20 de novembro de 2011

I cannot walk beside you.

Você me abandonou.

Disse que seguraria forte em minha mão e abandonou-me na primeira esquina.

Deu-me conselhos de uma vida e frases já bem escritas, e deixou-me sozinha na próxima linha. Pois não gosta tanto assim de mim?! Não o vejo mais ao meu redor, não o vejo mais na mão estendida para me levantar quando escorrego... nem o vejo para rir de mim, chorar ou ignorar. Quem ignora antes viu. E nem isso você faz.

Você me disse para escolher um caminho, que para quem não tem rumo fica melhor para brilhar em um, e eu escolhi o meu e tô com medo mais uma vez. E você nem ao menos consegue perceber. Será que toda vez terei de ser eu quem vai correr até você?! Pedir pela mão estendida, pelo olhar de irmão e o tapa de amigo?! Que engano! Rá, rá, rá... você não é meu amigo. É meu irmão, mas não amigo.

Você me abandonou, e temo que seja porque desistiu de mim.

11 de novembro de 2011

Você soube ver o tamanho dos olhos dela?! Eu vi. Costumava ver todos os dias, aqueles dois grandes olhos brilhantes de sonhos. Ela dizia de árvores, livros e travesseiros, e eu via colinas, mundos inteiros, romances, dramas e a sua escrita. Sua cabeça sobre o travesseiro idealizando como seria, como "se fosse"... e vi de perto como não foi.

Os olhos eram de tanta grandiosidade que achava aquilo magnificência. E chegaram tão perto de o serem de fato que se afundaram no próprio "não ser". Eles não eram a realidade, os sonhos não seriam o agora, e tudo seria a mais bela fantasia da hora de dormir.

Ela tinha grandes olhos que se tranformaram em rancores.

Ela não sabe perdoar, porque quem perdoa não sente e ela sente cada amargura deixada.

Deixei-a com os olhos opacos e abandonei seu caminho, mas me lembro, sempre, de como eram, de como costumavam querer ser.


Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens.
(Legião Urbana, Tempo Perdido
- em ironia)

28 de outubro de 2011

Ao João José, aquele que se tornou o pintor do Rio de Janeiro.

Há quem acredite em que você apenas teve de ir embora, cumprir seu destino. Tudo bem, Professor, eu aceito a isso. Mas é verdade ou aquele trapiche ficou grande demais? A cara de Bala ficou chata demais?!

Dora, a pequena Dora, a mesma a qual você amou em primeira instância. Antes de todos.

24 de outubro de 2011

A verdade e a mentira que você conta em mesma instância.

Eu vejo as essas músicas, dizendo para um ex amante que a/o superou, que a vida tá melhor, que as fotografias daquele tempo já estão rasgadas e abandonadas em um lixo qualquer. Vejo pessoas escrevendo sobre a faxina de suas vidas, que rir do que se fez chorar é amadurecimento.

A minha teoria?!

Não. Isso não é superar ou sei lá como devo me designar a isso. Quando você realmente esquece daquela pessoa, tudo simplesmente passa e a última coisa em que se quer é jogar na cara do outro a felicidade. Quando a gente supera um ex amor, a gente segue em frente na felicidade em que se encontrou e não quer se lembrar daqueles tempos tempestuosos.

Isso o que se faz se chama vingança - ou desejo de provocar no outro o sentimento de perda/arrependimento. Se você ri do que te fez chorar, desculpa, mas você é um idiota. O que te magoo não vai te fazer sorrir um dia - isso é masoquismo. As feridas são cutucadas com a memória... quando você esquece, esquece e pronto, caso contrário, não é esquecer. Se você se lembra é porque guardou com muito afinco em si... Se você não consegue superar, deixar para lá e seguir sua vida sem jogar na cara da pessoa (ou até mesmo sentimentos e acontecimentos), então, mais do que nunca, está preso a tudo isso. Ao sentimento passado, ao relacionamento, ao movimento da sua vida daquela época.

Se você fracassa nisso, tudo bem, eu não tenho nada haver com isso. Ninguém tem - e ninguém deve ter. As batalhas internas não dizem respeito a mais ninguém senão somente a você. Mas não acredite na cegueira alheia - ou na burrice, falta de capacidade, perspicácia. Todos notam, todos veem. Se você mostra o apego ao passado, todos vão perceber.

São nos pequenos detalhes que se nota. Você sabe disso, eu também sei.

Você quer arrumar o seu canto porque lá dentro há coisas que te pertubam. E se você quer jogá-las no lixo, é porque você não superou os sentimentos envolvidos. Você saberá que superou quando olhar essas fotos e ver somente fotos, sem memórias, sentimentos ou acontecimentos. Pedaços de papéis.

18 de outubro de 2011

Tenho saudades do Sílvio.

De verdade. Apesar do meu interesse, ele fazia com que aula de literatura fosse uma publicidade gostosa, fazendo-me querer muito ler todos os clássicos, saber da vida de todos os autores, entender as fases da literatura, da arte, da história, da filosofia... O Sílvio me instigava a ler todos aqueles livros que eu não queria.

O sarcasmo dele era peculiarmente fantástico, dizendo em linhas claras com a sua fisionomia um pouco caricata por si só que sim!, Bentinho se excitou um o aperto de mão de Sancha. E depois de tanto tempo longe dese período, depois de 3 anos sem ouvir suas ironias, encontrei alguém que me fizesse sentir o mesmo.

Pernambucano, 43 anos, professor de literatura aqui pelas bandas do interior do estado de São Paulo. Não lembro o nome dele, muito diferente e muito rápido ao ser pronunciado pela fala rápida - mas o cara é um gênio. Em toda minha vida, Memórias de um Sargento de Milícia e Capitães da Areia nunca me chamaram a atenção, mas, depois da aula dele... cobiço aos meninos do armazén da praia num anseio de entendê-los, sentir em minha leitura suas faces, seus medos, suas intrigas.

O Professor (aqui sem vínculo nenhum com a obra de Jorge Amado) sabia tudo: história, literatura, sarcasmo e filosofia. Encantei-me. Apaixonei-me - e não entende porque não me entrego de uma vez para as Letras.

E que seja. Meu caminho não vai me bloquear para as minhas ciências humanas.

22 de setembro de 2011

Confesso que ao escolher por não ingerir carne alguma não imaginei o que isso poderia implicar. Hoje, 5 anos depois, também não imagino. É impossível você acreditar em que, em algum dia de sua vida, você possa vir a ser anêmica falsiforme, sua contagem de B12 ser baixa e suas hemácias não conseguem captar todo o oxigênio necessário, que a gordurinha que envolve o corpo do neurônio está se desfazendo, que a sua memória está lenta, que coisas básicas como "letra de forma" ou "kinesis" precisarão de ajuda para serem lembradas... A gente simplesmente não imagina.

E o que eu me pergunto hoje é: E agora, José?!

19 de setembro de 2011

do jeito em que eu quero que seja e ponto.

Em algum ponto a vida deve começar - começar por si mesmo, entende?! E não começar pelo breve fato de você existir. Em algum momento, você tem de ir sozinho, pensar nas suas coisas sozinho e o máximo que seus pais poderão fazer por você é vê-lo passo a passo, torcendo para que você veja as suas burrices. A minha vida não começou por mim mesma - adoraria que sim, mas ainda não. E tenho medo de que não comece tão longo. Mas não é isso tudo, existe algo a mais.

Vi, hoje, na rua, um homem de uns 2 metros de altura com a filhinha, de aproximado 1 ano, no colo. Cena mais linda para mim são três, e de pai segurando filhinha pequena no colo é a primeira dessas três. É o contraste tão grande daquele ser tão pequeno, frágil e incapaz com o homem, o ser masculino, forte, grande, protetor... Mãe ama o filho antes mesmo dele existir (porque mãe se torna mãe ao planejar uma gravidez), mas pai não entende como é. Pai fica de fora, não carrega a prole nove meses, não sente chutar pela primeira vez, não tem a bexiga pressionada pela criança em seu inexistente ventre.

Mãe sente tudo isso e sente um amor que talvez não seja igual de ninguém para ninguém.

Ao ver aquele cara com a nene, de cabelo castanho, ralo, tão branquinha que parecia ser lavada com Omo Total, e de vestidinho todo vermelhinho, me bateu aquela estranha vontade de imaginar-me como mãe. À princípio, claro, desvievi a ideia, não quis saber, porque, né?!, essas coisas podem ser atraídas... e o pensamento voltou-me agora.

Queria muito criar meus filhos (os dois que possivelmente venha a ter) livres, numa casa ampla, espaçosa, branca e com um quintal verde. Poder levá-los a festas infantis e vesti-los como bonequinhos, mas sem me importar se eles vão se rastejar pelo chão e ficarem cheios de lama no final da festa. Criança tem disso, de precisar tocar e pôr na boca para conhecer - e, por isso, deixá-los-ia pôr muita coisa na boca (e provavelmente seria uma amiga do pediátra e de todas as enfermeiras de plantão).

Faria cabanas e cabanas com eles, no quarto, na sala, na cozinha... Acamparia no quintal, leria milhares de histórias para eles e ensiná-los-ia que estudar diariamente é bom e isso impediria de acabar como a mãe deles. Espero muito que ambos tenham cabelos cacheadinhos e sejam so mais risonhos possíveis... que façam de tudo: futebol, basquete, natação judô, karatê, desenho, sonecas à tarde, inglês e alemão.

Quero muito criar meus filhos de um jeito que possa abrir as oportunidades para eles no futuro, que, ao tiverem seus 20 anos, saibam que podem tanto começar as suas vidas como pedir mais um tempo para não errar o passo.

17 de setembro de 2011

I should be, but I´m not like Peter Pan (I have fear of not growing up).

21 anos.

Não sei ao certo se tenho vontade alguma de escrever quanto a tudo isso. Nada mudou - a não ser que agora tenho um alguém que me ama, me faz feliz e não sabe de todos os buracos em mim. Isso ele não pode preencher, ninguém pode. São meus buracos. Minha infelicidade. Vão dizer dos meus traumas, vão dizer dos meus medos, mas não é isso que forma alguém. Decisões, escolhas, alguns sins, muitos nãos.

A minha teimosia.

E eis aqui meus 10 anos em mim, e assim me sinto, dez míseros anos, uma criança, um pequeno Peter Pan com medo de ser assim.

[I haven´t found any imagens to put here]

24 de agosto de 2011

Nothing really matters

Eu não sei porque fiquei tão tocada, sensível e comovida pelo Freddie Mercury, mas ouvir Bohemian Rhasody e Love of my life e não sentir alguma coisa seria praticamente impossível. Penso em tanta coisa quando escuto a voz dele cantar Mama, I don´t want to die, I sometime wish never have been born at all... Fico aqui imaginando ele, no auge dos seus vinte e tantos anos, contemplando o mundo, e sentindo-se sozinho, tendo a alguém tão próximo de si e não conseguindo amar como gostaria, não se sentindo amado como queria - e como deve ter sido ainda mais difícil para o parceiro dele, que fico ao seu lado nos últimos momentos, e saber que não era amado como platonismo de Freddie idealizava.
Não sei o que me acomete quando eu vejo ao dvd dele cantando essas músicas, sinto um aperto aqui - e pior é imaginar que ele já se foi.

Love of my life, you hurt me.
Essa, sem sombras de dúvidas, é a pior frase. Ele chama essa pessoa do amor da vida dele, tomando por base que somente a amará por todos os outros anos seguintes que ele ainda não viveu, mas essa pessoa o machucou. Droga, como assim?! Ele considera alguém que o fez sofrer como seu amor por toda a sua vida, mesmo que ele esteja apenas na casa dos 30 e, na época, lhe restavam ainda mais outros 30 anos... e ele já assumia um único amor.
É o antagonismo. A antítese de seu discurso. A leveza de seu vocativo - as questões assumidas sem dizer muito.


A solidão dele é tão perceptível (e tão inspiradora).

22 de agosto de 2011

Mr Freddie Mercury is dying

Como deve ser, meu caro, descobrir algo que vai te levar à morte? Viver tantos anos já sabendo que tudo o levará para um fim doloroso e que degrine seu corpo a cada dia?! Como deveria ter sido?!
Não, não sou uma fã sua, e nem nunca fui, mas a exposição diária de sua música levou-me a curiosidade de descobrir como morreu. Não gostei. Não sei se o que eu li é verdadeiro, mas a imagem feita por mim de você deitado em sua cama com o seu amado, sem forças nem ao menos para alisar os pêlos de seus adorados gatos, me causa um grande desconforto.
Vejo-o ali, deitado em seu leito, incosciente, sem contato direto com essa realidade, sem ter como avisar que precisa ir ao toillet, sentindo a vitalidade esvair-se do seu corpo. O que te veio à mente?! Os seus shows?! Suas performaces?! Sua voz?! Sua banda, amigos, gatos?! Ou o grande "e se...?".
Eu não sei, nem o conheço - de nenhuma forma, mas me imagino sentada ao pé de sua cama, sua colossal cama, e você bem no meio dela, com travesseiros grandes, brancos e fofos, e aquele em que eu vejo não me parece nenhum pouco com quem eu costumei a ver no Live in Wimbley, 1986 (e a este assisto no carro do meu namorado). Você já não ostenta mais o bigode e nem o porte, está magro, a voz fraca (que mentira!, você nem ao menos tem força para falar agora), cara limpa.
Queria que falasse comigo, me dissesse e segredasse como foi, como é, se dói, se passa... Ou até mesmo, de repente, confortá-lo - de alguma forma. Estico a minha mão em sua direção, receosa em tocar-lhe a pele e descobrir que seu corpo já não consegue mais mantê-lo aquecido, porque, para mim, este é o sinal da vida, os 36º centígrados constantes do corpo humano. Já sei o final disso tudo, pois o vejo com os olhos de 20 anos depois, mas não queria que fosse assim. Você merecia ver sua legião de fãs se alastrar por outras duas décadas depois do novembro de 91 e ver como sua voz se perpetuou.
Você me olha e sei que não me reconhece - e nem poderia. Você não pertence mais a este lugar, fisica e mentalmente falando. Sorri-me, ou assim gosto de pensar, pois ver um ínfimo esforço para sorrir a um estranho parece-me como um último reflexo de vida. Não sorria, apenas tente; não gaste comigo suas últimas forças e o pouco de vitalidade que lhe resta. Sou uma estranha em uma fantasia - de todas, não era esta qual gostaria de ter; o seu leito e seu último suspiro são criações em que eu não gostaria de ter feito.
Mas ambos estamos aqui.
Acho que você gosta de mim, pois seus olhos opacos vidram em minha imagem e isso faz-me sentir querida neste contexto, nesta cena. Acho que para você é melhor ter a mim aqui do que alguém conhecido porque em mim a sua partida não doerá, apenas vai deixar milhares de incompreensões - e nada mais digno a um compositor, não é?! Afinal, a inspiração é assim. Às vezes. Não vou chorar, não vou remoer, nem ao menos comentar. Ver-me aqui deve ser tranquilizador para você uma vez que, comigo aqui, você pode simplesmente partir, sem deixar mais nada além de uma partida.
Aproximo-me de sua cabeceira e, mesmo diante da vontade de me deitar ao seu lado, sei que não devo fazê-lo. Aqui é o seu lugar e não o meu. Seus olhos - apenas os seus olhos e nenhuma outra parte de seu corpo - se viram para mim. Acho que agora, se pudesse, você me xingaria - e acho que eu riria de você e você riria comigo, ou até mesmo de mim. Se assim fosse possível, seria um sinal de que há vida contigo e que jamais iria embora. A vida, eu digo.
A minha mão repousa sobre a cama e sinto o leve toque da sua sobre a mim, e as minhas certezas se concretizam. Sempre soube que a sua pele reagiria em frio em contato com a minha. Você agora já se foi e a minha fantasia fica aqui comigo.
Você nem ao menos existe mais.

Bring it back bring it back,
Don't take it away from me,
Because you don't know
What it means to me. 
("Love of my life", Queen).

7 de agosto de 2011

Sei que as mesmas palavras surgirão em vários destes nossos momentos, que em vários daqueles rabiscos corridos em bilhetes soltos dirão sempre a respeito desta felicidade tão simples e completa que você me dá, de todas as coisas que deveriam caber em todas as vezes em que digo "amo você". E eu, nesta alma literária, ou nesta persistência tola de acreditar em que posso escrever, dói um pouco não encontrar outras para dizer tudo.
(Mas que bobeira, pois sei que tudo está mais que contido no meu amor por você, nas duas palavras que gosto tanto de falar e nas lágrimas que seguro para não chorar à sua frente, seja de felicidade, seja pelo seu silêncio machucado...).
Saiba, pois, que a cada hora em que segredar a você que o amo, existe um pouco mais deste muito sentido por você, que a cada amo você é sim um segredo uma vez que o de antes já é muito pouco para o de agora.
Como uma tola pessoa que necessita escrever, é sempre muito pouco e me dói todos os clichês que escreverei - mas como sua menina, felicito-me saber que cada amo você é muito pouco perto daquele que virá logo em seguida.

Àquele mesmo ainda e sempre
que amo
que cuido
que me proteje.

22 de julho de 2011

Quando eu o olhei, não me interessei. Foi assim na primeira vez, foi assim em todas as outras e foi exatamente assim agora. Mas aceitei que teria de ficar com ele pelo simples motivo do outro ser muito demorado, comprido demais, páginas demais - então, provida de uma renda arrecadada apenas para este pequeno luxo literário, decidi levá-lo. Com poucas páginas, seria um bom entretenimento antes de criar coragem para ler A Guerra dos Tronos, por isso o comprei.
O Menino do Pijama Listrado tem sido, desde terça-feira, minha companhia - e parece que ele está acabando.

8 de julho de 2011

Toda menina sonha com um namorado, um príncipe encantado. E talvez este seja mesmo o certo, uma menina tem de se fazer entender pelo o que ela quer: e toda menina quer ser respeitada e amada. Não precisando de mais nada.
Não fui diferente, sempre odiando anéis, mas vendo se me acostumava com a idéia de ter uma aliança prateada na mão direita; imaginando um alguém que sorrisse só por me ver sorrir... e de repente ele esteve sempre ali. Observando, pacientemente, a hora certa, o momento certo para não ser só mais um errado. E, mesmo assim, parecendo que era o errado, foi o único ideal para que tudo desencadeasse.
Foi torto, se aguentando pelas beiradas, apoiando nas paredes, procurando lombadas. Mas foi mágico.
Tudo o que teve de acontecer de novo, em um abraço e antes em um ciúme bobo. Bobo não, porque se fosse bobo teria sido ignorado.
Eu não consegui ignorar - tanto não consegui que passei a ignorar e evitar, mas evitando num afã de ser notada... e veio assim aquele abraço, seguido de um beijo, seguido de choros, seguido de extrema felicidade...
E que hoje é amor, saudade e respeito.

Àquele que nunca desistiu de mim,
que viu em todas as minhas falhas
pontos de virtudes.
Te Amo, Bruno.

30 de junho de 2011

Tem algo nisso tudo que me impede de escrever. Sinto tanto aqui e não consigo transpôr para cá. Uma mínima parte que seja, uma fração do que se passa em um segundo... qualquer coisa que seja. Mas não. Isso tudo é meu e cabe a mim sentir.

27 de junho de 2011

Redundância

Ela abaixou a cabeça e se sentiu menor do que realmente era. Algo ali dentro desejava que estivesse chovendo, mesmo que ela tivesse repulsão por clichês, mas, naquele instante, seria o melhor a acontecer. Se chovesse, teria seu corpo encoberto por alguma coisa além da vergonha.
            Não, não se sentia arrependida. A vergonha era pela admissão – admitir que tinha algo extremamente errado em sentir falta de um abraço que nunca fora seu. Deveria ser apenas seu tudo aquilo que lhe dava proteção.
            Deveriam ser todos seus aqueles abraços que a abraçam do jeito certo em que ela deve ser abraçada.
            (E assim ela não se sentia – porque era no abraço em que tudo dentro dela passava a ser compreendido, sem necessitar explicar, nomear e tornar seus sentimentos meros nomes, passíveis de definições).
            Talvez o que a acometia agora fosse uma pequena porção de egoísmo. É, era. E cadê a chuva nessas horas em que ela mais precisava sentir-se coberta?! A chuva abraçaria da mesma forma, acolhendo e compreendendo o quão estimado esse simples ato era?!
            Não. Não seria a mesma coisa. A chuva abraça a todos igualmente porque gosta de abraçar – e aquele abraço a abraçava porque era ela quem estava sendo abraçada.
            Então que não chova.

(27/06/2011 – bvollet).

25 de junho de 2011

Faz todo sentido. Pensando desta maneira, desta correta maneira, faz todo sentido cada uma delas que caíram de mim.

23 de junho de 2011

Os Meros Detalhes Dela.
(publicado aqui)

Existem nela séries e séries de detalhes em que muito me chamam a atenção – a minha tão especializada atenção, de que nada sabe sobre presenciar detalhes, que apenas nota ao todo sem me instigar a mais nada, sem precisar destrinchar esse todo para me persuadir.

Persuasão é algo que me convida – nela. A ela. Por ela. Arrasto-me sobre aquele corpo de formas que sinto sobre meus dedos mesmo sem antes tocá-las. Dedilho sua pele, sua cintura, acompanho seu donaire com uma faminta vontade de possuí-lo para mim. Sinto seu cheiro, sinto seu gosto – ela tem gosto de café. De chocolate amargo. De morango mergulhado em doce. De tequila, sal e limão.

Ela tem gosto de olhar de lince, de Capitu – e talvez ela me traia sem saber que eu a vejo. A persuasão escorre deliberada pelos lábios, boca, palavras, e ela me persuade a ficar estagnado neste momento, neste peculiar momento em que a espreito dentre a multidão.

Ela caminha, foge, persegue, vira, retorna, desiste e dança... ah!, e como me dança. Leva-me daqui a ali, em passos firmes, machucando o chão com seus saltos, seus passos concisos. A coerência escorre pelos dedos, me matando de longe, com tiros de sedução e charme – sua boca, sua tão formosa e rubra boca. Sorrindo sem a mim. Sorrindo não para mim.

A boca sorri muito, mas são as séries de detalhes que me fazem perspicaz para os seus traços. Não aprendi a lê-la, mas a decifrá-la. Ela fala bonito, argumentando, afirmando, sem nunca perguntar – mas eu decifro suas narrações, posso capturar em minhas mãos a carne sem armadura, sem cascos, toda traumatizada.

Posso feri-la com meus dedos.

Posso machucá-la com meus beijos.

E ela me maltrata. Marca-me em fogo e em brasa em cada beijo distribuído a amores inventados... Sei que nela está guardado a mim ainda – e disso ela não pode se desvencilhar.

Não quer largar.

Os olhos, marcados em traços pretos, são castanhos, de castanhos mais escuros, mais capazes que aos meus. Os meus não atraem. Os dela me cativam. Não consigo. Não desvio nem para sorver do meu Scott. Não desvio nem quando ela some – sinto sua presença, sua lascívia ardendo contra minha vontade.

A posse.

A diferença está na posse – ela nunca quis me possuir, me chamar de seu. Sempre dizia em estar e sentir-se minha: companhia, amada, cara amiga. E o tempo que passou desproporcional para nós dois me fez decifrá-la – e ardem de dor a cada aproximação.

São meros detalhes de sua desdenha perante a mim. Ela ficou charmosa, desenvolveu suas belezas e talvez eu mate uma por uma, tornando-a, assim, desta cruel maneira, crua.

Acredite em mim, ela é linda assim – em seu puro estado natural, uma menina medrosa, desprotegida, que chora à noite nas suas controvérsias de sentimento. Amo-a assim; desejo-a em qualquer condição.

Você me arde, querida, arde a minha alma em ciúme quando brinca deste jeito com os meus ânimos, quando dança de ventre e sorrisos com outros, aproximando seu corpo até o ponto em que eu bem conheço: exato limite do atordoamento. Não nota que eles também a querem?!, deitar o seu corpo, que eu bem já decorei em suas formas e simetria, sobre uma cama de motel qualquer?! Eu a levo para casa, deixo-a em seu portão e espero-a entrar (todas as madrugadas em que você se atreve a cortar meus dedos em suas andanças noturnas. Um shot de tequila para animar, um outro para degustar e só mais um para esquecer – e temo que seja a mim).

Ela sai de noite em noite, procurando-me. E ela não encontra. Não percebe que estou sempre aqui, apoiado nos bares mais próximos para acudi-la em suas bebedeiras – as tantas em que espero ansioso e que nunca chegam. O controle é nato, não pode escorregar.

(E quando escorrega, chora e se ausenta para mim).

Fique. Capitu, fique. Aceito. Condeno-me. Mas aceito. E deixe-me aqui, à paisana, fingindo a todo instante que não é por você que meus olhos se persuadem a uma saudade e ao ato de comprimir o que senti tanto por você.

E aqui, comigo em minha face, ainda arde o estalo de seus dedos violentamente enciumados.



(bruvollet 23/06/2011)

18 de junho de 2011

"teve uma hora que parecia que ia dar certo."
(caio fernando abreu)
Não há beleza que você não possa enxergar, mas há algo além daquilo ali. Você percebe?! Tem um quê a mais que deveria chamar somente a sua atenção, porque ela só pensa em você quando deseja ser charmosa. O olhar sedutor é seu. A curva do pescoço é sua. O dedilhar de uma cintura seria sempre somente seu. Você não percebe as marcas, as mágoas, o arrependimento. O peito batendo contra o coração para controlá-lo. A oração dentre um coração.
Não há nada ali que você já nao saiba - aliás, foi você quem a fez se descobrir como pessoa feminina, com curvas, desejos, sonhos e sorrisos em seu donaire meio desajeitado. Você a fez se esquecer que era uma mera menininha perdida e a fez mulher presente, tornando-a, nos próprios sentimentos, uma criança medrosa. Você foi quem a fez crescer e recuar. Você fê-la mais capaz com receio de se mostrar.
Existe, então, alguma beleza nela em que você ainda não tenha desenvolvido para depois matar?!

13 de junho de 2011

Tenho uma confissão a fazer: estou mentindo.
Não há paixão dentro de mim, não há amores. Não. Perdi todos, mas tenho vergonha de assumir que estou vazia. Não sinto a falta dele(s), quero que a mais nada aconteça entre a gente. Não quero porque me ausentei das reais companhias, criando vínculos com os meus ideais, meus platônicos. Idealizei demais a tudo, eu, eles, vocês, carros, festas, vestidos, livro, jornais, inspiração.
Vivo da minha idealização, e todos vocês estão contidos. Mas sinto em dizer que os meus de vocês são melhores, mais condicentes, mais meus.
É apenas uma confissão a fazer, e você nem vai sentir a ironia no texto inteiro -  a ironia de uma vida inteira.

4 de junho de 2011

Tem todas essas coisas que são carregadas comigo. Eu as carrego por certa vontade - carrego-as por serem intrinsecas. Simultâneas a mim. Há os sonhos substituídos, amores arrependidos, tapas distribuídos, beijos desperdiçados, toques indesejados. Vontades reprimidas, loucuras esquecidas, gostos perdidos.
E há tudo aquilo que abandonei por outras causas - aquilo tudo que abandonei por causa nenhuma. Apenas deixei para trás e é este deixar para trás que vem comigo, devido à quantidade de coisas em que deixei pelo caminho.

Gostaria de não o ter deixado também, para não precisar carregar a sua saudade comigo.