na burrice, falta de capacidade, perspicácia. Todos notam, todos veem. Se você mostra o apego ao passado, todos vão perceber.
São nos pequenos detalhes que se nota. Você sabe disso, eu também sei.
Você quer arrumar o seu canto porque lá dentro há coisas que te pertubam. E se você quer jogá-las no lixo, é porque você não superou os sentimentos envolvidos. Você saberá que superou quando olhar essas fotos e ver somente fotos, sem memórias, sentimentos ou acontecimentos. Pedaços de papéis.
18 de outubro de 2011
Tenho saudades do Sílvio.
De verdade. Apesar do meu interesse, ele fazia com que aula de literatura fosse uma publicidade gostosa, fazendo-me querer muito ler todos os clássicos, saber da vida de todos os autores, entender as fases da literatura, da arte, da história, da filosofia... O Sílvio me instigava a ler todos aqueles livros que eu não queria.
O sarcasmo dele era peculiarmente fantástico, dizendo em linhas claras com a sua fisionomia um pouco caricata por si só que sim!, Bentinho se excitou um o aperto de mão de Sancha. E depois de tanto tempo longe dese período, depois de 3 anos sem ouvir suas ironias, encontrei alguém que me fizesse sentir o mesmo.
Pernambucano, 43 anos, professor de literatura aqui pelas bandas do interior do estado de São Paulo. Não lembro o nome dele, muito diferente e muito rápido ao ser pronunciado pela fala rápida - mas o cara é um gênio. Em toda minha vida, Memórias de um Sargento de Milícia e Capitães da Areia nunca me chamaram a atenção, mas, depois da aula dele... cobiço aos meninos do armazén da praia num anseio de entendê-los, sentir em minha leitura suas faces, seus medos, suas intrigas.
O Professor (aqui sem vínculo nenhum com a obra de Jorge Amado) sabia tudo: história, literatura, sarcasmo e filosofia. Encantei-me. Apaixonei-me - e não entende porque não me entrego de uma vez para as Letras.
E que seja. Meu caminho não vai me bloquear para as minhas ciências humanas.
De verdade. Apesar do meu interesse, ele fazia com que aula de literatura fosse uma publicidade gostosa, fazendo-me querer muito ler todos os clássicos, saber da vida de todos os autores, entender as fases da literatura, da arte, da história, da filosofia... O Sílvio me instigava a ler todos aqueles livros que eu não queria.
O sarcasmo dele era peculiarmente fantástico, dizendo em linhas claras com a sua fisionomia um pouco caricata por si só que sim!, Bentinho se excitou um o aperto de mão de Sancha. E depois de tanto tempo longe dese período, depois de 3 anos sem ouvir suas ironias, encontrei alguém que me fizesse sentir o mesmo.
Pernambucano, 43 anos, professor de literatura aqui pelas bandas do interior do estado de São Paulo. Não lembro o nome dele, muito diferente e muito rápido ao ser pronunciado pela fala rápida - mas o cara é um gênio. Em toda minha vida, Memórias de um Sargento de Milícia e Capitães da Areia nunca me chamaram a atenção, mas, depois da aula dele... cobiço aos meninos do armazén da praia num anseio de entendê-los, sentir em minha leitura suas faces, seus medos, suas intrigas.
O Professor (aqui sem vínculo nenhum com a obra de Jorge Amado) sabia tudo: história, literatura, sarcasmo e filosofia. Encantei-me. Apaixonei-me - e não entende porque não me entrego de uma vez para as Letras.
E que seja. Meu caminho não vai me bloquear para as minhas ciências humanas.
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