14 de janeiro de 2009

Aos bons e velhos tempos



Eu não deveria declarar isso, mas sim, bateu saudade.


Hoje me dei conta disso, de que não terei mais essas coisas. Estava lá eu, dentro daquela van, partindo das 4 horas frustrantes de prova de matemática (sim, matemática, porque prova de inglês feita em meia hora é brincadeira!), quando minha amiga simplesmente diz "não quero papos cultos. Agora só me venham com coisas fúteis" e eu fiquei me perguntando o que diabos é açúcar invertido...

O açúcar invertido é um ingrediente utilizado pela indústria alimentícia e consiste em um xarope quimicamente produzido a partir do açúcar comum, a sacarose, segundo a wikipedia.

Enfim, minha saudade em nada tem relação com de fato querer saber o que é o tal açúcar. Mas no que essa informação representa... AH!, Droga, eu nunca mais (espero) vou ter quem me informe sobre física, química, matemática e principalmente biologia. Ninguém mais para falar, falar e falar e eu só entender 1/5 da aula, ninguém mais para me dizer que o Kosovo ficou independente e eu não conseguir lembrar o nome do novo país na prova... Ninguém para me contar coisas, me ensinar coisas diferentes ou interessantes... Sem aulas variadas.

Veja, não estou falando que o que eu escolhi não é interessante. Muito pelo contrário. Mas não é uma aula de biologia sobre o miocárdio. Não é uma aula de química sobre os fatores que alteram a velocidade uma reação. E nem que o Kosovo ficou independente (maldita questão!).

Por um segundinho abandonei meus planos de estudar e fazer academia para dar espaço a um novo plano: fazer faculdade e me matricular num cursinho! Claro que meus pai não vão acatar a essa idéia sem escrúpulos, mas seria interessante... e seria totalmente coincidente ao que quero, sou e desejo ser.

Cultuar bons livros, amar os animais e poder conversar de tudo a tudo e com todos.

11 de janeiro de 2009

existe algo mais antagônico que um libriano se fazer de seguro e decido?

10 de janeiro de 2009

adeus ano velho e ponto. venha 2009!

Ok, chegou a grande hora de um ano novo: avaliar o ano velho. Eu, para ser bem sincera, gosto de fazer isso porque me faz afincar mais a minha perspectiva de mim mesma: ser racional.

Em janeiro de 2008 foi a primeira vez que fui á praia, corri quase nenhum dia, comi quase todos os sorvetes que tive vontade e voltei quase da mesma cor. Alugaram um apartamento para no máximo 10 pessoas e havia 12 durante a semana e 16 no final desta. Li Lolita, adorei - apaixonei - e comecei a escrever uma história paralela com o mundo de Harry Potter que dei o nome de Ma Petit Fille. Projeto não concluído e abandonado por perda da essência de Lolita.

Em fevereiro só me lembro do carnaval, que foi o primeiro que não quis beijar ninguém, apenas curtir meus amigos e às músicas, voltar para casa às 7 da manhã e às vezes avisar meus pais somente nesse horário que iria dormir na casa dos meus primos. E vieram as aulas: o famoso 3º ano do ensino médio. Primeiro mês de aula, uma maravilha. Acho que foi nesse mês que tive contato com um profº de filosofia que viria a me ajudar a ratificar minha decisão.

Não me lembro como as coisas foram acontecendo mês por mês, mas sei que vieram as pressões do vestibular, as horas de estudo que, comigo, não evoluíam e eram raras em minha rotina. A certeza de que eu passaria era minha e via-me já como uma bizxete do curso de Filosofia 2009 na USP. Hoje, 11 de janeiro de 2009, estou prestes a fazer a 2ª fase da UNICAMP e já concluí a da USP e esse sentimento já não me segue mais.

Lembro que presenciei 2 tempos da minha amiga com o namorado dela (meu amigo também), o rompimento deste e o término de um namoro que eu jurava ser eterno. Ouvi o que acontecia com os meus amigos, como uns tinham problemas com mãe, namorado e ex, como outros estavam cegos pelo vestibular, aqueles que não estavam... e eu lutando para me segurar em alguma ponta. Eu não tinha um namorado, nem mesmo um pretendente. E não queria.

Sempre vi como as pessoas ficavam quando gostavam muito de alguém - até mesmo chegando ao ponto de se apaixonarem - e lembro como eu ficava quando assim estava. Se há algo que você faz com 13/14/15 anos que é útil é gostar muito de alguém. E foi com esse aprendizado meu que decidi que não iria me apaixonar, que não iria deixar ninguém vencer a minha segurança, a minha confiabilidade. Ninguém iria me destruir por um sentimento.

E vinha sendo racional desde então. Desacreditando no melhor das pessoas, mas buscando por isso. Lendo sobre falhas de caráter e não acreditando em paixão, saudade e companheirismo.

Larguei a academia com a desculpa de falta de tempo. Mentira. Eu tive tempo o ano todo para ir lá e ficar 4 horas de quisesse, mas a verdade é que eu não tinha mais saco para fazer isso. Comecei um curso de filosofia na antiga escola com aquele professor que eu conhecia. Só de ver. Ele me ajudou - muito - e traçou um perfil meu que eu pouco lutei para fazer juz. Ele ainda está torcendo por mim, acho, e vou me sentir uma fracassada por não conseguir passar em um dos cursos mais fáceis. Mas sabarei perfeitamente onde errei.

Errei na minha dedicação.

Li Crepúsculo, metade de Dom Casmurro, metade de A Mão e a Luva, metade de O Mundo de Sofia, metade de O Vendedor de História, li O Teorema do Papagaio, Através do Espelho, alguns textos de Caio Fernando Abreu que encontrei ao acaso na internet. Li Lua Nova, A Cabana, A Cura de Shopenhauer, algumas dez ou trinta páginas de Sócrates, O Julgamento de Sócrates.

Não é uma lista que eu me orgulhe, afinal, a maioria dos livros que eu compro, sei que vou ler apenas algumas páginas.

Meu irmão sofreu um acidente e quase deu perda total no carro. Abalou a todo mundo, menos a mim. Não sei por quê. Quer dizer, fiquei meio na corda bamba por um dia inteiro, só que depois, passou. E eu achei que havia acontecido o mesmo com os meus pais, até eles tocarem no assunto de forma mais profunda um mês depois.

Em julho vivi para academia e caminhadas. Vivi para sair com meus amigos e dormir. E fui feliz - até onde deu. Passei, verdade, um período difícil, vendo minha mãe chorando pelos cantos e aquilo me desestabilizou por alguns dias (todos). E a história se repetiu, mas, daquela vez, eu só chorei uma vez, quando criei coragem para contar às minhas amigas mais próximas.

Eu estava sendo uma sem sentimentalismo perfeita.

Foram dias longos.

E então veio o 1º dos 18. Só naquela festa que eu percebi que faria 18 anos. E me senti importante, adulta e digna de curtir tudo o que aparecesse na minha frente. E vi como tinha conquistado amizades importantes e como estávamos ficando adultas. Dentro de 9 dias eu não teria mais 17, mas 18 - e as lembranças de quando fiz 15 anos retornaram quase todas as nove noites.

Então eu fiz 18.

Foi lindo. Fui à academia e meu professor lembrou que era meu aniversário, me deu um abraço e espalhou para todo mundo. Minha amiga, parceira mesmo, não estava lá. Não lembro o motivo, mas sei que ela não esteve. Um dia antes, comemorei meu aniversário com 18 pessoas, que muito prezo, em um pizzaria. Foi ótimo. Foi lindo. Quando cheguei em casa, já eram 21horas e a minha família quase inteira estava presente.

Eu não sabia, mas estava a menos de 30 horas da mudança em minha vida.

Houve um casamento e uma festa linda. E lá eu conheci um alguém que eu não quis e que foi adentrando a minha vida de uma maneira que não sei explicar. No começo, não queria, mas ele fez-se especial.

Tive minha primeira crise de ciúme em anos, disse eu te amo sem de fato amá-lo, mas ele sabia. Disse eu não te amo com uma veemência que no momento me espantou. Senti saudades. Tive sonhos com ele... e quando estive prestes a me olhar no espelho, me dar um tapa na cara, e dizer para mim mesma muito bem, você está apaixonada, ele se afastou e me contou que a ex estava a ligar, que ele tinha outras e que gostava muito de mim.

Foi aí que um dia eu saí e não pensei nele pela primeira vez e que deixei alguém me flertar. Fui simpática com estranhos, saí de novo uma noite e deixei-me levar pela dança, pela aproximação, pelas palavras e pela bebida em meu copo que subia mais rápido que qualquer outra coisa. Deixei-me levar e beijei outro e gostei muito, porque, naquele dia, eu estava sentindo-me linda e capaz. E fui.

Vários homens se aproximaram de mim, vários disseram que eu era linda, e em nenhum deles eu via a imagem dele. E nem me lembrava dele - por 5 segundos. Mas, depois, lembrei-me dele dia após dia, minuto por minuto. Ele me tirou o sono - nada me tirava o sono até então! - e eu quis, de fato tê-lo.

No dia seguinte, eu queria vê-lo, mas não podia. Não teria coragem de encará-lo. Mas no vimos no outro dia, e foi especial e ele gritou para mim que me amava. Porém, não me convidou para acompanhá-lo no outro fim-de-semana e nem me ligou desejando feliz natal ou ano novo. Eu o fiz.

Na noite de natal, nós estivemos juntos porque não havia como ele se esquivar de mim. Estava sendo um pouco cautelosa por causa do meu irmão e os amigos deles me adoraram e me queriam por perto. E nessa noite sussurrei peão quando quis ter gritado minha paixão.

Eu liguei duas vezes pedindo para os encontrarmos e ele negou.

E então percebi que há muito eu não tenho mais saudades dele e que não gosto mais tanto assim. Apenas me habituei a ele. Só. E descobri que sou igual a qualquer outro clichê feminino.

Descobri várias coisas de mim. Prepotente, arrogante, soberba, chata, ciumenta, crítica, cética, possessiva, fraca, pouco determinada. Vou reverter. Algum dia. Hoje eu só quero conseguir dormir para aguentar 4 dias de provas que sei que só vão me deixar estressada e mais chata.

Ao longo desse ano, tentei mostrar uma visão racional dos fatos, só que falhei em quase todos os meus parâmetros. Minha excelência em alguns ramos foi guilhotinada. Minha confiança, dissolivida.

Passei ótimos 4 dias com parte de minhas melhores amigas em um hotel fazenda. Estávamos sozinhas, queimei as minhas pernas, fomos a Piracicaba e voltamos de ônibus para Rio Claro porque o cinema de lá não tinha sessões cedo. (Nunca, em toda minha vida, imaginaria que sairia de Piracicaba para vir ao cinema de Rio Claro). Fomos ao Hopi Hari, trocamos nossos points...

Aprendi a dirigir, deixei-me sair com outros grupos de amigos e a querer trazer mais pertos aqueles que já possuía. Primeiro porre, primeira promessa de não bebo nunca mais e a primeira ressaca... Nessa ordem. Criei tantas histórias que teriam dado ótimos livros que nunca foram para o papél. Criei tantas vontades... AH!, Sim, o tênis. Comecei a gostar e a entender esse jogo. Comecei a admirar pessoas como Roger Federer, Rafael Nadal, Guga e Fininho. As irmãs Vênus, as Olimpíadas... tudo!

No último dia de 2008 eu acordei às 5 da tarde, encontrei meu vestido passado e pendurado na porta do meu guarda-roupa, fui pôr gasolina no carro junto com meu pai, entrei na net, troquei de roupa e esperei pela virada de ano.

Claro que tenho muito mais a declarar, mas, por hora, isso me satisfaz.

7 de janeiro de 2009

sem muitos afazeres


Eu pintei minhas unhas hoje.

E elas estão vermelhas, e bem feitas.

Estão reluzentes...

Elas, apenas.

3 de janeiro de 2009

Incógnito.

Quando alguém surge na sua vida, você não fica procurando por motivos. Você simplesmente acata, pega e sorri, como forma de gratidão.

Caio F.P.S. apareceu mais ou menos assim na vida de Bruna V. repentinamente, sem motivos aparentes. E, para contragosto, não inventado e pouco acreditado, da parte dela, ficou. E tem ficado e, mesmo não agradando, ela o deixa ficar.

Sim, ela pensa por que diabos ele ficou se, ao escrever algo lindamente poético, nem um muito obrigado ele lhe dá.

Confesso, sem medo de aparentar inconviniente ou mal agradecida, que não é nada estimulante pensar na disposição das palavras ao longo de um texto para que, no final, a pessoa presentiada não consiga ler realmente o texto.

Afinal, há diferença em ainda sinto saudades e saudades ainda sinto e sinto saudades ainda ou até mesmo saudades ainda as sinto.


Caio. Um x que apareceu na vida da alfa Bruna e que recebe quase todas as prosas mais bem escritas por ela e ... e ele deveria se sentir um felizardo por tais feitos.

2 de janeiro de 2009

Conteúdo em prosa




Quando ela fecha os olhos, algo muda. Não é a luz que perde sua teoria e nem o preto escuro que ganha essência. É apenas o que se passa por dentro. E o que se passa é a louca vontade de afundar a cabeça no travesseiro e chorar... chorar... soluçar. Borrar o tecido florido pelo rímel do dia, manchar a tez com o preto da maquilagem e perguntar-se por quê.

Mas ela, invariavelmente, prefere apenas fechar os olhos. Sua razão guiá-la-á e em algum lugar chegará. E, irredutivelmente, seus pensamentos voltam para o mesmo assunto, comparando o antes com o depois, visualizando quando havia reclamações, quando ele se sentia carente e precisava dela. Quando ele pedia por ela.

Quando ela conseguia sonhar com ele.

E, de várias formas, à noite, ela chora. Seja ao manter os olhos cerrados, abertos, presos à parede... ao teto. Chora porque não sabe como entendê-lo, porque as frases dele ecoam em sua cabeça. Doe, eu sei, mas ela já entende que não doma sua razão - e que possui sim um lado sentimental. E que não consegue ser tão alheia aos demais, que seu cinismo é tão fajuto quanto suas conclusões.

Isso doe mais - porém, ela ainda não sabe. Tem que passar por tantas coisas para chegar a esse ponto que eu bem tenho ciência de que ela não quer. Ninguém quereria. Ninguém, em sã consciência, gostaria de passar por esse caminho. Mas ela já escolheu - só falta consentir. E agüentar. E suportar. E solidificar - até não mais sentir muitas coisas.

Se houvesse outro, um outro alguém que a colocasse nas nuvens, seria mais fácil. Sim, ela e eu sabemos. No entanto, não há aquele que desperte seu ímpeto da mesma forma que ele lhe fizera. Quase um favor, verdade, mas, ainda dessa maneira, um feito. Um grande feito. Ela não quis e ele insistiu. E ela deixou que ele a conduzisse, que ele a abordasse. Que ele a conquistasse.

E conquistou.

Daquela forma estranha, tão oposta, sem charme, mas o fez.

ESTÁ FEITO.

Eu sei que é isso o que ela pensa. Ele deu-lhe aquela antiga inspiração poética, aquela antiga vontade de escrever e a capacidade de compor frases bonitas - mesmo que sem significância qualquer. Mas deu-lha. E agora não há volta... quer dizer, há uma singular possibilidade, mas esta; esta ela repudia. É o cheque-mate para sua tristeza - e para sua felicidade.

Faca de dois gumes posta entre a cabeça e o coração.

31 de dezembro de 2008

2 gumes para um dia.



Quando ela fecha os olhos, algo muda. Não é a luz que perde sua teoria e nem o preto escuro que ganha essência. É apenas o que se passa por dentro. E o que se passa é a louca vontade de afundar a cabeça no travesseiro e chorar... chorar... soluçar. Borrar o tecido florido pelo rímel do dia, manchar a tez com o preto da maquilagem e perguntar-se por quê.

Mas ela, invariavelmente, prefere apenas fechar os olhos. Sua razão guiá-la-á e em algum lugar chegará. E, irredutivelmente, seus pensamentos voltam para o mesmo assunto, comparando o antes com o depois, visualizando quando havia reclamações, quando ele se sentia carente e precisava dela. Quando ele pedia por ela.

Quando ela conseguia sonhar com ele.

E, de várias formas, à noite, ela chora. Seja ao manter os olhos cerrados, abertos, presos à parede... ao teto. Chora porque não sabe como entendê-lo, porque as frases dele ecoam em sua cabeça. Doe, eu sei, mas ela já entende que não doma sua razão - e que possui sim um lado sentimental. E que não consegue ser tão alheia aos demais, que seu cinismo é tão fajuto quanto suas conclusões.

Isso doe mais - porém, ela ainda não sabe. Tem que passar por tantas coisas para chegar a esse ponto que eu bem tenho ciência de que ela não quer. Ninguém quereria. Ninguém, em sã consciência, gostaria de passar por esse caminho. Mas ela já escolheu - só falta consentir. E agüentar. E suportar. E solidificar - até não mais sentir muitas coisas.

Se houvesse outro, um outro alguém que a colocasse nas nuvens, seria mais fácil. Sim, ela e eu sabemos. No entanto, não há aquele que desperte seu ímpeto da mesma forma que ele lhe fizera. Quase um favor, verdade, mas, ainda dessa maneira, um feito. Um grande feito. Ela não quis e ele insistiu. E ela deixou que ele a conduzisse, que ele a abordasse. Que ele a conquistasse.

E conquistou.

Daquela forma estranha, tão oposta, sem charme, mas o fez.

ESTÁ FEITO.

Eu sei que é isso o que ela pensa. Ele deu-lhe aquela antiga inspiração poética, aquela antiga vontade de escrever e a capacidade de compor frases bonitas - mesmo que sem significância qualquer. Mas deu-lha. E agora não há volta... quer dizer, há uma singular possibilidade, mas esta; esta ela repudia. É o cheque-mate para sua tristeza - e para sua felicidade.

A faca de dois gumes posta entre a cabeça e o coração.

30 de dezembro de 2008





Ter um sonho a ser concluído.
Um alguém para se ter.
E fazer desse alguém
parte de um sonho
que não pertence a mais ninguém.

Vá e fique.


Te ponho em mim, de forma caótica e irregular, extremamente incompreensível e sem pesar. E não pesa quando está em mim, quando estou dentro de onde eu mesma criei para você ficar.

Fique.

De nada adiantará eu exigir que saia, que vá embora. Você não vai. E fica. Desnorteando os pensamentos e impondo direitos. A abstração de uma vontade escondida, de um sorte que vai parar.

Torço para que pare, assim, estarei longe de você, longe da guerra. Em paz. E não quero, e permaneço, continuo, fico. Um jogo de azar em que eu só perco, uma façanha a menos ao meu favor. Não me importo, acho, e estou dentro de onde eu mesma me impus.

De onde você enraizou. E quer ir embora? Pois vá.

Mas eu fico. Eu gosto. E fico. E você também fica, porque é seguro. Você quer a outras meninas? Não se importe, eu também desejo outros homens.

28 de dezembro de 2008

Por um momento e nada além



Eu te despejo em minha cabeça, numa overdose louca que me deixa em vertigem. E quando penso em parar, em te tirar de lá e me deixar, você volta, sozinho, sem que eu queira.




Então você fica em mim, dando-me uma desconfortável sensação de abstração. Você conhece isso? É quando a gente só imagina como seja, idealiza, mas não dá para ver, para ter... a gente gosta.

E assim você permanece, mesmo não querendo, mesmo não sendo de propósito - tudo em pura vertigem. E eu entro num estado de vício, sem de fato necessitar. E fico ansiosa. E fico nervosa. E rouo as unhas na expectativa de ver você, de sair da abstração e poder te tocar, te beijar, te abraçar e deixar seu perfume em mim.

Seu perfume em mim.

E deixar toda essa estranha vontade de dar coisas bonitas a você, em gestos, sorrisos ou palavras, em mim. E tentar guardar isso comigo, sem demonstrar a você.
O certo seria isso.
O correto seria te deixar a parte. Mas você vem, e fica, e permaece e, ainda bem, não vai embora.

27 de dezembro de 2008

Por 5 dias


Você os ama.
Incondicionalmente.
Você os considera seus irmãos, pessoas que praticamente cresceram juntos de você. E você gosta de estar com eles. E você sabe que é diferente deles.
Você não pode ser como eles. Os princípios e atitudes não batem.
E você começa a fazer uma coisa que não gosta. Começa a pensar de uma forma que não quer. E você se refreia e percebe que, só os ama - e só.
Ponto.
A convivência seria muito difícil, mas você aceita eles por perto. Afinal, amar é querer todos ao seu redor.
E aqueles que você condena por atitudes e pensamentos estão mais perto deles, e você nota. Percebe. Ter acesso é algo que você gostaria, mas, pensando um pouco melhor, não quer mais... afinal, eles são easier com aqueles que você não quer por perto por ferirem seus princípios.
Então, você começa a não os querer mais por perto. E sofre quieta, e sente saudades.

22 de dezembro de 2008

a whole new drem




Toda garota tem um sonho.


Algumas sonham com o impossível, outras com o plausível.Sinceramente, acredito que sonho com o misto dos dois.


Minhas metas são maiores, verdade, e bem romanescas. Tipicamente romanescas. Utópicas até que eu prove o contrário. Faculdade, livros, arte, história, cultismo, Paris, Londres, Europa, francês, italiano, inglês, conhecimento.


Enfim, o cultismo.


A verdade foi dita perante mim: os cultos não ganham dinheiro. Não. Estes não ganham - mas os persuasivos sim, e a minha retórica há de melhorar, e o meu potencial, e a minha oratória.


E eu voltarei para mostrar meu brilhantismo.

20 de dezembro de 2008

estranho legado

Eu tenho um segredo para te contar.

Eu gosto de escrever e, muitas vezes, manuseio palavras ao meu favor. Verdade. Penso em cada ponto, parada, respirada. Na disposição, no som, na ordem. Na ambigüidade que se segue, na ironia que não se entende, na mentira que permutei.
Entendo dos erros causados de propósitos, na essência de uma palavra e outra ou apenas no como quero ser interpretada.
Literalmente.
Sem exigências máximas de interpretação ou qualquer atenção mais acentuada.
Uma leitura simples e rápida.
E por isso digo sim que manipulo. E que sou hipócrito algumas vezes. E que tenho usado de uma inspiração que não me pertence nesses dias... Ela vem de um outro fluxo, de uma outra energia que exige um pouco além do meu cinismo. Este como corrente filosófica, e não de forma pejorativa.

Tenho escrito em função de um sentimento que não me apetece.

Tenho-lho dito.

E continuarei a dizer.

sórdido desejo


se você fosse metade do que sou,

seria tanto que pediria

- ajoelhado, aos meus pés, -

que fosse menos, a mim.

Prosa 2008

Ontem eu vivi talvez a melhor noite da minha vida.
Ok, eu já tive outras melhores, mas essa foi mais que especial. Foi a noite da minha formatura. Todos estavam ali, vestidos de forma diferente, deslumbrantemente contentes. As estrelas de um evento inteiro. Perfeitamente sonhador.
E poeticamente metafórico.
É lindo analisar que todos estavam bem, contentes e alegres. Alguns bêbados, verdade, mas onde não há estes? Eles estão lá. Sempre. E todos dançaram, pularam, deram risada - alguns beijaram, outros ganharam juras de amor e uns poucos outros declarações. Havia aqueles que ficaram sentados juntos de seus familiares, mas isso não é erro. É virtude. Pai. Mãe. Irmãos, avós, tios... muitas pessoas que estavam ali por sua causa e você ali com eles, retribuindo o favor.
Favor sim.
Um gostoso favor.
E, ao analisar mais, percebe-se a tristeza. Todos estavam felizes no último encontro. Todos estavam extrapolando de felicidade quando deveriam estar chorando. E ninguém chorou. Não é uma pena, ao meu ver, afinal, somos seres humanos e não podemos depender do fim apenas. O fim de fato não é o término. É só a anúncio de um novo começo.
E o começo deve ser o motivo de choros.
No fim, já sabemos de tudo o que se passou, o que aconteceu e como reagirmos diante dos fatos. Não há por que chorar diante das fortalezas, mas há diante daquilo que não conhecemos. Se os muros são mais altos ou os buracos mais largos e profundos. Não sabemos.
Choremos pelo começo.
Bebamos pelo fim.
Sejamos intermediariamente felizes enquanto conseguimos conciliar os dois fatos sem assimilar que o começo de um é a prévia do outro.
Choremos e bebamos, caros formandos.

16 de dezembro de 2008

Verdades Ditas

Eu não espero que você me ame. Não do jeito que faz, elevando a voz para que eu acredite - ou para que você o faça. Espero que você me abrace, me beije, me deseje. Queira-me até a sua loucura apossar-se de seu corpo por completo - até você não se aguentar mais e necessitar de mim, de fato, de verdade.
Irredutivelmente.
Sempre.
E, então, quem sabe, não precisarei mais segurar seu rosto entre minhas mãos, aprofundar meus olhos nos seus, forçando-os para que prestem atenção nas exatas palavras que minha boca deixa escapar sem arrependimentos.
Eu não o amo.

10 de dezembro de 2008

Estranho é ouvires, por toda tua vida, que o fácil era se apaixonar e querer tal pessoa por perto. Estranho é tu dares valor aos sentimentos carnais, como desejo e lascívia, dares valor aos sentimentos ruins, tais como vingança e arrogância, prezar o sarcasmo e agarrares-te ao cinismo como única base para sustentação.
Mas o estranho mesmo é tu encontrares alguém, não a desejares mais ao seu lado, não resistires à boca desta e usufruir de todos os dias como cínico que tens sido de forma natural, neutra e sem quereres parar com isso.
Estranho é tu agires como sempre deveras quis.

7 de dezembro de 2008

Você é.

O clima está bom. Mesmo que ele não queira, você não se importa. Você sabe que é bonita, que é linda e que tem charme. Que tem corpo, que tem mente, sorriso. Eles a olham e você olha de volta, meio tímida, é verdade, mas olha. E ele se aproxima. E ele dança com você. E ele a abraça. E ele a aproxima.

E você sabe que o clima está bom. O frio o faz chegar mais perto, sussurrar no seu ouvido que ele é quente, que ele te espera e o faz gritar que você é admirável. Sim, admirável. Linda. Estupefata. Que você está no coração dele. Mentira. Mas você se diverte, porque está frio, porque poderia ter tido a ele, e ao outro, e aquele terceiro que a encarou a festa inteira.

Lembra-se desse último? Ele oferece uma bebida, uma água, um pedaço de queijo e um beijo. Você quer aceitar o último; está bem perto de persuadir-se, mas não o faz. Pela dúvida que está em você? Por que não? Ele está diferente, estranho, afastado. E aqueles, todos eles, estão ali, bem perto de você, dando atenção, protegendo seu ambiente, tornando a festa agradável.

A festa é sua. A festa é você. Para eles, pelo menos. Você é a festa. A peça mais deliciosa. A pessoa mais sorridente, mais divertida, mais simpática e adoravelmente ácida.

O clima é bom. Ótimo.

O clima vem de você e laça-os. Você não sabia que tinha isso, mas agora sabe. E agora usa. E não vai mais recusar nada que lhe oferecerem.

LUAU

Na festa, ela queria que ele estivesse ali. Mas ele não estava. E tinha o outro. E o outro esteve por perto. Abraçou-a. Disse que ela era linda. Que ela era admirável. Que ela tinha as estrelas nos olhos (como forma de cantada horrível, afinal ambos estavam brincando). E ele a abraçou de novo. E dançou com ela. Abraçou. Pediu. Os amigos insistiram. Ela quase foi. E depois foi... e se perguntou, então, pra quê? Afinal, ele não esteve ali, e ele estava para ela.

"N* pa ta pa tá, você é admirável, tão admirável que é linda pra caramba - aposto um beijo que você me dá um fora".

E ela querendo que fosse ele.

3 de dezembro de 2008

Méritos de uma Derrota

A amarga derrota que ele experimentara tinha nome de mulher. Tinha cheiro de mulher. Tinha formas de mulher. As mais belas formas já providenciadas em terra, as mais genuínas formas tocadas por mãos. Eram formas delgadas, capciosas e tão ingênuas que ele só podia resguardá-las em memórias.

Tocá-las uma vez fora um erro, voltar a tocar, um mero desejo. Um descompasso sinuoso e desconhecido, de acordes desafinados e pouco refinados. Uma verdadeira epifania perante seus olhos, corpo e boca. Mãos trêmulas a contornarem cada recanto moreno, de cor de ébano - pura cor de um anseio oprimido atrás das janelas de sua infância.

Tocá-la, pela primeira vez, foi realização. Na segunda, desespero. Terceira, desespero. Na quarta...

Na quarta foi o destilo de uma alegoria pecaminosa que se apossou de sua virilidade. De sua sanidade. Uma rápida questão de devaneios que subordinaram a razão à paixão. A janela às mãos. Tocá-la teria se não fosse a vidraçaria. Uma quarta vez, pedira entre sua libertação solitária de tão apertada luxúria.

Curvas. Caminhos. Percorridos por três vezes. Rompimento da possibilidade e junção de sonhos. Erotização da púbere imaginação de um garoto escondido atrás das cortinas de um quarto próximo à casa da mulher. Sim, desde então - desde a primeira vista - ela era mulher. E se ele soubesse que seria derrotado naquele dia, teria tardado a descobrir a sensualidade libidinosa e teria, por correspondência, sobrevivido por mais alguns anos a fim de presenciá-la mais vezes.

Sonhá-la mais noites.

A derrota. Esta veio na quarta tentativa, ao bater à porta, ao vê-la olhá-lo de cima, com asco preso aos olhos, com repulsa em seus poros. Ele não a amava - ela sentia. Era apenas mais um corpo masculino encarcerado em sua porta, esperançoso de parte de sua carne, de seu êxtase. Parte de alguma coisa que ela já estava cansada de entregar.

Ele fora derrotado pelos próprios desesperos noturnos, alimentados desde a transição da infantilidade para a malícia. Ela fizera-o vívido, alimentado, guloso. Isento de capacitância para discernir o limite do abuso prazeroso. Mas não o fizera. Esquecera-se de ler tais proposições e partiu ao seu destino que o próprio escolhera, sem questionar se deveria.

Tocou-a.

Desejou-a.

Satisfez-se.

Três vezes e não mais que isso - quando perto dela.